Artista Angolano Kapela Paulo visita ´Escola Poto-Poto´ na República do Congo ou...

Artista Angolano Kapela Paulo visita ´Escola Poto-Poto´ na República do Congo ou Congo Brazzaville

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O Artista Angolano Kapela Paulo, nascido em Maquela do Zombo (Uíge), e que recentemente celebrou 71 anos de idade, irá visitar a República do Congo ou Congo Brazzaville, juntamente com Diongo Domingos e Dominick Tanner, entre os dias 18 e 22 de Julho. Trata-se de uma visita de estudo, e um regresso às origens para o Artista que, em particular, irá revisitar a ´Escola de Arte Poto-Poto´ –KP_01 (c) AMILDA KP_02 (c) AMILDA lugar aonde estudou nos anos 60 e que não visita há mais de 50 anos.

O Congo é um dos centros mais antigos da Arte Bantu. A partir do século IX, o florescimento de sua arte – dominado por máscaras, estátuas e relicários – foi promovido por dinastias deslumbrantes. Mas a pintura remonta apenas a 1951. Aparecendo inicialmente em Brazzaville, essa nova forma de expressão foi o resultado de um encontro entre o pintor francês Pierre Lods e artistas africanos que haviam retomado a pintura de forma espontânea. Em 1950, Lods decidiu abrir um ´Centro de Artes Africanas´ em Brazzaville, que passou a ser a ´Escola de Arte Poto-Poto´. Pierre Lods procurava uma arte africana autêntica. Recrutou jovens, preferindo aqueles que nunca frequentaram a escola. Proibiu-os de consultarem reproduções artísticas, para que não fossem influenciados por modelos ocidentais. Ele deu aos seus alunos os meios técnicos para expressarem, de forma plástica e tão livremente quanto possível, temas extraídos de suas tradições africanas p.ex. cenas de mercado, máscaras, pássaros, etc. A reputação da Escola estendeu-se rapidamente além das margens do rio Congo, graças ao talento de seus artistas. Após a partida de Lods em 1960, o Poto Poto continuou sob a direção turbulenta de dois ex-alunos – Nicolas Ondongo e Guy Léon Fylla – e já viu duas gerações de artistas: aqueles que trabalharam com Lods e aqueles que vieram depois.

Em 1989 Kapela Paulo mudou-se definitivamente de volta para Angola, nomeadamente Luanda. Trouxe o sonho de ensinar a técnica ´Poto-Poto´ a muitos alunos. Infelizmente, nunca realizou esse sonho. Mas, como refere Dominick Tanner, Director do ´ELA- Espaço Luanda Arte´: “…é inquestionável a posição que o Papá Kapela assume na Arte Contemporânea em Angola como ´pai espiritual´, sobretudo pelo facto de ter influenciado directamente toda uma geração de artistas angolanos que emergiram nos últimos 20 anos, e que se afirmam cada vez mais em território nacional e internacional. Artistas como Lino Damião, Marco Kabenda, Toy Boy, Nelo Teixeira, Kiluanje Kia Henda e Yonamine, foram todos inspirados pela obra e pela vida do Kapela. Isso para além da sua própria trajetória como artista.”.

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