Bióloga Angolana Vence o Prémio “Young Champions of the Earth 2019”

Bióloga Angolana Vence o Prémio “Young Champions of the Earth 2019”

Adjany Costa criou impacto ambiental positivo ao dedicar-se na salvaguarda de um dos últimos lugares selvagens do mundo - a Bacia do Okavango. A Bióloga neste momento não se encontra em Angola, mas está disponível para entrevistas via telefone e/ou email. Para fazer a sua marcação, por favor ligue para +244 939 190 025.

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A bióloga e pesquisadora angolana Adjany Costa é uma das vencedoras do prémio Jovens Campeões da Terra, atribuído pelas Nações Unidas à ambientalistas entre os 18 e os 30 anos de idade.

Em nota, o Programa da ONU para o Meio Ambiente diz que a angolana de 29 anos se distinguiu pelos esforços de conservação de água e biodiversidade. A brasileira Anna Luísa Beserra foi outra dos sete premiados.

Em entrevista à ONU News, Adjany Costa disse que este prémio é importante para poder continuar a realizar o seu projecto, mas também destacar os esforços de conservação de Angola.

“A importância de receber essa distinção vai além do meu trabalho. É uma forma de mostrar que existe um mundo de conservação em Angola para além daquilo que é falado, para além daquilo que é institucional. Existem pessoas motivadas para trabalhar nas diferentes áreas e componentes da conservação. Especificamente para o meu trabalho é uma forma de mostrar que, mesmo nas áreas remotas, temos tido alguma atenção. E é sempre um apoio, porque este não é um trabalho fácil. É um trabalho que requer motivação, que requer uma certa visibilidade para podermos continuar.”referiu .

A jovem trabalha com a comunidade Luchaze nas terras altas do leste angolano. Estas comunidades estão ameaçadas por práticas insustentáveis que ameaçam sua subsistência, depois de quase três décadas de guerra civil.

“É basicamente a introdução de workshops e de conversas e de alternativas de vida para poder activar a conservação como forma de melhorarem as suas próprias vidas e terem um incentivo económico para eles próprios fazerem a conservação da sua própria terra. Nesse aspecto, envolve uma série de actividades de empoderamento que lhes permite ter uma voz, uma voz que eles sentem que perderam durante 27 anos de guerra civil.”

A vencedora explicou porque é importante fazer este trabalho junto das populações que vivem na região.

“Para mim, é importante por fazer parte da terra e somos todos parte da terra. Mas mesmo economicamente e politicamente são as áreas que dão um favorecer ainda maior. Mesmo para quem não quer saber da natureza, tem uma importância económica e política muito elevada, principalmente neste novo mundo que fala muito de ecoturismo. É ainda mais importante para a sobrevivência destas comunidades, que dependem 100% do ambiente que os rodeia. Sabendo que daqui a algumas décadas os seus filhos não vão ter forma de se sustentar, que é o que eles dizem, eles têm noção disso, é importante que eles estejam envolvidos para proteger o seu próprio futuro.”

A jovem conheceu os Luchaze pela primeira vez quando participou numa expedição científica ao longo da bacia do rio Okavango. Durante quatro meses, Adjany percorreu cerca de 2,5 mil quilómetros, passando por Angola, Namíbia e Botsuana.

A Bacia do Rio Okavango é um ecossistema vital que faz parte da maior zona húmida de água doce do sul de África. Mais de um milhão de pessoas dependem desta bacia partilhada por Angola, Namíbia e Botsuana.

Segundo a ONU Meio Ambiente, o delta do rio, no Botsuana, abriga uma vida selvagem abundante, incluindo uma das maiores populações de elefantes do mundo.

A directora executiva da agência, Inger Andersen, disse que “a natureza está em declínio em todo o mundo a taxas sem precedentes, com graves impactos para a humanidade e o meio ambiente.”

Segundo a representante, a prova desse declínio “é esmagadora” e “proteger a saúde dos ecossistemas e lugares selvagens até 2050 é vital para a sobrevivência e um futuro sustentável.”

Foram premiados sete jovens empreendedores de África, da América do Norte, da América Latina e Caribe, da Ásia e Pacífico, da Europa e da Ásia Ocidental que receberão financiamento e orientação para ampliar os seus esforços.

Os vencedores vão receber o prémio durante a cerimónia dos Campeões da Terra em Nova Iorque, no dia 26 de Setembro. A entrega da distinção acontece durante o Debate Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas.

O júri seleccionou os vencedores e vencedoras entre 35 finalistas regionais de mais de mil candidatos.

Este ano, o prémio é concedido pela ONU Meio Ambiente e a Covestro, uma das maiores empresas de fabricantes de polímeros do mundo.

Os sete Jovens Campeões da Terra, selecionados de cada região global: África, Europa, América Latina e Caribe, América do Norte, Ásia Ocidental e dois da Ásia e do Pacífico, terão como
prémio:
● USD 15.000 (quinze mil dólares) para financiamento inicial;
● USD 9.000 (nove mil dólares) para comunicar e implementar a sua ideia e
transmitir as histórias de esperança e mudança catalisadas no terreno;
● Participação numa reunião de alto nível da ONU;
● Uma introdução aos dignitários na cerimônia de premiação dos Campeões da
Terra;
● Publicidade e reconhecimento através de entrevistas e mídia online e global;
● Acesso a uma comunidade de especialistas da Covestro que oferece insights e
mentoria;
● Participação num programa de treinamento empresarial;

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