Bolseiros da Sonangol E.P sentem-se injustiçados pela gerência da Academia Sonangol S.A. e da Gestora brasileira Siano & Rego – SR

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Vista geral do edifício sede da petrólifera nacional, Sonangol.

Um grupo de estudantes que faz parte do programa de Bolsas de Estudo Externas da Sonangol E.P. desde 2013, manifestou que, desde o início de sua estadia nos países de acolhimento, nomeadamente Brasil e Chile, a Academia Sonangol S.A. e a Siano e Rego vêm desrespeitando e descumprindo com o estabelecido no Regulamento De Bolsas De Estudo Externas (RBEE) – (SONANGOL E.P, 2014) e no contrato de formação pela Academia Sonangol S.A., 2015, assinado por ambas partes, Academia e Bolseiro.
De forma enxuta e cronológica, na primeira pessoa, seguem-se alguns acontecimentos que declaram o suposto descumprimento e descasos, com base no RBEE, por parte da Academia e SR.

1 – No início de 2014, em encontro anual dos Bolseiros, realizado pela Academia e SR, nos foi anunciado que teríamos (e sucedeu) uma redução de 20,18% no subsídio mensal do qual auferíamos. NÃO houve explicações ou justificativas plausíveis. Inclusive, alguns bolseiros foram ameaçados de perder a bolsa quando pediam explicações da referida redução.

1.1 – Após 18 meses, isto é, em Agosto de 2015, foi anunciado que teríamos (e sucedeu) um aumento de cerca de 80% no subsídio mensal – o qual auferimos até o presente momento. Do mesmo modo, pedimos explicação sobre o porquê do aumento, pois nada acontece do além, de igual modo, não obtivemos justificativas plausíveis.

2 – Em Novembro de 2016, foi cancelado o curso de língua e, pouco tempo depois, nos foi anunciado pela SR, que o subsídio de dezembro atrasaria […]. Atraso este que se estendeu até finais de Março de 2017, quatro meses sem meios de subsistência: alimentação nem eletricidade) – o que se traduziu no maior pesadelo ou sofrimento vivido pelos bolseiros no Brasil e Chile. A Academia NUNCA se interessou em responder os inúmeros e-mails enviados pelos bolseiros neste período.

2.1 – Durante o tempo que ficamos sem subsídios, naturalmente procuramos formas para sobreviver. Muitos bolseiros endividaram-se junto aos bancos com empréstimos e uso de cartão de crédito, fazendo com que acarretassem dívidas avultadas, sendo que muitos bolseiros ainda estão a pagar as mesmas. Assim, quase todo subsídio foi usado simplesmente para quitar tais dívidas acompanhadas de juros. É nossa convicção, e com base no RBEE, que merecíamos indemnização ou bonificação por conta dos descumprimentos da Academia e SR, pois o mesmo de forma alguma aconteceu. Vale ressaltar que os atrasos perduram até os dias de hoje, ou seja, a Empresa tem descumprido com seu dever rotineiramente, porém, nada acontece.

3 – O RBEE estabelece Direitos e Deveres tanto para a empresa e empresa gestora quanto para o Bolseiro, mas pelo que se experimenta, somente uma parte se favorece. Quando algum bolseiro não cumpre com seus deveres, as empresas não pensam duas vezes antes de aplicar a penalidade ao mesmo.

4 – Em 5 de Dezembro de 2019, nos foi comunicado pela SR, a anulação da alínea f) do Artigo 7º, do RBEE, referente ao recebimento de valores para custear as despesas com a transportação dos nossos haveres (itens adquiridos ao logo da estadia) no regresso ao país, após a conclusão do curso.

No email, a única justificativa foi “Restrições Orçamentais”, o que provavelmente seja inverdade. A maior indignação de nossa parte é que, justamente no final do curso, a Academia decide alterar o regulamento, principalmente por ser um momento em que a maior parte dos bolseiros terminou o curso.

No dia 12 de Dezembro de 2019, foi enviada, inúmeras vezes, uma carta a vários administradores executivos da Sonangol, buscando expor os atropelos ao contrato cometidos pela Academia Sonangol, com o intuito de se obter uma solução amistosa. Neste contexto, apenas um dos administradores executivos respondeu ao e-mail e mostrou-se disposto a buscar solução face ao problema. Houve retorno da Academia, porém insatisfatório, visto que o posicionamento da mesma se manteve, dando segmento ao incumprimento do contrato, além de mostrar falta de disposição à negociação.

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Helder Pedro
HÉLDER PEDRO, DE COBRADOR DE TÁXI A PROMESSA DA TV NACIONAL Há alguns meses que a televisão nacional ganhou um novo rosto. Hélder Pedro é o “platinado” que todos os sábados apresenta o mais recente programa de televisão sobre o jet7 angolano, no canal Jango Magic, da operadora DStv. A voz naturalmente colocada e a dicção não deixam margem para dúvidas de que a vocação radiofónica está-lhe no ADN. Apesar de ter optado por estudar Ciências Físicas e Biológicas no ensino médio, Hélder era apelidado pelos colegas de o “Bartolomeu da sala”, numa clara comparação a Ernesto Bartolomeu, famoso apresentador do telejornal da TPA 1. Várias foram as vezes que o jovem ouviu dizer que estava a perder-se no curso errado, porque “tinha um grande potencial para o jornalismo”, disse em entrevista à BANTUMEN. Num teste às suas capacidades, em 2008, decidiu criar a Rádio One, onde o seu quarto era o estúdio e os vizinhos a audiência. Uma coluna no terraço e estava criada a primeira rádio a ser emitida no município de Cacuaco. “Tudo o que eu falasse, as pessoas que viviam nos arredores da casa ouviam. O programa da Rádio One começava às 18 horas e tinha como convidados os meus irmãos e primo. O projecto surge com o intuito de entreter as noites da nossa vizinhança, uma vez que havia muita bandidagem no bairro e a zona era muito silenciosa.” Mas antes de chegar às televisões do país através do semanal “Platinando”, as curvas e contra-curvas da vida de Hélder levaram-no a ser pedreiro, cobrador de táxi, taxista e segurança num quintal do pai. Mas a perseverança está-lhe impressa no caracter. Em 2012, o “Bartolomeu da sala” conseguiu chegar à redação da Platina Line, através do pai que conhecia um dos funcionários da empresa. “Por ser bom e talentoso, passei no casting. Comecei como repórter, passei de seguida a fazer o programa de rádio na Kairós e fui promovido mais tarde para apresentador de TV, fazendo até hoje o programa “Platinando” com a minha colega Rosa de Sousa.” Um ano mais tarde, a responsabilidade do jovem trabalhador-estudante tornou-se demasiado pesada e foi necessário optar entre as várias actividades que desenvolvia ao mesmo tempo. “Estudava na Utanga do Capolo, fazia o curso de Electrónica e Telecomunicações e era difícil conciliar os estudos, serviço de táxi “não personalizado” e a Platina Line. Larguei o táxi e os estudos por falta de apoio, pois nessa altura o meu pai já não tinha condições para sustentar os meus estudos. E eu que sempre pensei que ser estudante universitário fosse um mar de rosas e que fosse principalmente fácil pagar as propinas, enganei-me!” Depois de dois anos dedicados à comunicação, Hélder decide voltar a estudar e é actualmente aluno da Universidade Independente de Angola, no curso de Ciências da Comunicação. Numa breve análise à liberdade de expressão dos meios de comunicação nacionais, Hélder Pedro diz que a “Platina Line veio revolucionar a comunicação social em Angola, em particular o mundo do entretenimento. Mas, como infelizmente a nossa sociedade ainda não tem uma mente tão aberta neste campo, encaramos certas informações como abusos contra identidade, o que impossibilita a liberdade de comunicação e muitas vezes de expressão. Como resultado, muitos jornalistas, comunicólogos e não só, vêem-se na obrigação de omitirem determinadas informações”, explica. Entre o online e a TV não consegue designar um preferido e garante que as duas categorias têm as suas vantagens. No entanto, os seus objectivos centram-se em chegar à cadeira de pivô de telejornal e, quem sabe, ser o sucessor do ídolo Ernesto Bartolomeu.