Conheça Camila Silveira, uma brasileira apaixonada por Angola e pelos angolanos

Conheça Camila Silveira, uma brasileira apaixonada por Angola e pelos angolanos

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Por: Stella Cortêz

Amável e determinada, são algumas das qualidades que caracterizam a brasileira Camila Cristiane Silveira, apaixonada por Angola e pelos angolanos. A empresária comprometida com o empreendedorismo que tem vindo a formar muitos angolanos disse, em declaradas ao PLATINALINE, que já formou mais de 5.000 mil pessoas no que ao empreendedorismo diz respeito.

Camila esclarece que começou a trabalhar muito cedo em sua própria residência e sempre participou na forma de sustento da sua família, independentemente de naquela altura ter 6 anos de idade. Camila cresceu numa família sem grandes conceitos, no ponto de vista financeiro, porém, com muitos princípios, entretanto, na época, por não ter tido muitas habilidades na academia, foi qualificada como sendo a “burra” da família. A brasileira destaca ainda que desde muito cedo começou a trabalhar no ramo do empreendedorismo sem ter ideia do que era isso, mas procurava fazer actividades que fossem possíveis gerar rendimentos para o sustento da família.

Como é conhecido o velho ditado: Conheceu o preço do pão muito cedo?!

R: Sim. Cresci num ambiente empresarial familiar bastante rígido. Os lucros das actividades eram cobrados e se não houvessem, causavam muitos transtornos e tudo isso foi construindo em mim um grande medo, pois que tudo era uma cobrança exacerbada de resultados.

E como geriu essa fase?

R: Infelizmente escolhi por anos e devido às circunstâncias, ser “refém” de muitas situações, o que em mim só fez crescer a falta de valor e incapacidade de poder desenvolver qualquer outra actividade.

Após essa fase que podemos considerar difícil, como se tem dito, após a tempestade veio a bonança?

R: Aos 24 anos me casei, no mês de Novembro e, no ano a seguir, precisamente em Janeiro, recebi um convite para vir a Angola participar da organização da primeira FILDA, que aconteceria no país. Com muitas dificuldades financeiras, acreditei ser impossível aceitar tanto pela falta de recursos, quanto por ter certeza da incompetência que ouvi que sempre dominou por muitos anos a minha vida. Durante dias pedi dinheiro emprestado em diversos locais e quando tudo parecia perdido, consegui o valor que precisava para pagar em 10 dias. Abracei o desafio e, em 10 dias, tal como combinado, devolvi o dinheiro emprestado.

E quando chega a Angola, foi um amor à primeira vista?

R: Vinha de uma realidade distinta. Porém, posto cá, lá fui eu descobrir que eu podia ser alguém diferente do que era. Fiz o meu trabalho, o que me trouxe uma grande alegria, mas logo regressei ao Brasil, após isto, vieram os filhos, e 2015 decidi terminar os estudos e fazer minha primeira faculdade de Comércio Exterior, que embora com muita dificuldade, consegui concluir. Em Agosto do ano passado, me vendo em profundo desânimo e mais uma vez praticando um hábito antigo de nos momentos de medo e sentimento de incapacidade, sempre me escondia no guarda fato ou em qualquer cantinho menor possível e por volta de uma decepção, ali chorava por dias, saindo apenas para desempenhar minhas actividades de mãe, e um dia muito cansada disto, uma grande amiga me alertou que eu estava a ser ingrata a Deus, o que para mim teve um peso enorme, pois nunca quis decepcionar Deus, e pensei muito mesmo.

Fale-nos do seu encontro e paixão por Angola e pelos angolanos?

R: Sim. Conversei com a minha família, que precisava retornar em Angola e fazer o que realmente me realizava. Reencontrei Angola e os angolanos, que me receberam de braços abertos. E passei a me dividir entre Angola e Brasil. Pretendo ajudar cada vez mais os angolanos a estimular e a descobrir as suas capacidades de empreender, criando seu próprio negócio e gerando receitas e, consequente, sustentabilidade. Me sinto angolana, e vou continuar nessa fase difícil do país, a contribuir para que juntos ultrapassemos esse momento e criemos riquezas com aposta na formação do homem.

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