Conheça a incrível história de superação de Paulo Azevedo: “Nasci sem mãos...

Conheça a incrível história de superação de Paulo Azevedo: “Nasci sem mãos nem pernas, mas desistir nunca esteve no meu dicionário”

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Por: Hélio Cristóvão

Uma história de vida e de superação que com certeza teríamos mesmo que ver para crer. Actor de profissão e palestrante de superação e motivação, Paulo Azevedo, de 30 anos de idade, nascido em Pombal, Portugal, contou ao PLATINALINE um pouco daquilo que viveu desde a sua infância à idade adulta. Sem mãos nem pernas, desde cedo aprendeu a aceitar-se e a conviver da melhor forma com a diferença.

Convidámo-lo a acompanhar a entrevista!

PLATINALINE – Quando foi que percebeu que fisicamente era diferente das outras pessoas?

PAULO AZEVEDO – Sempre soube que era diferente das outras pessoas porque a minha família nunca me escondeu. Levavam-me para a praia todo nu, precisamente para as pessoas me verem tal e qual eu era, sem me esconder nunca. Mas ser diferente não era ser inferior, sempre foi isso que a minha família me mostrou.

“Coitadinho, mais valia à pena tu não teres nascido”. Frequentemente ouvia as pessoas a me dizerem alto e em bom som, porque pensavam que eu era mudo, surdo e que tinha todas as desgraças. Foi nesta frase que eu ganhava forças e dizia para mim mesmo: “um dia sou eu que vos vou mostrar se valeu a pena ter nascido ou não”. Contou Azevedo.

PLATINALINE – Sofreu com os olhares alheios?

PAULO AZEVEDO – Desde muito pequenino aprendi a lidar com os olhares das pessoas. Quando elas olhavam muito para mim, eu chegava ao pé delas e explicava o porquê que nasci assim, e essas pessoas iam para casa com a sensação que eu era feliz, e se não fizesse isso, elas continuariam a pensar que sou um coitadinho.

PLATINALINE – Como é que superou o preconceito?

PAULO – Eu usava muito o meu sentido de humor, servia como uma arma para eu encarar as minhas diferenças. Eu dizia que vinha de Marte, dizia que tenho unhas encravadas, e nem sequer tenho pés… foi desta forma que desconstrui o preconceito, brincando com as minhas próprias limitações.

Agora com dois filhos, Gustavo, de 5 anos e Matilde de 3, Paulo construiu uma família e dava tudo por ela.

PLATINALINE- Como consegue influenciar e motivar inúmeras pessoas do mundo inteiro?

PAULO – Simplesmente a acreditarem no seu próprio valor, a não desistirem no primeiro obstáculo. Porque muitas vezes a vida prega-nos rasteiras e não é uma escolha nossa, mas é escolha tua se ficas deitado no chão. E eu, desde muito cedo, escolhi levantar-me. Então eu simplesmente conto histórias onde o difícil não significa impossível, uma história onde se ri, mas também se chora. É assim que influencio e tento motivar as pessoas.

PLATINALINE – O que lhe dá mais prazer em fazer?

PAULO – Contornar os obstáculos, pois nenhum obstáculo é impossível de se derrubar. O que me dá mais prazer é amar, porque nada vence a força do amor, o amor supera qualquer obstáculo, basta acreditarmos em nós próprios.

PLATINALINE – Como se descreve hoje como pessoa?

PAULO – Considero-me uma pessoa determinada, uma pessoa que acredita no seu próprio valor, nas suas capacidades, uma pessoa que falha todos os dias para vencer, uma pessoa perseverante, uma pessoa com altos e baixos e que acha que tudo na vida tem um propósito, basta termos fé, crença e determinação.

Paulo Azevedo nasceu no dia 29 de Outubro de 1981. Sem aviso e após uma gravidez de oito meses, ainda adolescente, Clara (sua mãe) via-se com um filho diferente nos braços. O bebé não tinha mãos nem pernas, o choque foi tremendo, mas a fé, a coragem e a determinação foram maiores. Paulo aprendeu a aceitar-se e a lutar para ser uma pessoa autónoma e independente. Sem mãos nem pernas, tem hoje uma vida normal e ainda ajuda milhares de pessoas com o seu trabalho.

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