Covid-19: Projecção aponta entre 17 e 45 mil casos até Setembro em Angola

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Covid-19: Gestão de assintomáticos contraria projecções
Luanda – A correcta gestão de casos de doentes assintomáticos (sem sintomas), que representam 80 por cento dos pacientes de Covid-19 em Angola, pode contrariar as projecções calamitosas de mais de 45 mil casos previstas para Setembro do corrente ano.

Segundo um estudo do reitor da Universidade Privada de Angola (UPRA), Pinto de Sousa, divulgado hoje, quinta-feira, em Luanda, para se conter o número crescente de casos, o desafio passa pela gestão conveniente dos casos assintomáticos que, à partida, são 80 por cento dos infectados e grandes transmissões.

Ao intervir na sessão de actualização da situação epidemiológica da Covid-19, explicou que não obstante a isso, os assintomáticos sustentam a transmissão comunitária, congestionam o sistema nacional de Saúde, levando a rotura dos leitos hospitalares e de recursos humanos.

Durante a sua dissertação, em que abordou as “Medidas Sanitárias e Visão Epidemiológica da Covid-19”, sugeriu que a saída disso passa por segregação (isolamento) de um caso do convívio familiar e outras pessoas durante o período de transmissibilidade.

O isolamento deve passar pela gestão domiciliar do caso assintomático, em que o doente tem o acompanhamento de proximidade pelas administrações municipais, repartições de saúde, comissão de moradores e de outros parceiros e lideranças locais e as unidades primárias de saúde.

Para a gestão de casos domiciliar, o académico estabeleceu uma estratégia que recomenda o atendimento dos doentes sem condições de isolamento domiciliar em quarentena institucional.

Já os doentes com condições de habitação, na sua óptica, devem observar a quarentena domiciliar, aonde atribuir-se-á a responsabilidade ao paciente e à sua família em caso deste violar as regras de segregação nessa condição.

Informou que em caso de se chegar nessa estágio crítico do aumento de infecção, a via para se descongestionar os hospitais, os doentes deverão ser internados nas Unidade Primárias de Saúde, nas Especializadas, nas Clínicas Especializadas, Hospitais de referência, enquanto os laboratórios, como placa giratória, devem atender a necessidade de toda rede sanitária.

Ainda na estratégia de contenção de casos, o epidemiologista recomenda a revisão da estratégia de comunicação de crise e de marketing, de abordagem aos mercados, nas paragens para transportes colectivos e restaurantes e na abordagem dos casos assintomáticos em ambiente domiciliar.

Durante o seu estudo, o médico identificou que a estratégia da comissão multissectorial de combate à Covid-19 teve como pontos fortes a liderança forte, resposta adequada do serviço de saúde, implementação de medidas de saúde pública e epidemiológica adequada e no momento certo.

“Como pontos fracos, identificamos os actos de violação das cercas sanitárias e o comportamento da população em desrespeitar as regras para contenção de casos”, concluiu.

Deste modo, Angola tem o registo de 51 mortes e 395 recuperados, num universo de 1.109 infectados, mantendo-se 663 casos positivos activos, 19 dos quais em estado grave e seis em situação crítica.