Dog Murras partilha palavras de encorajamento direccionadas ao Riquimho

Dog Murras partilha palavras de encorajamento direccionadas ao Riquimho

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Por: Vídia António

Riquinho chamou atenção de todos após ter revelado que iria se suicidar caso não recebesse o pagamento das verbas pelos serviços prestados em shows e no afrobasket. Dog Murras sentiu-se comovido com essa declaração e partilhou nas redes sociais algumas palavras de encorajamento para um dos maiores organizadores de eventos de todos os tempos.

“Mó kota, tal como o resto dos mangops, também estou a acompanhar a tua travessia pelo deserto, só que, em vez de ficar no meu canto a reencaminhar os teus lamentos com prazer, tipo a tua desgraça é a minha vitória, em vez de te gritar ʻsandingaʼ, preferi xingar essa mukanda para te desejar coragem, a escola do Do or Die ensinou-me a classificar os homens pelo carácter e independentemente das reacções musculadas e do casaco de trungungu que usas quase sempre, lá no fundo da muxima és um homem de bem e tens carácter, digo isto porque convivi contigo no momento em que eras o king dos shows, na fase em que movimentavas Angola, quando nos transportavas de um canto para o outro com o intuito de levar alegria aos nossos camaradas e manos de Cabinda ao Cunene,” escreveu Dog.

O cantor falou, ainda, dos feitos de Riquinho e do contributo que ele deu em termos de organização de espectáculos e salientou que, apesar das dificuldades financeiras na época, sempre tratou os artistas nacionais por igual, independentemente do estilo musical sem menosprezar alguém e que, apesar de tudo, considera Riquinho um homem de bom carácter. “Havia um brilho no teu olhar, uma vontade de ver o músico a cantar e que no final ficasse o mínimo de satisfação em todos os que estivessem envolvidos nos shows. Tu organizavas os eventos a três pancadas, mas sempre com muito amor, carinho e entusiasmo, sem menosprezar alguém. Contigo nunca havia teams preferenciais, muito menos artistas melhores que outros, pelo menos os nacionais, tu misturavas o Semba, Tchianda, Kizomba, Kilapanga, Kazukuta e o Kuduro no mesmo palco com uma formula mágica e quem não reconhecer isso, será julgado pela própria consciência”.

“Não estás sozinho, mó kota, mas, infelizmente, estás a pagar o preço de uma sociedade que ficou mesquinha, com gente que cada vez mais esconde os seus kibulos pessoais na desgraça dos outros, tudo porque estamos a vivenciar a pior das crises, que é a crise do ser, fizemos correr todos atrás do kumbu, agora o kumbu sumiu e percebemos que os nossos valores estavam casados com ele; agora perdemos o norte, estamos iguais a uma zebra sem listras e uma zebra sem listras vira um burro. Aí choro pela década de 80, quando éramos pobres financeiramente, mas ricos de consciência e nos juntávamos no centro da pista para dançar a dança da família angolana sem medo da nossa sombra. A tua dor está a doer-me, mó kota e fiquei mais preocupado porque já começas a falar em suicídio. Não faz isso, mó kota! Os remédios que curam grandes enfermidades são amargos, o álcool dói, mas sara qualquer ferida. A dor ao arrancar um dente é dura, mas o alívio de nunca mais teres um dente que te incomoda te fará suportar qualquer momento de agonia, assim também é a vida: por mais longa que seja a madrugada, algum dia o dia nascerá para ti. Coragem, mó kota!” finalizou o cantor.

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