Filme angolano no Festival de Cinema de Roterdão

Filme angolano no Festival de Cinema de Roterdão

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O realizador angolano Henrique Narciso “Dito” participa, desde o passado dia 26 Janeiro e até ao próximo domingo, na 40ª edição do Festival Internacional de Cinema de Roterdão, na Holanda, com o filme documentário “A Muamba na China”.


A curta-metragem foi gravada na China, e que relata a história de comerciantes angolanos, os “muambeiros”, que compram mercadorias naquele país asiático para vender em Angola. 


Henrique Narciso disse à reportagem do Jornal de Angola que o documentário é resultado de um projecto cinematográfico avaliado em 15 mil euros e patrocinado pela organização do Festival Internacional de Cinema de Roterdão, depois do realizador angolano ter sido escolhido, em 2010, na Holanda, num grupo de seis realizadores africanos. 


O realizador conta que chegou a este festival depois de ter recebido, em 2009, na companhia do seu colega Francisco Cafua “Silencio”, ambos funcionários da Televisão Pública de Angola, um convite para participarem na edição de 2010 deste festival como realizadores e criadores de cinema da nova geração. 


Os dois fizeram parte de um grupo de 38 cineastas africanos que, pela primeira vez, marcaram presença neste festival, cuja 39ª edição foi especialmente dedicada ao continente berço da humanidade sob o lema “Onde está a África”. 


Henrique Narciso disse que os realizadores seleccionados em vários países africanos concorreram na categoria de cinema livre, dos quais seis filmes, incluindo o seu “A guerra do Kuduro”, foram classificados como melhores, o que lhe valeu um financiamento de 15 mil euros para produzir “A Muamba na China”. 


O filme foi totalmente filmado naquele país, com o auxílio de realizadores holandeses e editado em Angola pela EDD-Produções do realizador. Além do angolano foram seleccionados para participar este ano no Festival de Cinema de Roterdão, um realizador maliano, um sul-africano, um nigeriano, um camaronês e um do Congo Brazaville.

 


Além da curta-metragem “A Muamba na China”, faz igualmente parte do programa do festival a exibição do seu último filme de acção intitulado “O Emigrante”, produzido no ano passado.

Decadência na produção

Cineasta da nova geração, Henrique Narciso “Dito” afirmou que a produção de cinema em Angola pode baixar consideravelmente nos próximos dois anos, devido à falta de apoio financeiro e material aos produtores e realizadores angolanos.


O realizador sustenta a sua afirmação no facto de a edição 2010 do Festival Internacional de Cinema de Luanda “FIC Luanda” ter registado uma ausência notável de participantes nacionais, “embora um dos vencedores tenha sido um angolano”.


“Nós marcámos uma época em que havia carência e novidades de filmes nacionais, para além das telenovelas e séries produzidas pela Televisão Pública de Angola (TPA) com um perfil que a população já conhecia. Quando surgimos em 2007 com o primeiro filme de acção, houve um grande interesse dos angolanos pelas produções angolanas”, recordou.


Dito, que apostou na produção de filmes nacionais em 2005, produziu a sua primeira aventura cinematográfica “Assaltos em Luanda  I ” em 2007, sem condições financeiras para contratar e pagar a actores. “O meu primeiro e histórico filme surgiu de uma desmedida aventura. Participei em várias filmagens de séries e novelas na TPA, onde ganhei muita experiência sobre cinema”, disse.

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