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G Pamella: “Se não fazes parte do grupinho de amigos da indústria musical, tua careira não vai a lado nenhum”

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Por: Hélio Cristóvão

Há 6 anos que mora no Reino Unido, onde trabalha e é estudante de Psicologia, G Pamella, sempre que pode, está em Angola para rever familiares, amigos e, obviamente divulgar os seus projectos musicais.

A artista que para muitos é uma forte concorrente no Rap feminino em Angola, cedeu entrevista exclusiva ao PLATINALINE, na qual falou de tudo um pouco, desde a sua carreira, Rap e análise do mercado musical angolano.

PLATINALINE – Como está a saúde da sua carreira?

G PAMELLA – Minha carreira está sendo abraçada com muito amor, entusiasmo e carinho. Tento apreciar cada passo que dou, sem pressa, pois quero admirar cada momento. Se a tivesse que definir com um nome, este seria ”Fénix”. Ressurgindo das suas próprias cinzas, carregando uma força e aprendizado que só tem sido possível com Deus no comando.

PLATINALINE – O que tem feito nos últimos tempos?

G PAMELLA – Bem… Para quem já me conhece, sabe que sou aquela pessoa que ”não para quieta”, sempre se mantendo ocupada com alguma coisa. Nos últimos tempos, tenho vivido muitos desafios para atingir os meus sonhos, paixões e objectivos de vida. Diariamente, trabalho a minha saúde mental e física, sem esquecer do meu tempo para adorar a Deus. Adoro leitura de livros que estimulam o auto-conhecimento pessoal e mantenham o meu cérebro sempre ocupado com informações positivas. Escrevo (não tanto quanto queria), estudo, trabalho e vou tentando me distrair com actividades criativas. Ouço demasiada música de diversos estilos e adoro me divertir e bater papo com pessoal agradável.

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PLATINALINE – Que avaliação faz do actual estado do Rap feito por mulheres?

G PAMELLA – Não estou muito informada de como anda o Rap feminino em Angola, de uma forma mais detalhada, mas do pouco que consegui notar com a minha última ida a Luanda, é que vi raparigas bastante talentosas que lutam para alcançar seus objectivos da melhor maneira. Infelizmente ainda vejo que as saídas do Rap feminino são bastante limitadas, pois, se não fazes parte do “mundinho dos lambe botas” ou “grupinho de amigos da industria musical”, a tua carreira não vai a lado nenhum, independentemente das qualidades que carregas.

PLATINALINE – Que tipo de artista considera ser?

G PAMELLA – Activista, idealista criativa, sempre procurando a auto-expressão através da arte ou de uma maneira mais divertida. Procuro expressão através da escrita (música e diários), através da pintura, leitura e também vestuário. O estado de espirito do ser humano varia demais, então acho super animado poder olhar para as diferenças do que para o que cada um deles pode trazer para mim, obtendo resultados finais diversos e, muitas vezes até contraditórios.

PLATINALINE – É 100% rapper ou pode viajar em outros ritmos e sonoridades?

G PAMELLA – Uhhh! Deus me livre se fosse 100% rapper! ADORO navegar em outros ritmos que não sejam apenas Hip Hop. Cada sonoridade desperta um lado de mim diferente e eu adoro o facto de poder entrar em cada uma delas de maneira única, despertando e descobrindo diferentes personalidades dentro de mim. A gente se inspira tão mais em estilos contrários do que fazemos, pois nos abre demais a mente para múltiplas saídas, aumentando o nosso campo de visão. Diferentes músicas despertam diferentes emoções, então, na minha opinião, é sempre muito bom manter um balanço musical, senão a gente acaba por se sentir muito preso.

PLATINALINE – Actualmente quem comanda o game feminino, segundo a sua percepção?

G PAMELLA – Não faço ideia, porque cada artista feminina carrega consigo a sua onda única, trazendo diferentes sabores ao game feminino. Mas, das mais destacadas, eu adoro a sonoridade e vibe que a Nenny transmite e adoro igualmente a força e exemplo de mulher guerreira que é a Eva.

PLATINALINE – Acha que existem poucas rappers que se conseguem sustentar no estilo? Porquê?

G PAMELLA- A Mulher é um ser humano muito complexo, com muitas tarefas e ocupações, carregando um lado emocional bastante sensível. Atenção, que eu disse sensível, não disse fraco! Muitas vezes Mulher é aquela ”energia divina” que precisa de um tempo com cuidados pessoais e de estética, pois, se ignorados, podem gerar um grande desgaste, perdendo a vontade de sustentar sua carreira. Também é bastante normal que não haja aquela consistência quando o foco maior de muitas seja ter uma família ou trabalho profissional (se no caso não for a música seu maior objectivo). Outra razão pode ser que a mulher quando cria limitações de tempo, intensidade de amizade ou outra coisa, aos olhos do homem é interpretada como ”preguiçosa, com falta de interesse, etc.”

PLATINALINE – Quanto aos rappers masculinos, quem mais respeita e porquê?

G PAMELLA – Respeito demais o Plutônio! Acho-o um artista completo! Adoro muito o que ele transmite nas mensagens, me identifico demais com as suas emoções e histórias! Para complementar, adoro as suas mudanças de flow… Não tenho mesmo palavras, definição de música perfeita! I LOVE IT! Adoro o Paulelson, Declive, Uami e Délcio Dollar quase que pelas mesmas razões, acho-os super únicos e com uma identidade própria de expressão, sem esquecer que sou uma viciada em óptimos flows! Daqueles que brincam com as palavras fazendo o sério parecer engraçado e o engraçado sério! E o Medickation, adoro tudo nesse artista! Desde o conteúdo por inteiro até à personalidade. Poh! Medickation its too lit! De VIBES, é muito inspirador.

PLATINALINE – Sente que lhe falta alguma coisa para explodir?

G PAMELLA – Sem dúvidas! Acredito que comigo, as maiores dificuldades que enfrento estão todas ligadas à falta de suporte na minha carreira (promotores, produtores, designers, artistas em si, enfim… conexões em geral). Se pudesse, eu adoraria tambem ter a oportunidade de ter um mentor no mundo da música, alguém experiente que me consiga passar uma percepção das coisas, me proporcionasse uma visão mais ampla e experiente, alguém que me corrigisse e mostrasse as minhas características fortes, “tipo”, com um braço direito no ”por detrás das câmeras”, me ajudando a evoluir não só como artista ou rapper, mas como pessoa.

PLATINALINE – música para si é?

G PAMELLA – Música é liberdade! É arte! É auto-expressão! Umas incentivando um lado mais negativo, outras um mais positivo, outras um lado mais pessoal como desabafos, maneira de ver o mundo… música é o que o artista quiser fazer com ela por meio de palavras e sonoridades. Música transmite frequência que activam emoções humanas com o poder de levantar o estado de espirito de alguém, dando aquele estímulo de autoconfiança, ajuda a viajar em recordações passadas, também pode ser usada como forma de relaxamento, diversão, etc. Música dá vida ao mundo.

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