João Emanuel Carneiro, autor de muitas novelas brasileiras conhecidas, fala sobre “Segundo...

João Emanuel Carneiro, autor de muitas novelas brasileiras conhecidas, fala sobre “Segundo Sol

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João Emanuel Carneiro

Por: Iraneth da Cruz

João Emanuel Carneiro Silva, roteirista, director de cinema e conhecido como autor de grandes telenovelas como: “Da cor do Pecado”, “A Favorita”, “Avenida Brasil”, “Cobras & Lagartos”, “A Regra do Jogo” e actualmente “Segundo Sol”.

João Emanuel Carneiro começou a colaborar aos 14 anos com o cartunista Ziraldo roteirizando “Histórias em Quadradinhos”, aos 20 anos de idade, foi premiado como roteirista do curta-metragem “Zero a Zero” e foi daí que optou definitivamente por esta profissão.

De lá para cá, o autor só fez sucesso atrás de sucesso e hoje fala ao PLATINAINE sobre a nova novela do horário nobre da globo intitulada “Segundo Sol”.

PLATINALINE: Qual é a ideia principal da trama de Segundo Sol?

João Silva: Segundo Sol é a ideia de um recomeço, uma segunda oportunidade que alguém tem na vida para tentar acertar o que errou. A protagonista Luíza (Giovanna Antonelli) tem essa oportunidade de juntar uma família que foi despedaçada no passado. Depois de passar 18 anos fora do Brasil, essa mulher volta para o país com a esperança de catar os caquinhos do que já foi a família dela.

PLATINALINE: Como é o protagonista Beto Falcão (Emílio Dantas)?

João Silva: Quando começa a novela, Beto tinha sido um sucesso há três anos e, no momento, estava no ostracismo. Ele já foi a última bolacha do pacote e depois, no começo da novela, fica esquecido pelos media.

PLATINALINE: Como é a relação entre Beto, Luzia (Giovanna Antonelli) e Karola (Deborah Secco)?

João Silva: Passados vários anos a morar com a Karola, Beto fica acostumado com aquela vida boa que ele passa a ter, de estar protegido com a falsa morte. Esses direitos autorais rendem bastante dinheiro para ele e assim leva a vida adonista. Quando ele reencontra Luzia, lembra de quem foi no passado e volta a ter uma crise de identidade pelo facto de se ter acobertado com a sua falsa morte. É ela quem detona nele essa inquietação e essa vontade de acertar as contas com o passado.

PLATINALINE: Existem duas vilãs na novela: Karola e Laureta (Adriana Esteves)?

João Silva: Os vilões são sempre figuras fascinantes. São como a bruxa nas histórias infantis. Acho que tanto Karola, quanto Laureta são vilãs e palhaças ao mesmo tempo. A Laureta exerce uma influência muito grande à Karola, é como uma mentora que tem uma visão muito deturpada da ética. Ela ensinou a sua pupila todas as lições erradas possíveis.

PL: O que Adriana Esteves trouxe para a vilã Laureta?

JS: Eu não costumo fazer personagens a pensar em actores. Na realidade, eles são como fantasminhas na minha cabeça. Mas esse personagem eu fiz para Adriana Esteves porque eu gostaria muito de trabalhar com ela de novo. A gente teve uma parceria incrível em “Avenida Brasil”, com a Carminha. Acho que a Laureta é uma alma livre, ao contrário da Carminha, que tinha aquilo de ser santa e demónio. A Laureta é totalmente livre.

PL: Como é o personagem de Remy (Vladimir Brichta)?

JS: O Remy é um bandido atrapalhado. Ele tenta pertencer àquele clube da Laureta e Karola, mas não consegue. Ele é um brinquedo erótico da Karola e a curva desse personagem vai ser exactamente quando ele se revoltar com essa situação e der a volta por cima.

PL: Além desses personagens, qual outra história é importante na trama?

JS: Eu acho que tem uma segunda trama muito importante nessa novela, que é a do Roberval (Fabricio Boliveira). É uma história de vingança com um personagem muito humano e muito machucado. O Roberval é o filho de uma família que o renegou e ele volta rico e vai justamente se vingar dessa família que tanto o humilhou. Mas, ao mesmo tempo, ele também terá a oportunidade de perdoar e ser perdoado.

PL: De onde veio a ideia da história da novela?

JS: Eu acho que um escritor de novela tem de estar muito ligado ao que está a acontecer e ter um ouvido aberto para tudo. Uma das coisas que me deram a ideia para essa novela foi a morte do Michael Jackson. Eu li que quando ele morreu, facturou mais do que nos últimos anos da sua vida. A partir disso, comecei a pensar na trama, trazendo um pouco a história do cantor de axé que prefere ficar morto para ficar famoso.

PL: Qual é o ponto em comum de todos os personagens?

JS: Eu gosto de falar de personagens que têm uma certa humanidade, são passíveis de erros, são capazes de se redimir e de conseguir o perdão dos telespectadores. É o caso do Beto, que comete um erro quando mente que está morto. Ou da Cacau, que separa os dois sobrinhos depois que a irmã vai presa. O Roberval também, que é um personagem importante da novela, ele volta 18 anos depois para se vingar da família que o humilhou, mas ele pode se envolver de novo e passar a gostar dessa família. A novela trata muito da possibilidade da pessoa se redimir e ter uma segunda oportunidade.

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