Matias Damásio pretende abrir um centro de diagnóstico com especialidades para autistas

Matias Damásio pretende abrir um centro de diagnóstico com especialidades para autistas

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Por: Stella Cortêz
Revisão: Canga Tomás

“Em Angola, sou um príncipe! Tenho tudo, ganhei tudo e tenho uma carreira feliz!,” confesso o músico Matias Damásio, numa entrevista cedida à revista Lux.

Com uma vida de dificuldades, perseverança, luta e muito sucesso, o artista mais premiado de Angola recorda, sem amargura, dos grandes desafios que enfrentou quando decidiu deixar o Bairro da Lixeira, na província de Benguela, para correr atrás dos seus sonhos. “Vim sozinho para Luanda. Na altura, tinha 11 anos, andei na rua com as outras crianças, a rua ensinou-me tudo! A minha lição de vida foi a rua, pois lá tem tudo, desde a delinquência, a droga e qualquer outro problema, mas lá também se aprende muito, sobretudo a viver com o pouco e a partilhar o pouco. Foi uma vida fantástica!”, explicou Damásio.

Actualmente, o CEO da produtora Arca Velha é dono de grandes sucessos musicais, com destaque para o tema Loucos, que cantou recentemente em vários shows realizados em terras de Camões, Portugal. “Dei toda a minha alma nestes concertos, transmiti tudo aquilo que sou, a minha essência”, realçou o artista, lembrando das vicissitudes do seu percurso neste dez anos de carreira artística. “Foi um percurso feliz! Em Angola, sou um príncipe e sempre fui tratado com muito amor e carinho por todos os fãs! Andei por África inteira, estive em várias comunidades da Europa e são dez anos de muito sucesso, pois sou o artista mais premiado de Angola! Tenho tudo, ganhei tudo e tenho uma carreira muito feliz, chegando a um ponto em que pensei não haver mais nada que superasse tudo aquilo que já conquistei”.

Pai de três filhos, Eli, de 12 anos, Matias, de 10 anos (diagnosticado com autismo aos 3) e o caçula, de 6 anos, Matias Damásio falou de como tem sido lidar com o distúrbio que o filho sofre. “Temos estado a ler muito sobre este assunto e hoje existem muitas terapias. Temos consciência de que é uma questão difícil, mas já trabalhámos muito e temos estado a ajudar muitas famílias em Angola. Trata-se de um distúrbio psicológico que os submete para um mundo fascinado e nós temos de ir partindo aquele vínculo e trazê-lo para a sociedade e é isso que temos estado a fazer. Não tem cura, mas podemos minimizar o problema e dar-lhe conforto. Hoje, ele é independente, faz as coisas sozinho, está na escola, o que, para nós, é um grande ganho depois deste tempo todo”, concluiu o granda cantor.

Como artista, Damásio sente que também tem a missão de dar a cara por esta causa e pretende abrir um centro de diagnóstico com especialidades para os autistas. A escola ainda é um sonho, mas o centro está praticamente feito para ajudar as famílias angolanas, principalmente aquelas que não têm condições e que, por vezes, não conhecem nada sobre o autismo.

Fonte: Revista Lux

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