Opinião: “Redes sociais, formando anti-sociais”

Opinião: “Redes sociais, formando anti-sociais”

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Por: Sued de Oliveira
Revisão: Canga Tomás

A comunicação digital é uma nova forma de contacto que quebra a normalidade da comunicação social. Através da internet, as pessoas conseguem estabelecer relações com outras que estejam quilómetros de distância instantaneamente e os grandes protagonistas dessa era são as famosas “Redes Sociais”, que a cada ano vão revolucionando o mundo o suficiente para o fazer parecer “doente”, pois talvez a sociedade não precise evoluir tanto!

É compreensível que ninguém queira ficar de fora das Redes Sociais, mas o problema é que ainda não aprendemos a utilizá-las. A cada dia que passa o fazemos de forma mais e mais equivocada, aproveitando o facto de estarmos escondidos atrás da tela de um computador, tablet ou smartphone. As gerações passadas estavam acostumadas ao convívio humano e nos dias de hoje as pessoas esquecem-se de como é ligar e visitar um amigo ou parente. Actualmente, quando se deseja falar com alguém, corre-se para a rede social! Onde vamos parar? Confinados dentro dos nossos próprios quartos e reféns das operadoras de internet?

Precisamos entender que a internet é apenas um acessório a mais nas nossas vidas para nos comunicarmos com quem está fora do nosso alcance, para divulgarmos o nosso trabalho, para fazer contactos profissionais, para encontrarmos amigos de infância que não vemos há 20 anos, para realizarmos uma reunião com pessoas de outra região evitando custos desnecessários. Como pode ver, a internet veio para ser algo agradável, que facilite algumas tarefas da nossa vida, mas estamos a formar uma geração que não se importa em sair de casa e quando saem continuam isoladas num mundo onde buscam algo que acreditam não existir no mundo real, telemóveis substituindo pessoas, a sério? telemóveis? Onde queremos chegar com tanto modernismo?

E se tentássemos voltar ao tempo em que os amigos se reuniam para conversar durante horas sem passar directo no Facebook cada segundo do que fazem, sem expor o carro novo no Instagram, sem exibir as férias em família mais do que propriamente curtir com a família? Outrora costumava ser impossível que duas pessoas juntas no mesmo lugar não conversassem sobre seja o que for, hoje não é impossível, é normal!

E O CONTACTO PRESENCIAL?

As redes sociais não devem ser culpadas por afastar as pessoas. Eu sempre acho que elas aproximam. Procuramos estar presentes (pessoalmente) com os mais íntimos, os familiares, mas isso não quer dizer que aqueles que não estão próximos fisicamente não são importantes”, Presencialmente ou pelas redes sociais, o que determina a relação é o desejo de estar perto. Então não, as redes sociais não afastam as pessoas, “as pessoas afastam as pessoas”, a rede social não passa de um meio, uma ferramenta usada para justificar falhas.

Hoje se um adolescente dá de cara com o seu ídolo, a primeira coisa que surge na cabeça dessa pessoa é: “tirar uma fotografia, postar nas redes sociais e mostrar para todos que conheceu a figura pública que admira”, mas será que conheceu? Ela estava mais interessada na fotografia do que em interagir com o artista, ela podia procurar conhecê-lo um pouco melhor, questionar as suas motivações, mas ela queria uma “foto bonita” para o Instagram, ela literalmente o “objectificou”, é como se ele não existisse. Há cada vez menos demonstrações de afecto, menos atenção ao que nos rodeia e lá naquele fantástico mundo digital, todo mundo é amoroso, culto, moralista e atencioso, é como se vivessem uma vida dupla. Então sim, estamos a nos tornar anti-sociais, às custas das redes sociais e não por causa delas e devíamos fazer alguma coisa a respeito, pois ainda vamos a tempo.

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