Primeira edição da Bienal de Luanda

Primeira edição da Bienal de Luanda

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Nesta quarta-feira, 18 de Setembro, tem início a primeira edição da Bienal de Luanda. Durante cinco dias, chefes de Estado e de governo, investigadores, cientistas, representantes da sociedade civil, líderes empresariais, ONG e artistas unirão esforços para fortalecer a cultura da paz no continente africano.

A organização deste primeiro Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz reflecte a vivacidade e a intensidade da cooperação entre a União Africana e a UNESCO. De facto, as nossas duas organizações estão unidas pelos mesmos objectivos e pelos mesmos valores: a vontade de estabelecer a paz através da compreensão e da solidariedade mútuas entre os povos de África.

«A verdadeira luta continua, é a luta pela paz», anunciou Felix Houphouet-Boigny. A União Africana definiu como meta, num período de dois anos, fazer do continente africano um continente de paz, de Túnis a Joanesburgo. Certamente, muitos esforços ainda precisam de ser feitos hoje. No entanto, a paz regista progressos em África; em muitos territórios, deixou de ser uma hipótese, um horizonte distante, para se tornar uma realidade, um activo que devemos preservar e proteger.

E que cidade anfitriã melhor do que Luanda para demonstrar que a paz é sempre possível? A assinatura, em 21 de Agosto, em Luanda, de um acordo de entendimento entre o Ruanda e o Uganda, obtido graças à mediação eficaz de Angola e da República Democrática do Congo, é um sinal de esperança. No futuro, será ainda possível assistir a outros progressos.

Três dias antes do Dia Internacional da Paz, e trinta anos após a Declaração de Yamoussoukro, que define pela primeira vez o conceito de «cultura da paz», chegou a hora de liderar esta luta pela paz com mais ambição e fervor. Este é o objectivo da Bienal de Luanda.

A Bienal tem por ambição tornar a cultura da paz num verdadeiro instrumento ao serviço dos governos e dos cidadãos. Através de fóruns de discussão dedicados, abertos especialmente a mulheres e jovens, mas também através da organização de um Festival de Culturas para celebrar a riqueza e diversidade cultural de África, a Bienal pretende tornar-se num grande ponto de encontro para a consolidação da paz. Este será, sem dúvida, «o espírito de Luanda»: um espírito de concórdia e de fraternidade, união e solidariedade.

Naturalmente, a UNESCO associou-se, desde o início, a esta Bienal. A nossa organização, nascida das cinzas da guerra, tem por mandato estabelecer a cultura da paz. A sua acção é sustentada por uma convicção, uma certeza: a paz verdadeira, duradoura, sincera, não será apenas alcançada graças a diplomatas, mas também a artistas, professores e cientistas, porque as guerras começam «no espírito dos homens», conforme escrito no Acto Constitutivo da UNESCO. Nos últimos anos, em estreita colaboração com a União Africana, a UNESCO fortaleceu particularmente a sua acção no continente, no âmbito da «África Prioritária»: todos os dias, a UNESCO consolida a formação de professores, promove o progresso científico no domínio da gestão sustentável dos recursos naturais e apoia o sector cultural como instrumento de amizade e solidariedade entre os povos.

«A paz pode ser cara, mas vale mais do que o seu preço». Durante os próximos cinco dias, a sabedoria deste provérbio queniano inundará Luanda.

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