Rebeca Nahenda fala da sua paixão pelo jornalismo e das metas a...

Rebeca Nahenda fala da sua paixão pelo jornalismo e das metas a atingir enquanto profissional da área

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Por: Iraneth da Cruz

A paixão pelo jornalismo surgiu desde muito cedo, Rebeca Nahenda jornalista da Rádio Unia, formadora de inglês, membro do Sindicato dos Jornalistas Angolanos e da Federação Internacional de Jornalistas, FIJ.

Em entrevista ao Platinaline, a jovem jornalista falou do seu percurso enquanto profissional da área. Rebeca formou-se em jornalismo em Windhoek pela Universidade de Triumphant, e hoje de volta à terra natal, Nahenda dá continuidade a sua paixão que é informar.

Platina Line: Como surgiu a paixão pelo jornalismo?

Rebeca Nahenda: A paixão pelo jornalismo surgiu por influência da rádio, ouvindo e participando em programas radiofónicos. Outra motivação surgiu em 2011, quando fui convidada para apresentar um espectáculo na minha escola, na Namíbia, onde vivi desde os sete anos até final de 2016, desde aquele dia, notei que tinha um dom de interagir com público de forma directa.

Platina Line: Nesta mesma área, quais são os profissionais que mais admira ao nível nacional e internacional? E porquê?

MANUEL VIEIRA É UMA REFERÊNCIA

Rebeca Nahenda: Por cá, eu gosto do trabalho do jornalista Manuel Vieira da MFM. Acho um profissional muito “profissional”, (risos) passe a redundância e com ele aprendi bastante. Eu fiquei impressionada, quando uma vez ele fez a síntese de notícias sem nenhum guião, pois, naquele momento não havia energia eléctrica e tinha chegado a hora de informar. Quem faria uma coisa destas!?A informação ou é ou não é. Ninguém improvisa, mas ele, nesse dia, improvisou no ar. Não é que deu certo! (risos)

A outra minha referência, é o Jornalista Victor Hugo Mendes, que para mim, é um pacote completo que sempre acreditou no meu potencial desde o início da minha batalha em Angola. Já a nível internacional, a profissional por quem tenho muita admiração é a Giuliana Rancic, por ser uma mulher incrível. Mesmo depois das grandes dificuldades por que passou, conseguiu conquistar o seu espaço. Só para se ter uma ideia; ela é italiana e vive nos Estados Unidos de América. Tem noção de quão pesado é o sotaque do italiano? Pois é. Ela foi capaz de vencer essa “dificuldade linguística” e tornou-se numa referência do entretenimento no país em que é estrangeira, EUA.

Platina Line: Fale um pouco do programa que apresenta na Rádio Unia.

Rebeca Nahenda: O nome do programa é “English for All”, que traduzido em português, significa: inglês para todos. Como deves imaginar, é feito única e exclusivamente em inglês e, por sinal, que eu saiba, é o primeiro, se não mesmo o único, programa de entretenimento na língua de William Shakespeare no nosso país. Passa as quartas e quintas-feiras, das 21 as 22 horas. Recentemente, também fui desafiada a apresentar outro programa, igualmente, de entretenimento, mas em português. É o “Super Sábado”, que vai ao ar semanalmente ao sábado das 15 as 17 horas.

PL: Qual é o conceito deste programa?

RN: Ora, acredito que a pergunta seja sobre o “ English for All”. O programa é puro entretenimento com rubricas interessantes, onde passam famosos e não só, a falarem dos seus feitos e promoverem acções filantrópicas, mas atenção: Tudo isso acontece em inglês. Entre as rubricas, posso destacar “Let´s talk”-vamos conversar- espaço de conversa com famosos sobre seus projectos, e, especialmente, como aprenderam e ainda conseguem preservar o inglês num país lusófono. Vale também realçar que muitas figuras despertam mais interesse aos seus seguidores sobre o aprendizado da língua inglesa, ao descobrirem que as figuras públicas que seguem, também dominam esta língua.

PL: Por que razão decidiu fazer um programa em língua inglesa num país onde se fala português?

RN: É sabido que o inglês é mesmo para todos, então, por que não criar também um programa na língua inglesa que incentive, ainda mais, a fala desta língua, visto que vamos caminhando, cada vez mais, para uma era globalizada. Sem falarmos das intenções do governo angolano de introduzir o inglês como uma das línguas de aprendizagem no ensino primário.

PL: Sempre desejou fazer programa de rádio ou essa paixão surgiu de repente?

RN: Sempre foi um desejo desde que me formei, até porque, no meu último ano da Universidade, por imperativo curricular, tive que escolher uma das áreas do jornalismo e identifiquei-me mais com a rádio.

PL: O tempo que morou fora de Angola também trabalhou na área em que se formou?

RN: Posso dizer que sim, embora não fosse um trabalho remunerado, mas estagiei na Rádio Nacional da Namíbia.

PL: Tempos livres; o que gostas de fazer?

RN: (risos) os meus tempos livres, normalmente, passo no ginásio, que é também das minhas grandes paixões. Gosto de assistir filmes, ir ao teatro e, depois, antes de dormir uma boa leitura, é claro!

PL: Para terminar, qual é a meta a atingir enquanto profissional nessa área?

RN: Enquanto profissional, sempre foi um sonho ser colaboradora de uma das grandes cadeias televisivas internacionais. E isso já aconteceu. Foi em 2017, quando colaborei para a Aljazeera News, uma televisão do Estado do Qatar, na época das Eleições Gerais no nosso país.

A outra experiência foi em Janeiro deste ano, quando fui eleita pela Federação Internacional de Jornalistas para fazer parte da Oficina de Construção de União de Jovens Jornalistas, um projecto que incentiva jornalistas mais jovens para aderirem aos Sindicatos dos jornalistas dos seus respectivos países. Mas ainda assim, a grande meta é um dia poder trabalhar para o BBC News.

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