Para você aspirante a “artista” – Zola Ramos, Simplesmente o Poeta

Para você aspirante a “artista” – Zola Ramos, Simplesmente o Poeta

Uma mensagem aos fazedores de arte, desde artistas plásticos e principalmente “músicos e poetas”

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A arte não é fácil! Quando vejo a facilidade com que muitos fazem os seus trabalhos, fico incrédulo, até eu gostaria de ter tal inspiração “se calhar”. Cantores com mais de dez músicas disponibilizadas e nenhuma é conhecida? Foi num estúdio e tal, veio uma ideia, colocou num instrumental e os amigos dão aquele “sangue” básico – ʽwiʼ, a ʽcenaʼ ‘ta numa e aí tu te convences de que serás o próximo Anselmo Ralph.

Para os poetas: aí tu escreve um texto básico, soltas uns gemidos e tal, um irmão fala que a ʽcenaʼ ‘ta fixe e aí tu te convences de que serás o próximo Agostinho Neto. Estás enganado. A arte não é assim tão fácil. É preciso mais, mais e mais. Tu precisa não fazer o comum. E como é que se faz o que não é comum num mercado onde tudo “parece” comum; onde os estilos são os mesmos; a forma de cantar é a mesma; os canais são os mesmos; os ʽmixeirosʼ são os mesmos; os aproveitadores sãos os mesmos? Quando olham para uma mulher “aspirante a artista”, o que lhes salta à vista é o corpo. Avaliam todo o resto e até, “pro (mentem)” saídas e tal e esquecem-se do mais importante. “A arte”. E elas acreditam piamente que a arte nada vale.

Vou dar-te um exemplo, moça: eu até, vezes há que me esqueço do quanto a kota Yola Semedo é “gostosa”, desculpa lá muito, minha kota (caso leia esse texto) pela ousadia mas, tinha de falar, para mostrar a essas miúdas, a esses produtores, que quando coloco algo a tocar no carro ou em casa, não é o excesso de carne que o meu ouvido pede, mas sim “Arte”. E dou outros exemplos de “gostosura”: A Pérola, a Ary, a Bruna Tatiana, entre outras, mas o que a gente conhece delas é o quê? “Arte” simplesmente, acompanhada do seu carisma.

E você, moço, que quer igualar Big Nelo no tanque para que as ʽmboasʼ te morram, mas te esqueces do mais importante “A arte”. Big Nelo não era assim (Big) e hoje ele já tem sucesso, já tem dinheiro por isso pode mostrar a sua carga à vontade. E tu? Por isso digo: fazer arte não é fácil. A facilidade tem de ser natural e não provocada pela sede ou pressa de ser ouvido. Conheces o Matias Damásio, Paulo Flores, Bonga e Kyaku Kyadaff? O que a gente ouve deles? “Arte”. Por isso preocupa-te em escrever bem, analisar artisticamente o teu produto e ele, naturalmente, vai tocar quem quiser. Sei que o mercado não é fácil e muitos até pensam que para ter sucesso (caso seja mulher) têm de “dormir” com alguém. E (caso seja homem) têm de fazer o quê? Perguntem ao Filho do Zua, ao Gerilson Insrael, ao Cláudio Fênix e a outros com quem dormiram para ter sucesso. A resposta é simples: “Arte com alma”.

E, para terminar, não ser comum é fazer aquilo que a tua alma pede para depois a consciência estruturar, ser criativo, sugerir tendência e não seguir “bala” só porque está a bater. Perguntem ao Guilherme Mampuya, se para expor aqueles tambores pintados lá no (avennida) pensou em quê e se foi fácil. Se calhar te irás perguntar: quem é o Guilherme Mampuya? (risos). Aí só te posso responder: quem não conhece “artista”, terá dificuldade em ser um. Há uma música nova, por exemplo, tive o privilégio de ouvir duas vezes através da rádio, que diz mais ou menos assim: Eu acho que estão a te Calemba 2 e te levar pra mutamba, eu acho que estão a te maiangar e te desviar pra outra banda. Não conheço o autor, mas sei que, tarde ou cedo, essa música será sucesso, porque ouvi arte, alma e criatividade.

Outra que diz: de dia é você moça bonita, de noite é você feiticeira. Outra que diz: Kadjengué, Kadjengué é é… vou fazer Kadjengué. Nestes dois últimos, conheço os artistas, mas não é por isso que sei que serão sucesso. É porque há “arte” neles.
“FAÇA ARTE E A ARTE TE FARÁ”

ZOLA RAMOS (Simplesmente o Poeta)

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