O Governo angolano está a avaliar uma proposta estruturante de cooperação e investimento agrícola apresentada pelo Brasil, que poderá resultar no regresso do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) às linhas de financiamento em Angola, interrompidas desde o escândalo da Operação Lava Jato.
A proposta foi apresentada em Luanda pelo ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, numa missão oficial realizada no dia 20 de Janeiro, ao ministro de Estado e da Coordenação Económica angolano, José Massano, com vista a investimentos na produção alimentar, transferência de tecnologia e desenvolvimento de infraestrutura agrícola em território angolano.
O plano inclui a construção de infra-estruturas essenciais, como armazéns de armazenagem de grãos e sistemas de irrigação, bem como a introdução de equipamentos e máquinas agrícolas, componentes previstos no programa de financiamento do BNDES. Carlos Fávaro garantiu que, além do capital, o grupo de empresários brasileiros envolvidos pretende integrar produtores angolanos nessa produção agroindustrial, reforçando a cooperação bilateral no sector.
As conversações fazem parte de um esforço mais amplo para fortalecer a segurança alimentar em Angola, diversificar a economia e atrair investimento externo com know-how técnico, especialmente numa altura em que o país procura ampliar a sua produção agrícola e reduzir a dependência de importações.
Uma missão técnica angolana deverá deslocar-se ao Brasil em Março de 2026 para aprofundar o estudo da proposta e definir os mecanismos de financiamento e cooperação, incluindo possíveis linhas de crédito e contrapartidas, com o objetivo de operacionalizar os projectos em Angola.
A iniciativa marca um possível renascimento da presença do BNDES no financiamento de projectos económicos em Angola, após um período de suspensão, e representa um passo importante para a fortalecimento das relações de cooperação económica entre os dois países.




