A encantadora voz de Sabino Henda

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Sabino Henda participou aos nove anos num concurso da canção infantil, na sua terra natal, a província do Bié. Como prémio recebeu uma guitarra. Foi assim que começou a desenhar a sua carreira artística. “Apareci como músico numa fase difícil porque não tinha ninguém para me ajudar, tudo o que fazia era de improviso. Comecei a dar os primeiros passos na música em casa dos meus pais, com jovens que já tocavam na igreja”. 

 

 


Sabino Henda diz que começou a liderar todos os grupos de jovens da província desde que ganhou o concurso de música infantil. Manuel Gonçalves, na altura o responsável da massificação cultural no Bié, deu-lhe a primeira aparelhagem. Sabino Henda nasceu no município de Camacupa, onde passou a maior parte da sua infância. Conheceu Luanda porque representava a província do Bié nos concursos nacionais infantis da canção realizados na capital. 

 


“Também ganhei o concurso Variante e o Festival da Canção de Luanda realizado pela Luanda Antena Comercia (LAC) que me levou a conhecer Luanda, o mercado que os músicos das 18 províncias desejam conquistar”.

 

 


Já adulto, Sabino Henda fixou residência em Luanda a cumprir o serviço militar. Saiu da quarta região para ser colocado na Marinha de Guerra, em Luanda. Nesta fase participou na banda musical 10 de Julho.
Em Luanda mesmo nas Forças Armadas continuou com a actividade artística.


Na década de 80 “tudo era feito por amor à arte de cantar, não havia contratos para cantar como há agora”, disse Sabino Henda, que acrescentou: “para mim foi uma aprendizagem que me deu grande força para atingir o patamar que atingi. Fui baterista, toquei viola ritmo e formei três bandas musicais porque tive apoio do Estado”. 

 


O mercado naquela época não era tão vasto como nos dias de hoje que tudo envolve dinheiro: “quando comecei os mais velhos davam-nos a oportunidade de aparecer e não havia como não atingir o sucesso”.



Carreira a solo


Ao longo da sua carreira, Sabino Henda conquistou 18 prémios: TOP dos Mais Queridos, em 2003, Variante e a Canção de Luanda em 2000, Nação Coragem no ano de 97, Direitos Humanos (1999), e TOP Rádio Luanda: “participei em vários concursos que engrandeceram o meu nome. A minha participação não foi por andar atrás de prémios, porque há alguns que até hoje não recebi”.


Os concursos, segundo Sabino Henda, deram-lhe outra imagem porque eram muito publicitados. Quem vencia o concurso despertava uma grande atenção da imprensa. O prémio Nação Coragem levou Sabino Henda ao grande público, através da reportagem feita pelo antigo programa Nação Coragem da TPA. Ali foi revelada a sua vida e a sua origem.

Obra discográfica

Sabino Henda já publicou quatros discos: “Sobrevivo Só”, “Hami Olõ” (2000), Poeira Velha (2003) e “De lá para Cá” (2007). Concluiu o curso superior de Relações Internacionais e agora está a produzir dois discos, um da banda 10 de Julho e o CD de estreia do músico Ngapetelo, do Rangel, que já actuou em muitos centro recreativos.


Sabino Henda diz que o seu sucesso na carreira artística se deve a muita entrega, dedicação, trabalho e muita investigação acima de tudo: “procuro, sempre que estou a compor uma canção, analisar primeiro o que é que devo cantar para agradar aos fãs e aos amantes da música. Pela experiência que tenho, não posso deixar-me levar pela ansiedade, é preciso saber aparecer na hora certa e no momento exacto”.

Sabino Henda Responde

Onde edita os seus trabalhos?

 


Privilegio Lisboa, por termos uma ligação cultural muito forte com Portugal devido à compreensão e à leitura fácil dos nossos dados, por falarmos a mesma língua. Tirando Portugal, opto por Paris, que a par de Lisboa é centro de divulgação da música africana.

Qual dos discos publicados mais o marcou?


Cada disco que tive a oportunidade de publicar tem a sua história e profundidade. Os meus trabalhos discográficos fazem parte da minha vida, por isso é injusto dizer que há um disco que mais me marcou. Quando vou para um espectáculo canto músicas dos quatros discos e sinto-me feliz.

Considera que o TOP dos Mais Queridos é o melhor prémio que já conquistou?


Não. Os prémios fazem o artista olhar para si para poder caminhar, porque muitos se envaidecem. Para mim todos os prémios que ganhei são importantes.



O meu primeiro prémio foi uma Bíblia Sagrada, ganhei-a na igreja. Penso que todo o sucesso que tenho conseguido durante a minha careira artística é fruto de Deus por receber da casa do Senhor o prémio número um da minha vida. Nunca foi meu sonho ser músico, mas a vida mostrou-me dom para cultivar muitos frutos.



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