A produção de Vida Da gente

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O início das gravações

 

Ao todo foram mais de 30 dias de viagem, entre Mato Grosso do Sul, Argentina e Rio Grande do Sul. O ponto de partida para as gravações de “A Vida da Gente” foi em Bonito (MS), onde Fernanda Vasconcellos e Rafael Cardoso gravaram toda a sequência do primeiro capítulo, quando os personagens admitem que estão apaixonados. “Gravamos cenas subaquáticas num lago com águas cristalinas. Ficou incrível”, conta o director-geral Fabrício Mamberti.

 

Noutro extremo, em Ushuaia, na Patagónia Argentina, foi o segundo destino da equipa. Durante uma semana, Ana Beatriz Nogueira e Fernanda Vasconcellos gravaram em lugares como o “Trem Del Fim Del Mundo”, nos parques, bosques e lagos da região conhecida como “o fim do mundo”. “Ushuaia define bem o exílio em que a personagem Ana (Fernanda Vasconcellos) está passando naquele momento da trama”, descreve o director-geral Fabrício Mamberti. As locações serviram como cenário para a fase em que a personagem Ana (Fernanda Vasconcellos) passa uma temporada fora do Brasil com a mãe, Eva (Ana Beatriz Nogueira). A tenista viaja para Ushuaia quando descobre, no auge de sua carreira, que está grávida de Rodrigo (Rafael Cardoso). “As cenas em Ushuaia foram muito fortes e emocionantes. É o momento da gravidez da personagem”, antecipa Fernanda Vasconcellos.

 

Logo em seguida, Fernanda e Ana encontraram-se com Gisele Fróes na capital argentina. Em Buenos Aires, durante quatro dias, as atrizes gravaram em San Telmo, Puerto Madero, Caminito, entre outros lugares. “Buenos Aires é um lugar belíssimo, com uma grande tradição no ténis. Aproveitámos para explorar ainda a elegância da capital com belas cenas de tango”, adianta Fabrício.

 

O último destino foi o sul do Brasil, onde a equipa e parte do elenco passaram quase duas semanas a gravar. Embora a família dos principais personagens seja de São Paulo, é em Porto Alegre e Gramado que a trama se passa. No local, Fernanda Vasconcellos, Nicette Bruno, Sthefany Brito, Rafael Cardoso e Marjorie Estiano gravaram em locais como a Casa de Cultura Mario Quintana, o Mercado Público, o Cais do Porto, o Parque Moinho de Ventos, entre outros cartões postais.

 

Algumas gravações em Porto Alegre chegaram a movimentar cerca de 70 pessoas, entre elenco, equipe e figuração. No Cais do Porto, as cenas foram a bordo do tradicional barco Cisne Branco, que navegou pelo Rio Guaíba com os personagens Ana (Fernanda Vasconcellos) e Rodrigo (Rafael Cardoso).

 

Em Gramado, as gravações foram realizadas nos principais pontos turísticos da cidade, como a Rua Borges de Medeiros e a Igreja da Matriz. Na trama, Gramado é a cidade onde mora a doce Iná (Nicette Bruno), avó de Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano). “Registramos especialmente a elegância e a arquitetura do lugar”, conta Fabrício.

 

A reta final das viagens foi em Canela, cidade vizinha a Gramado. Lá, a direcção explorou as belezas naturais, em cenas no Parque da Ferradura com os actores Rafael Cardoso e Fernanda Vasconcellos. Nesta sequência, do primeiro capítulo, os jovens encontram-se sozinhos durante uma excursão do colégio. Entre rusgas, implicâncias e alguns elogios, acontece o primeiro beijo.

 

O museu “Castelinho Caracol”, também em Canela, serviu como cenário para cenas de Iná (Nicette Bruno) e Laudelino (Stênio Garcia). No local, há um famoso “Apfel struddel”, assado até hoje em um fogão alemão de 1915. Para uma das cenas, a produção de arte ostentou na mesa de chá o tal doce junto com biscoitos ao leite, frutas secas, broas de amendoim, geléias e waffles.

 

Caracterização

O quotidiano, simples e corriqueiro, é a fonte de inspiração para a caracterização de todos os personagens de ‘A Vida da Gente’. O supervisor, Luis Ferreira, apostou em tons leves, que dessem apenas uma nuance de saúde. “Por ser uma novela urbana e bem realista, o objetivo é parecer sem maquiagem. Como no dia a dia mesmo”, descreve.

 

Para seguir este conceito, a equipe precisou trabalhar com alguns truques, especialmente na viagem para Ushuaia, quando os actores ficaram expostos ao frio e ao vento. “Para que a pele não ficasse logo com o efeito ressecado, pincelamos vaselina depois da maquiagem pronta. Conseguimos um efeito bem natural”, conta.

 

A passagem de tempo da novela, de quatro anos, também demandou outros cuidados para a equipa de caracterização. “Foram mudanças subtis, mas que precisam ser percebidas para dar veracidade à história”, acredita Luiz. Para colocar em prática estas “transformações”, a equipa apostou nos detalhes. Para a primeira fase, por exemplo, as actrizes Fernanda Vasconcellos e Marjorie Estiano usarão pouquíssima sombra, o que confere um ar mais jovial. A personagem de Manu terá quase sempre o cabelo preso, diferente da segunda etapa, quando ganhará uma franja repicada e algumas ondas no final do cabelo.

 

Enquanto as mudanças de Ana e Manu são bem subtis, a transformação de Cris (Regiane Alves) será radical. No caso desta personagem, a equipa de caracterização marcará não apenas a passagem de tempo, mas também uma variação de estilo. A personagem começa loira, bronzeada e com o cabelo comprido. Depois de um tempo do casamento com Jonas (Paulo Betti), corta o cabelo no ombro e pinta em tom mel. “No final, vai optar por um corte channel repicado”, adianta.

 

A mesma preocupação em marcar as duas fases da novela deu-se com o elenco masculino. Quando começa a namorar Ana (Fernanda Vasconcellos), Rodrigo (Rafael Cardoso) está sem nenhuma barba e com o cabelo bem curto, o que intensifica a jovialidade do personagem. Já Jonas (Paulo Betti) começa com o tom de cabelo escuro e ganha alguns fios brancos nos côncavos com o passar dos anos. “Esta dualidade foi pensada para todos os personagens, mesmo que seja muito subtil”, completa.

Figurino

O mesmo conceito de simplicidade permeou as peças do figurino de ‘A Vida da Gente’. “Não teremos nada que pareça produção de moda. São roupas do dia a dia”, descreve o figurinista Paulo Lois.

 

Para montar o guarda-roupa da novela, a equipa garimpou em lojas do Rio, Buenos Aires, São Paulo e Porto Alegre. Diversas jaquetas de couro, que compõe o traje da personagem Vitória (Gisele Fróes) vieram da capital argentina. Já a maioria dos casacos de invernos foi comprada em Porto Alegre. E, para que as roupas perdessem o aspecto de novas, Paulo usou a técnica da lavagem com chá. “Isto ajuda a dar vivência”, explica.

 

Mesmo sendo o inverno a estação que marca a estreia da trama, a palheta de cores do figurino é bem colorida e clara. “Evitamos o preto e os tons muito escuros. É uma novela leve, solar”, justifica.

 

A personagem Ana (Fernanda Vasconcellos) tem ainda outra particularidade. Sempre usará uma peça ou acessório vermelho, para marcar a presença da tenista em cena. Já a treinadora Vitória (Gisele Fróes) abusará de elementos que transmitam a ideia de dureza, uma das características marcantes da personagem.

 

A passagem de tempo da novela, assim como na caracterização, marcará diferenças sutis, com excepção de alguns personagens, como Manu (Marjorie Estiano) e Cris (Regiane Alves).

 

Na segunda fase, a irmã de Ana (Fernanda Vasconcellos) vai passar por uma grande transformação também no figurino. Ao invés das roupas sobrepostas, sempre com cores neutras, ela passará a usar peças mais leves, que valorizem sua beleza. “Logo no início, a Manu (Marjorie Estiano) procura se esconder através das roupas. Por isso a mudança fica tão evidente depois”, acredita Paulo.

 

Já Cris (Regiane Alves) terá um “passo a passo” de mudança de visual, que contará com a ajuda de uma personal stylist na trama. Depois do casamento com Jonas (Paulo Betti), ela vai mudando a forma de vestir aos poucos, até seguir um estilo mais discreto e sóbrio. “Será uma transformação radical”, avisa Paulo.

Cenografia

 

A cidade cenográfica de ‘A Vida da Gente’ já foi projetada para ser dividida entre Porto Alegre e Gramado, onde a trama é ambientada. Na maior parte – dois terços – com 85 mil m2, a equipe de cenografia construiu Porto Alegre, mais especificamente uma área comercial inspirada no bairro Moinhos de Vento.

 

Diversos ambientes foram projetados com interior para dar ainda mais veracidade às cenas, entre eles um restaurante orgânico, uma cafeteria, o bar Sem Juízo, uma igreja, uma concessionária de automóveis, entre outros. “O grande desafio foi idealizar duas cidades com características tão distintas e que não podem parecer que estão no mesmo espaço físico”, conta um dos cenógrafos, Tadeu Catharino.

 

Para Gramado, a equipe priorizou a arquitetura européia do local, assim como um paisagismo bem típico, com heras, trepadeiras e hortênsias, com uma mistura de plantas naturais e artificiais. O piso desta parte da cidade é quase todo de pedra, exatamente como a Gramado real.

 

“Também usamos os postes e relógios de madeiras que existem por lá”, conta Tadeu. Assim como na parte de Porto Alegre, o interior de diversos ambientes foi desenvolvido, como o salão de dança, a oficina, o bufê da Juju, uma loja de souvenir, entre outros. “Tudo foi feito de forma bem naturalista, respeitando as principais características urbanas de cada local”, completa Tadeu.

 

A simplicidade e realismo são a base para os quase 70 ambientes que foram projetados em estúdio para a novela. A ideia, segundo a cenógrafa Erika Lovisi, é passar a noção de cotidiano, além de explorar algumas características dos personagens em cada cenário. “A casa da Vitória (Gisele Fróes), por exemplo, transpõe uma certa frieza. Já a da Iná (Nicette Bruno) tem uma

vivência amorosa”, exemplifica.

 

Além da cidade cenográfica, uma quadra de tênis foi construída na Central Globo de Produção especialmente para a novela, assim como parte da arquibancada. O tamanho é o mesmo de uma quadra real de saibro (23,77 m de comprimento e 8,23m de largura). Parte da figuração e os cenários dos estádios serão inseridos ao redor da quadra virtualmente.

 

Para a realização deste trabalho, a equipe de efeitos visuais da novela, coordenada por Jorge Banda, fotografou diferentes tipos de estádio e modelou as imagens em 3D. A finalização é feita em uma máquina de composição, para que as imagens reais se unam às virtuais.

 

Produção de Arte

O principal objetivo da equipe de produção de arte de ‘A Vida da Gente’ foi dar vivência aos objetos de cena da novela. Para o núcleo de Gramado, por exemplo, nenhum item foi direto da loja para o cenário. “Tudo o que compramos foi mexido de forma artesanal. E mandamos fazer muita coisa também, especialmente roupa de cama”, conta Lara Tausz.

 

Já para os personagens de Porto Alegre, a equipe produziu peças mais urbanas, mas não menos “humanizadas”. “A palavra de ordem é vivência. Todos os objetos precisam contar uma história, mesmo que o telespectador não saiba”, descreve.

 

A única exceção ficou por conta do núcleo de Jonas (Paulo Betti) e Cris (Regiane Alves). Para o casal da ficção, Lara comprou tudo o que há de mais contemporâneo. “Eles representam o exagero do consumo. É tudo novo, mas falta o afeto, que compõe fundamentalmente uma

família. Este contraponto foi proposital”, diz.

 

A equipe de produção de arte de ‘A Vida da Gente’ também ficou responsável por indicar os profissionais que orientaram o elenco em seus laboratórios. A atriz Fernanda Vasconcellos, por exemplo, teve o acompanhamento de uma professora de tênis durante mais de quatro meses. A atriz aprendeu a coreografar as partidas que serão gravadas para a trama. Já Marjorie Estiano e Neusa Borges, que estarão a frente do Juju Bufê da novela,  aprenderam como é o dia a dia de uma doceira na casa de uma profissional.

 

A home da TV Globo desenvolveu uma revista eletrônica, com fotos e informações sobre os bastidores de A Vida da Gente. São curiosidades sobre o figurino, a caracterização e produção de arte de diversos personagens. Para saber mais detalhes, acesse o link:  http://especial.revista.redeglobo.globo.com/a_vida_da_gente

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