Carnaval de Luanda foi o "rei" da alegria

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Após 33 anos de Agostinho Neto ter anunciado o recomeço das comemorações do Carnaval, o povo comemorou ontem aquela que é considerada a maior manifestação cultural de Angola. Num palco diferente da já tradicional avenida 4 de Fevereiro, as festividades emprestaram pela primeira vez um outro colorido à chamada Marginal da Praia do Bispo. Ali, bem ao lado do Mausoléu de Agostinho Neto, sob a bênção da Kianda, os milhares de assistentes cantaram e dançaram o Carnaval. Voltaram ao nosso Carnaval.


Muito antes da hora programada para o início do desfile central a nível da província de Luanda, os caminhos dos luandenses já conduziam à nova Marginal. Cores garridas, disfarces insuspeitos e fantasias reveladoras de imaginações mil foram a tónica dominante. É Carnaval, vale tudo na hora do recriar, desde a máscara do zorro ao mais arrojado traje de bessangana como o daquela senhora de porte majestoso que, afinal, não é. 


No total, 12 grupos desfilaram perante um público participativo e os atentos membros do júri. À semelhança das edições anteriores, o semba foi o género predominante. Mas nem por isso o som da kazukuta e da kabetula foram menos intensas. À forte batucada típica do carnaval luandense, juntou-se o som das cornetas que levantaram em vários momentos o público das bancadas.


O gingar e a passada patentes em coreografias que se aprimoram com o passar dos anos foram bem evidenciadas na 33ª edição do Carnaval. Se os axiluanda agradaram e se superaram, a vibrante homenagem do “Caxinde” ao continente berço da humanidade, desde o Egipto faraónico até à actualidade de reencontro e reconstrução, causaram boa impressão, assim como a recriação do feito heróico do 4 de Fevereiro que até teve direito a fogo-de-artifício.


Por um dia, reis e rainhas reinaram absolutos debaixo do sol escaldante. Médicos e enfermeiros compuseram uma corte típica apenas do carnaval angolano, principalmente do luandense. Alguns comandantes fizerem ontem jus à designação, não só pelo desempenho artístico no asfalto quente, mas sobretudo pela capacidade de mobilização, qual maestro em orquestras gigantescas.


Como não se pode falar de Carnaval de Luanda sem guarda-chuvas, faça chuva ou faça sol, estes também sobressaíram no alto da sua imponência. Deslizares únicos que perpetuam a imagem de figuras como a do eterno “Mestre Desliza” do Kabocomeu mostraram que a continuidade se manifesta através da passagem de testemunho às novas gerações, como a cena em que o menino pré-adolescente e o septuagenário dominaram os olhares.


No final do desfile competitivo, na Marginal da Praia do Bispo, os blocos de animação anunciaram o encerramento apoteótico, com Anselmo Ralph e Puto Português, a nova coqueluche do semba. Até alta noite, continuaram a ouvir-se batidas carnavalescas em diferentes pontos da cidade. A sátira, as piadas entre grupos da Ingombota e do Sambizanga, do Rangel e Kilamba Kiaxi ou da Maianga atestaram a vitalidade do Carnaval ao qual, ano após ano, os angolanos regressam.


Os vencedores da presente edição do Carnaval de Luanda serão conhecidos hoje, às 10 horas, na LAASP, durante uma cerimónia de contagem dos votos das três classes. Hoje é “Quarta-feira mabanzas”, dia dedicado as cinzas.

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