Inicio Especiais Dia Internacional Mulher Conheça a história da mãe angolana, Florinda Pires, empregada doméstica

Conheça a história da mãe angolana, Florinda Pires, empregada doméstica

0

Por: Nelma Inglês
Fotos: Armando Teodoro

O mês de Março só está a começar e nós, Platina Line, continuamos a render homenagem a todas as mulheres angolanas. Hoje, trazemos mais uma história de uma mulher guerreira, Florinda Tchanguendela Pires, de 45 anos de idade, natural do Huambo, filha de camponeses e mãe de três raparigas, duas delas já donas de casa.

Simpática e muito carismática, Tia Florinda vive do trabalho doméstico já há 12 anos e é dele consegue pagar as suas despesas. “Neste meu trabalho, não ganho muito, mas já dá para pagar as propinas das minhas filhas e pôr comida em casa, o que, para mim, é o mais importante”, disse a Tia Florinda.

“Ser empregada doméstica, não é fácil, por isso muitas mulheres ficam pouco tempo nas casas em que trabalham, porque não é fácil suportar os hábitos e costumes de cada patrão. Eu acordo às 5 da manhã para arrumar a minha casa e saio às 6 horas para não me atrasar no serviço. Quando regresso para casa, faço o jantar e cuido da minha família”.

Como diz o velho ditado: “mãe é aquela que cria e não a que nasce”, tia Florinda contou que tudo o que sabe aprendeu com a sua mãe, que, na verdade, é a sua tia. “Tudo o que sei fazer, aprendi com a minha segunda mãe, irmã da minha mãe que me trouxe do Huambo para Luanda ainda pequena por causa da guerra. Nunca me colocou numa escola, porque não tinha condições, apenas me ensinou a cuidar da casa, por isso fui babá e comerciante e fruto da vida difícil, acabei por ter a minha primeira filha aos 14 anos”.

Florinda Pires

Apesar de não ser formada, a mulher incansável referiu que não deseja que as suas filhas tenham o mesmo futuro que o seu e agradece a Deus por já ter a sua primeira filha, de 28 anos, a concluir o curso de pilotagem. Questionada se sabe ler e escrever, sorrindo, respondeu: “não sei muito, mas o meu nome escrevo bem e aprendi com uma amiga no dia em que fui tratar o meu bilhete de identidade, é uma data de que nunca me vou esquecer”, reforçou.

No final, Tia Florinda aconselhou a todas as mulheres angolanas, trabalhadoras domésticas, a serem honestas e àquelas desempregadas que procurem alguma ocupação porque o trabalho dignifica o homem.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments