Pouco conhecida, mas essencial para o nosso bem-estar, a glândula pineal pode fazer a diferença na vida da pessoa quando é bem cuidada. Neurocientista Fabiano de Abreu mostra como uma boa noite de sono pode fazer toda a diferença.

Não é segredo para ninguém o quanto uma noite mal dormida pode prejudicar a pessoa em suas atividades no dia seguinte. Para piorar, devido a pandemia, a qualidade do sono ainda piorou drasticamente, afinal, as pessoas estão cada vez mais ansiosas e estressadas diante deste cenário repleto de indefinições.

Por isso, diante desse contexto, a glândula pineal ganha um destaque, afinal, ela é o agente principal que sincroniza o relógio biológico com o ciclo claro-escuro. Conforme explica o PhD, neurocientista e neuropsicólogo, Fabiano de Abreu, “nela é encontrada a serotonina, precursor do hormônio melatonina, relacionado aos ciclos circadianos e diversas outras funções, como a reprodução. Ela produz hormônios que são liberados e transportados pela corrente sanguínea a diversos alvos no organismo. Ela fica localizada no centro do cérebro, mede de 5 a 8 mm e tem 150 mg”. Logo, na ausência de luz, a glândula pineal produz 120 miligramas da melatonina, que induz o sono e promove um enorme ganho de saúde para a pessoa.

Segundo o especialista, “a produção de melatonina ocorre à noite, na ausência de luz e sua quantidade secretada depende da duração dos dias e das noites. Ela influencia no crescimento e regula o sono”, acrescenta.

Mas é preciso tomar alguns cuidados para evitar que a glândula sofra algum distúrbio. O neurocientista explica que isso pode acontecer quando falta esta sincronia do ciclo claro-escuro. “Quando viajamos para um fuso diferente, ou quando mudamos nossa rotina, ou simplesmente quando durante à noite ainda ficamos submetidos à muita luz, que podem ser dos aparelhos eletrônicos, por exemplo. Tudo isso pode contribuir negativamente para a pessoa sofrer consequências por algum dano desta falha”.

Um detalhe pouco conhecido é que a glândula pineal também auxilia outras atividades do corpo. Abreu revela que ela “possui efeito hipotensor, é antioxidante, neuroprotetor, modulador do sistema imunológico e oncostático. Há estudos que já mostraram que até mesmo nosso apetite sexual pode ser elevado quando ela está trabalhando mais ativamente”, completa.

Para que a glândula siga funcionando sem problemas, as dicas de Fabiano são simples de serem cumpridas: “Dormir à noite e não de madrugada, e em média 8 horas. Também cuidamos controlando os níveis de estresse e buscando hábitos e comportamentos que possam trazer um melhor equilíbrio mental para não causar disfunção em neurotransmissores e prejudicar em sua produção”, conclui.

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