“Entre Monstros e Homens”, de Thó Simões, é um ensaio sobre a vida, a caminhada, as motivações e os seus dilemas, numa “procura do intangível, da satisfação, dos valores éticos morais e as suas inversões”.

 

O artista, que é representado pela MOVART, encaminhou o seu olhar para o “nós”, através de um exercício de observação e absorção – por vezes incómodo – da sociedade e daquilo que a rodeia.

 

“Ao olhar para o espelho nem sempre se vê aquilo que queremos ver”, reflecte Thó Simões. E é com o objectivo de expor o Homem como “agente para o bem ou para o mal” que o artista utiliza a pintura, a performance, a instalação, o vídeo e a fotografia para convidar o espectador a debruçar-se com ele, de uma forma reflexiva, sobre o mundo que nos rodeia e os comportamentos que cada um de nós adopta perante as situações em que somos colocados.

 

A exposição, que se prolonga até Junho de 2021, respeita todas as medidas decorrentes do Decreto Presidencial n.º 62/21 de 11 de Março, que visam proteger a população dos danos causados pela COVID-19, estando organizada de forma a evitar aglomerados na Galeria Banco Económico. A MOVART irá ainda organizar visitas guiadas para um máximo de 15 pessoas. Os interessados devem entrar em contacto através do email gallery@movart.co.ao.

 

 

Sobre Thó Simões

 

Thó Simões, nasceu em Malanje, em 1973, e vive actualmente em Luanda, onde trabalha. É um artista visual que rejeita rótulos. Pesquisador nato e curioso por natureza, Simões pinta, faz colagens, cria arte urbana e digital, performances, instalações, filmes e fotografias. A sua obra não obedece a regras ou tendências que identifiquem um determinado estilo. Influenciado pela arte de rua, mistura a arte urbana com outras linguagens, sejam elas tradicionais ou contemporâneas. O artista frequentou o Instituto de Estudos Artísticos e Culturais (INFAC). O magnetismo que África e Angola exercem no seu trabalho é inegável, tal como outros locais do mundo que visitaram. Influenciado pelo graffiti e pela arte de rua moderna. Gosta de assistir ou apenas absorver a vida ao seu redor. Os seus projectos artísticos reflectem sobre questões contemporâneas nas sociedades humanas. Está envolvido em diversos projectos de natureza formativa e solidária para crianças de rua. Thó provém da geração de artistas pós-independência com forte influência na Arte Contemporânea Angolana. Ele é também um dos mentores do projecto ‘Murais de Leba’, com mais de 6000 m2 de paredes nas províncias do Namibe e Huíla, um projecto que envolve jovens artistas de várias regiões de Angola, artistas internacionais e estudantes.

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HÉLDER PEDRO, DE COBRADOR DE TÁXI A PROMESSA DA TV NACIONAL Há alguns meses que a televisão nacional ganhou um novo rosto. Hélder Pedro é o “platinado” que todos os sábados apresenta o mais recente programa de televisão sobre o jet7 angolano, no canal Jango Magic, da operadora DStv. A voz naturalmente colocada e a dicção não deixam margem para dúvidas de que a vocação radiofónica está-lhe no ADN. Apesar de ter optado por estudar Ciências Físicas e Biológicas no ensino médio, Hélder era apelidado pelos colegas de o “Bartolomeu da sala”, numa clara comparação a Ernesto Bartolomeu, famoso apresentador do telejornal da TPA 1. Várias foram as vezes que o jovem ouviu dizer que estava a perder-se no curso errado, porque “tinha um grande potencial para o jornalismo”, disse em entrevista à BANTUMEN. Num teste às suas capacidades, em 2008, decidiu criar a Rádio One, onde o seu quarto era o estúdio e os vizinhos a audiência. Uma coluna no terraço e estava criada a primeira rádio a ser emitida no município de Cacuaco. “Tudo o que eu falasse, as pessoas que viviam nos arredores da casa ouviam. O programa da Rádio One começava às 18 horas e tinha como convidados os meus irmãos e primo. O projecto surge com o intuito de entreter as noites da nossa vizinhança, uma vez que havia muita bandidagem no bairro e a zona era muito silenciosa.” Mas antes de chegar às televisões do país através do semanal “Platinando”, as curvas e contra-curvas da vida de Hélder levaram-no a ser pedreiro, cobrador de táxi, taxista e segurança num quintal do pai. Mas a perseverança está-lhe impressa no caracter. Em 2012, o “Bartolomeu da sala” conseguiu chegar à redação da Platina Line, através do pai que conhecia um dos funcionários da empresa. “Por ser bom e talentoso, passei no casting. Comecei como repórter, passei de seguida a fazer o programa de rádio na Kairós e fui promovido mais tarde para apresentador de TV, fazendo até hoje o programa “Platinando” com a minha colega Rosa de Sousa.” Um ano mais tarde, a responsabilidade do jovem trabalhador-estudante tornou-se demasiado pesada e foi necessário optar entre as várias actividades que desenvolvia ao mesmo tempo. “Estudava na Utanga do Capolo, fazia o curso de Electrónica e Telecomunicações e era difícil conciliar os estudos, serviço de táxi “não personalizado” e a Platina Line. Larguei o táxi e os estudos por falta de apoio, pois nessa altura o meu pai já não tinha condições para sustentar os meus estudos. E eu que sempre pensei que ser estudante universitário fosse um mar de rosas e que fosse principalmente fácil pagar as propinas, enganei-me!” Depois de dois anos dedicados à comunicação, Hélder decide voltar a estudar e é actualmente aluno da Universidade Independente de Angola, no curso de Ciências da Comunicação. Numa breve análise à liberdade de expressão dos meios de comunicação nacionais, Hélder Pedro diz que a “Platina Line veio revolucionar a comunicação social em Angola, em particular o mundo do entretenimento. Mas, como infelizmente a nossa sociedade ainda não tem uma mente tão aberta neste campo, encaramos certas informações como abusos contra identidade, o que impossibilita a liberdade de comunicação e muitas vezes de expressão. Como resultado, muitos jornalistas, comunicólogos e não só, vêem-se na obrigação de omitirem determinadas informações”, explica. Entre o online e a TV não consegue designar um preferido e garante que as duas categorias têm as suas vantagens. No entanto, os seus objectivos centram-se em chegar à cadeira de pivô de telejornal e, quem sabe, ser o sucessor do ídolo Ernesto Bartolomeu.