Gabriel Tchiema é um dos poucos artistas angolanos que preserva, na sua música, a cultura linguística do povo Lunda, no leste do país, interpretando canções românticas na língua côkwe, falada pelas populações localizadas a nordeste, sul e norte da Lunda, a leste do Bié, a oeste do Moxico, na região central do Cuando-Cubango, no Cunene e em Malanje.
Temas como “Azwlula”, “Mbimba” e “Issaka”, do artista, podem levar os amantes da música, em Angola e no mundo, a questionar que língua é essa. Em entrevista ao Platinaline, Tchiema explicou que a sua escolha artística está profundamente ligada à sua identidade cultural e às suas raízes.
“Eu sou côkwe, não há outra forma de encarar o mundo, não há outra forma de trazer a minha música senão cantá-la em côkwe”, afirmou o músico, acrescentando ser fundamental “enaltecer e exaltar a nossa ancestralidade, a nossa raiz, que são as nossas línguas”.
Recentemente, o artista foi condecorado pelo Presidente da República com a Medalha dos 50 anos da Independência Nacional — um marco que, segundo Tchiema, representa muito e constitui uma grande responsabilidade. “Percebi que o trabalho que tenho feito nos últimos anos não tem sido em vão”, afirmou.
Por: Nunes Hebo




