Existe ou não limite para humor? Tiago Costa, Calado Show e Tigre Chieta respondem

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Por: Hélio Cristóvão

Recentemente, o mundo acompanhou uma cena jamais vista entre dois grandes artistas internacionais de Hollywood. O assunto foi e continua a ser pauta por todo o mundo e em Angola não é diferente. Durante a cerimónia de premiação dos Óscares 2022, apresentada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ocorrida ontem, 27, no teatro Dolby, em Los Angeles, o actor Will Smith subiu ao palco e agrediu com uma bofetada o comediante Chris Rock, após este ter feito uma piada sobre a falta de cabelo da sua esposa Jada Pinkett Smith, que é uma condição de saúde.

O PLATINALINE, no entanto, reuniu nomes de alguns humoristas angolanos para saber se existe ou não um limite para o humor, e se alguma vez já ultrapassaram a chamada “linha ténue”.

Para Tiago Costa, conhecido também por andar no limiar da liberdade de expressão, entende que não existem limites no humor mas os limites partem de cada humorista. “Quem te limita são as pessoas porque no humor tu podes gozar sobre tudo… acho que nós estamos a querer tornar a coisa muito mecânica mas não me posso esquecer nunca que sou uma pessoa de Lei, e a Lei permite ao Chris Rock fazer aquilo que ele fez e o Will teria, dentro da Lei, meios para ir contra… No meu caso concreto, já tenho uma desvantagem em relação aos outros humoristas porque tenho um humor de nicho muito específico, sei aonde estou e o mercado que tenho”, disse.

Por sua vez, Calado Show tem uma opinião contrária sobre o assunto, destacando que um dos grandes riscos que leva a exaustão da gargalhada acontece quando o artista ultrapassa a linha ténue entre o exagero e a sensibilidade alheia. “Nós falamos de pessoas e é importante que percebamos até que ponto podemos brincar com determinadas coisas e pessoas, aí é dada ao humorista a responsabilidade, a sensibilidade e a inteligência”.

Questionado se durante os longos anos de trabalho já constrangeu alguém com as suas piadas, Calado Show diz acreditar que sim: “Acontece que várias vezes a pessoa está a fazer uma piada e de repente, sem maldade, pode cair numa coisa menos boa. O humor é o exagero do normal, e enquanto estivermos no exagero do normal vamos sempre beliscar o normal e quando beliscamos o normal corremos o risco de não sermos normais”, reforçou.

Entretanto, Calado mostrou preferências em falar ou fazer piadas de pessoas com quem tem alguma proximidade, evitando, deste modo, situações desagradáveis.

Tigre Chieta, no entanto, usou as redes sociais para condenar a violência do actor ao humorista e declarou que o “humor não tem limites mas o humorista tem…”

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