Lélis Twevekamba aborda experiência do personagem bakongo no filme “Mwana Nketo”

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Por: Stella Cortêz

“Mwana Nketo” é um filme do realizador angolano Satanha Cinéfilo, que conta a narrativa de dois jovens de diferentes etnias que têm de desafiar as suas culturas para poderem viver o seu amor em meio a todas as contradições possíveis, cuja estreia na plataforma Tellas está marcada para o dia 4 de Fevereiro.

Na longa-metragem que aborda não somente o amor, mas também temas ligados ao resgate da valorização da cultura angolana, Lélis Twevekamba, que dá vida ao personagem Massala, falou em entrevista ao PLATINALINE sobre os desafios de trabalhar fora da sua zona de conforto (Luanda), bem como interpretar um jovem de origem Bakongo.

“O gravar fora da zona de conforto tem algumas complexidades, não só em termos de localidades e os caminhos onde gravamos, que não eram dos mais fáceis, e depois houve momentos em que tinha muita chuva e os caminhos ficavam intransitáveis, a deslocação era a pé. Não obstante a isso, a interpretação do próprio personagem, linguagem, cultura e a própria história acabam por ser diferentes dos outros que já tinha executado, então, tudo isso fez com que o trabalho fosse abordado de outra forma”, disse Lélis.

Para o personagem Massala, Lélis tem noções da cultura bakongo, garante que para melhor expressão do sotaque, teve que recorrer a um procedimento investigativo de forma minuciosa. “É um jovem que chegou numa aldeia onde habitam pessoas de várias etnias, mas esse jovem tem um bocado daquilo que é a cultura, incluindo a forma de falar, então, a minha investigação foi justamente em relação à forma com é que este jovem bakongo que, apesar de moderno, tem alguns traços da linguagem da sua tribo. Tive que me adaptar para poder falar desta forma”, acrescentou.

Feliz, Iracelma, outra integrante da equipa técnica, contou que trabalhar na produção do filme Mwana Nketo foi a melhor coisa que fez em termos de produção e cinema. “Passamos por muitos desafios, visto que tivemos de gravar fora das localidades, estamos habituados a fazê-lo em Luanda, e desta vez, tivemos de trazer imagens das vivências de uma localidade da província do Bengo. O filme fala das etnias, de como devemos respeitar os mais velhos e as nossas tradições que, muitas vezes passamos por cima por causa da modernização, e acabamos por nos prejudicar no decorrer na nossa vida.”

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