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Mazunina Godinho: “A minha luta foi me impor na televisão como uma apresentadora gorda”

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Neste mês de Março, nós, Platina line, renderemos homenagem a todas as mulheres que muito têm feito em prol do desenvolvimento do nosso país. Desta vez, trazemos a apresentadora do programa Ecos & Factos, Mazunina Godinho.

Na passada terça-feira, 7 de Março, visitámos os estúdios da TPA (Televisão Pública de Angola) com a finalidade de acompanhar o dia-a-dia desta jornalista, que mostrou à sociedade que o seu talento e dedicação vão além de qualquer preconceito em relação ao seu corpo.

Mazunina Pita-Grós Godinho é natural da província de Benguela (Lobito), nasceu aos 20 de Junho de 1975 e entrou para a Televisão Pública de Angola com os seus 18 anos de idade. A carismática apresentadora aproveitou o momento para revelar o seu estado actual: “Noiva”.

“Conheço muitas mulheres que têm dificuldades em sair de casa, eu também pensei que nunca chegaria aonde cheguei por ser gordinha”, disse Mazunina.

Platina line: Quando é que surgiu em si o gosto pelo jornalismo?
Mazunina Godinho: Acho que esse gosto nasceu em mim quando miúda, porque, nessa fase, já gostava de ler para os vizinhos no muro de casa, imitando o Ernesto Bartolomeu e outros profissionais da época. A comunicação sempre esteve em mim, mas a televisão foi uma escolha, pois o meu grande objectivo sempre foi trabalhar em rádio.

PL: Quais são as dificuldades que tem encontrado na sua profissão?
MG: Hoje não muito, mas, no princípio, foi o facto de ser gorda; as pessoas admiravam, achavam estranho. “Há, ela é gorda” diziam as pessoas. Esta foi a luta que tive que passar para me impor na televisão.

PL: O que lhe dá mais orgulho como mulher?
MG: Olha, eu gosto muito de trabalhar para o “Ecos & Factos”, chorei muito quando saí do “Bom dia Angola”, aprendi muito lá, mas no Ecos & Factos aprendo mais o valor da solidariedade, de ser humano, porque neste programa passam coisas muito tristes e quando ouves as pessoas a falarem que gostam do seu trabalho, é sim um orgulho, principalmente porque vim da província de Benguela e quando chego lá as pessoas se orgulham dizendo: “ a nossa jornalista”.

PL: Já alguma vez se sentiu incapaz de realizar alguma tarefa relacionada com o seu ramo?
MG: Já! No principio, não fui capaz de fazer uma reportagem do enterro do pessoal do grupo da Maboque, não consegui ver todos aqueles caixões. Eu não sou de ferro, como profissionais não devemos, mas, infelizmente, não consegui.

PL: Que legado gostaria de passar aos jovens estudantes de jornalismo?
MG: Que fazem tudo por mérito. Hoje, tudo é feito por conveniência, porque tens o tio, o padrinho ou irmão. Pensa-se que por ter um rosto bonito, podes ir para televisão, quando não sabes falar, não tens cultura geral, não tens dicção, então aconselho os jovens a não fazerem nada por emoção, mas sim por amor, pois estamos todos de passagem nesse mundo.

PL: Para si, o que representa o dia 8 de Março?
MG: Para mim, o dia 8 de Março representa a luta de todas as mulheres e significa um orgulho pra mim como mulher.

A mulher desde sempre lutou pelos direitos iguais. Partilha da opinião que tudo que um homem faz uma mulher pode fazer?
MG: Por que não? Nós somos guerreiras, lutadoras, vencedoras, então por que não tentar? Vá à luta que você consegue.

PL: Que mensagem gostaria de deixar para as outras mulheres?
MG: Conheço muitas mulheres que têm dificuldades de sair de casa por serem gordinhas. Também pensei que nunca conseguiria chegar aonde cheguei por ser gordinha, então você que é gordinha, que sente que o seu mundo acabou e que não pode nada, lembre-se de que pode tudo, você é mulher e uma pedra muito preciosa. Beijos para todas as mulheres!

Helder Pedrohttp://www.afacc16.org
HÉLDER PEDRO, DE COBRADOR DE TÁXI A PROMESSA DA TV NACIONAL Há alguns meses que a televisão nacional ganhou um novo rosto. Hélder Pedro é o “platinado” que todos os sábados apresenta o mais recente programa de televisão sobre o jet7 angolano, no canal Jango Magic, da operadora DStv. A voz naturalmente colocada e a dicção não deixam margem para dúvidas de que a vocação radiofónica está-lhe no ADN. Apesar de ter optado por estudar Ciências Físicas e Biológicas no ensino médio, Hélder era apelidado pelos colegas de o “Bartolomeu da sala”, numa clara comparação a Ernesto Bartolomeu, famoso apresentador do telejornal da TPA 1. Várias foram as vezes que o jovem ouviu dizer que estava a perder-se no curso errado, porque “tinha um grande potencial para o jornalismo”, disse em entrevista à BANTUMEN. Num teste às suas capacidades, em 2008, decidiu criar a Rádio One, onde o seu quarto era o estúdio e os vizinhos a audiência. Uma coluna no terraço e estava criada a primeira rádio a ser emitida no município de Cacuaco. “Tudo o que eu falasse, as pessoas que viviam nos arredores da casa ouviam. O programa da Rádio One começava às 18 horas e tinha como convidados os meus irmãos e primo. O projecto surge com o intuito de entreter as noites da nossa vizinhança, uma vez que havia muita bandidagem no bairro e a zona era muito silenciosa.” Mas antes de chegar às televisões do país através do semanal “Platinando”, as curvas e contra-curvas da vida de Hélder levaram-no a ser pedreiro, cobrador de táxi, taxista e segurança num quintal do pai. Mas a perseverança está-lhe impressa no caracter. Em 2012, o “Bartolomeu da sala” conseguiu chegar à redação da Platina Line, através do pai que conhecia um dos funcionários da empresa. “Por ser bom e talentoso, passei no casting. Comecei como repórter, passei de seguida a fazer o programa de rádio na Kairós e fui promovido mais tarde para apresentador de TV, fazendo até hoje o programa “Platinando” com a minha colega Rosa de Sousa.” Um ano mais tarde, a responsabilidade do jovem trabalhador-estudante tornou-se demasiado pesada e foi necessário optar entre as várias actividades que desenvolvia ao mesmo tempo. “Estudava na Utanga do Capolo, fazia o curso de Electrónica e Telecomunicações e era difícil conciliar os estudos, serviço de táxi “não personalizado” e a Platina Line. Larguei o táxi e os estudos por falta de apoio, pois nessa altura o meu pai já não tinha condições para sustentar os meus estudos. E eu que sempre pensei que ser estudante universitário fosse um mar de rosas e que fosse principalmente fácil pagar as propinas, enganei-me!” Depois de dois anos dedicados à comunicação, Hélder decide voltar a estudar e é actualmente aluno da Universidade Independente de Angola, no curso de Ciências da Comunicação. Numa breve análise à liberdade de expressão dos meios de comunicação nacionais, Hélder Pedro diz que a “Platina Line veio revolucionar a comunicação social em Angola, em particular o mundo do entretenimento. Mas, como infelizmente a nossa sociedade ainda não tem uma mente tão aberta neste campo, encaramos certas informações como abusos contra identidade, o que impossibilita a liberdade de comunicação e muitas vezes de expressão. Como resultado, muitos jornalistas, comunicólogos e não só, vêem-se na obrigação de omitirem determinadas informações”, explica. Entre o online e a TV não consegue designar um preferido e garante que as duas categorias têm as suas vantagens. No entanto, os seus objectivos centram-se em chegar à cadeira de pivô de telejornal e, quem sabe, ser o sucessor do ídolo Ernesto Bartolomeu.
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