Excelência, antes demais agradeço pela oportunidade e tal como todo cidadão, também almejo mudanças nas políticas sociais da nação, em particular da juventude, cultura e expecificamente no teatro.
Tenho acompanhado com alguma satisfação os diversos disursos e encontros que tem mantido com vários sectores da sociedade, principalmente com aqueles que podem contribuir na diversificação da economia, esperamos todos que assim seja no âmbito do plano de governação 2017 – 2022. No último encontro que manteve com a classe empresarial, ficamos todos expectantes em ouvi-lo, infelizmente tive de acompanhar o resumo do encontro nos erviços noticiosos. Prestei a devida atenção a cada uma das mensagens lidas pelas diversas organizações e sectores empresarias que se fizeram presente no local, onde cada uma disse que ao receber a devida atenção do governo, podem ser alternativa na diversificação da economia e gerar riquizas para os cofres do estado, atenciosamente o senhor ouviu cada uma das intervenções e prometeu dar respostas a seu tempo caso ganhe as eleições de 23 de Agosto de 2017. A iniciativa foi e continuará ser de louvar, caso estes encontros continuem depois da consagração e atinja mais sectores principalmente aqueles que de alguma forma podem contribuirmas, vivem em situações de abandono, no meio de tantas mensagens muito bem concebidas e direcionadas, saltou-me a vista a ausência de uma mensagem em que eu pudesse me rever como profissional da arte, em representação da indústria cultural em particular o teatro, infelizmente nem uma, nem outra.
O termo Indústria Cultural, foi criado por filósofos e sociológos alemães Theodor Adorno (1903 – 1969) e Max Horkheimer (1895 – 1973), a fim de designar a situação na sociedade capitalista industrial, do ponto de vista comercial.
Permita-me caro candidato, por esta via enviar-lhe a mensagem de uma classe nobre que resistiu ao período de guerra e pós – guerra sem nunca deixar de fazer a sua parte ao lado do governo e de outras organizações, actualmente por meios próprio tem vindo a emacificar-se e a crescer dia após dia sem beneficiar de apoios dignos da sua luta, prova disso temos os festivais que acontecem por Angola e que já atravessam fronteiras. O FESTPAZ que junta grupos de várias províncias do país que durante dez dias comemoram o 4 de Abril, outra boa referência, é o Circuíto Internacional de Teatro, que acontece durante três meses, para a edição de 2017, a organização prevê mais de setenta espectáculos, hoje alguns grupos e produtoras de teatro que vão surgindo já conseguem produzir espectáculos para todos os níveis sociais, é caso para dizer que somos orfãos de pai vivo, mas não baixamos a cabeça, fruto desta luta resulta na busca de uma série de alternativas para que Angola não fique um final de semana sem um espectáculo de teatro, temos uma média mínima diária de dez espectáculos de quinta a domingo, digo mesmo sem medo de errar, que apesar de ser uma are pobre somos os únicos artistas que temos trabalhodo todos os finais de semana aberto ao público. Nós queremos e podemos fazer mais, mesmo sem sermos tido em conta, já começamos a diversificar, se á alguns anos atrás só tinhamos grupos de teatro, hoje temos produtoras, formadores, editoras, agências que prestam serviços especializados e outras tendências rentáveis que vão surgindo. Quero com isso dizer senhor candidato, que o teatro também pode fazer surgir uma indústria capaz de gerar empregos, atrair investidores e contribuir para a economia do país.
Senhor candidato, o fomento da indústria teatral é tão importante como os demais sectores, ela por si só pode absolver outras áreas que se canditam como potências para a diversificação da nossa economia, vejamos, fala-se tanto em fomentar o turismo e o agronegócio, certamente estes dois elementos fazem toda a diferença, mas é preciso criar políticas para atrair o turista ou investidores como já se tem feito e dar-lhes a conhecer sobre o nosso potencial agrário e turístico, isto pode ser facilitado por meio do teatro, imagine senhor candidato, se ao entrar em Angola ou por meio da promoção externa do país, o estrangeiro encontrar no roteiro turístico ou promocional a existência de uma Sala de Teatro & Museu, onde para além de assistir peças de teatro que exaltam a cultura local, a história e figuras de Angola, pode ver exposições diversas com peças que retratam a história do teatro angolano e africano? Acredito que hoje em dia turismo já não é simplesmente belezas naturais e safarismn , hoje turismo também é cultura, mas do que pariipar em amostras internacionais, é importante atraí-los na banda. É importante buscar alternativas nas atracções, é preciso vender e atrair o investimento estrangeiro e local com a mercantilização e valorização da indútria cultural.
A título de exemplo senhor candidato, o CIT – Circuíto Internacional de Teatro, no âmbito de plano nacional de formação de quadros em curso em todo país, prevê várias formações técnicas e profissionais visando fomentar do auto–emprego, entre estas formações destacam-se os cursos técnicos de construção cívil e outros, o fomento do auto-emprego implica potenciar determinadas áreas da economia para poder receber estes formandos, e potenciar a indústria teatral pode ser uma alternativa, abre uma série de oportunidades para a criação de postos de empregos permantes e temporários. Setenta espectáculos no CIT, senhor candidato, já imaginou quantos serrelheiros, carpinteiros, pintores, pedreiros e outros podem ser contratados só para construir cenários? Já reparou quantas empresas do ramo da restauração serão necessárias para alimentar estas pessoas incluindo o público durante três meses? Tendo em conta as participações estrangeira, isto vende ou não a nossa gastrónomia? Que outras formas culturais podem fazer parte? Os estilista ou costureiros durante este período, teram ou não trabalho? Imagina se mais festivais com outras temáticas centrais ou regionais forem criados, estes profissionais continuaram a ter ou não trabalho? Empresas de protocolo, gráficas, produção de vídeo, podem ou não ter o seu espaço? Quantas empresas podem ser associadas as suas marcas aos festivais tendo em conta a quantidade de público que estes podem movimentar e de alguma forma estas beneficiarem da lei do mecenato? Como a aplicação prática de lei do mecenato pode ajudar? Estes profissionais teram ou não como sustentar-se? Isto ajudará ou não combater a diliquência por falta de ocupação de alguns jovens? Isto permitirá ou não o fomento da indústria teatral e dar suporte em outros sectores? Ainda nem estou a me referir aos espectáculos correntes que normalmente vão de quinta-feira a domingo, em muitos casos com duas sessões diárias….
Por tanto senhor candidato sem qualquer disprimor aos outros sectores, o teatro também é um potencial candidato na diversificação da nossa economia e na criação e novos postos de emprego, é das poucas artes que pode absolver outros sectores, basta que lhe seja prestado a devida atenção. Certamente estamos diante de um ponto de vista particular, que pode refletir os ânsios de uma maioria. Aguardamos por um encontro com os empresários do teatro, também queremos ser ouvidos e tidos em conta, esperamos não ficar no esquecimento nesta nova fase que se avizinha para Angola, também somos generais do desenvolvimento. Termino este artigo com o texto de dois colegas, retirado do facebook, que combina muita bem com a ideia do artigo. Bem haja senhor candidato.
Tony Frampenio: …Ninguém deixará de fazer teatro até que nos apoiêm…
Afonso Amankwa Dinis: Ninguém deixará de fazer teatro, mesmo que nos apoiêm…
Tony Frampenio: Essa minha filosofia é escolática e tem uma profundidade muito subjectiva, assim como esta fará refletir mais quem deve apoiar, porque quem quiser apoiar de má fé achará que depois de nos apoiarem deixaremos de fazer, antes pelo contrário, nos tornaremos mais fortes.
José Lima da Silva
COLUNISTA



