Após a impressionante multidão presente no funeral de Mano Chaba, um dos temas mais debatidos foi a comparação entre o artista e o icónico Nagrelha. Muitos fãs e jornalistas questionaram se a popularidade de Mano Chaba o colocaria no mesmo patamar de Nagrelha no cenário do kuduro. No entanto, o rapper Naice Zulo, uma das grandes figuras do movimento, apressou-se a rejeitar qualquer associação entre os dois.
Numa declaração enfática durante a segunda edição do Festival Rapduro, no município de Cacuaco, Naice Zulo explicou que cada artista tem o seu próprio valor e deve ser reconhecido pelas suas particularidades.
“Acho que associar artistas a outros artistas seria diminuí-los. Cada artista é uma joia, e cada joia tem as suas peculiaridades e exclusividades. O Mano Chaba é um diamante raro, tal como o Nagrelha. São dois artistas excelentes, dois brilhantes representantes da realidade juvenil dos guetos de Angola”, afirmou.
Quando questionado sobre o que fez Mano Chaba tocar tanto o coração dos angolanos, Naice Zulo destacou a autenticidade e a capacidade do artista de comunicar a realidade do gueto. “Depois do Mano Chaba, temos uma nova realidade a aproximar-se com o 12 Furos. O que faz o Mano Chaba brilhar é a sua capacidade de transmitir a realidade do seu gueto. É necessário que comuniquemos a nossa realidade. Quem não vem do gueto comunica a sua realidade, quem vem do gueto comunica a dele”, completou.
Essas declarações ocorreram no contexto de um festival que celebra as raízes do rap e do kuduro, estilos musicais profundamente enraizados nas vivências da juventude dos guetos de Angola. O Festival Rapduro consolidou-se como uma plataforma importante para a promoção desses artistas.
Por: Makiesse Macondo




