Nos dias de hoje, a ostentação tem ganho cada vez mais espaço entre muitos jovens africanos, sobretudo angolanos, manifestando-se através da exibição de bens materiais e luxos momentâneos. Esta tendência tem gerado debates em torno da identidade cultural e dos valores que devem ser preservados.
Questionado pelo Platinaline sobre o tema, o historiador e professor Filipe Vidal, defensor da africanidade e da ancestralidade, afirmou que a ostentação não faz parte do carácter africano, sublinhando a diferença entre valorizar e apenas atribuir importância às coisas.
“De facto, nós não somos materialistas. Nós, africanos, sempre soubemos valorizar as coisas e não apenas dar-lhes importância. O que permanece são as relações humanas, os afetos e aquilo que prestamos à comunidade e à família. Exibir um relógio de 26 dólares quando, na tua família, há pessoas que não têm o que comer, isso não é o que os nossos ancestrais faziam”, explicou.
Para Filipe Vidal, a verdadeira riqueza africana não se mede apenas pelos recursos naturais, mas sobretudo pela forma como as pessoas se relacionam e se apoiam mutuamente. O académico reforça que é essencial resgatar valores como solidariedade, partilha e respeito pela comunidade, pilares da verdadeira ancestralidade.
Por: Lindeza Admizalda



