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    Início»Vidas»Mercado de Trabalho»Produção diamantífera pode gerar receita de 1,4 mil milhões de dólares
    Mercado de Trabalho

    Produção diamantífera pode gerar receita de 1,4 mil milhões de dólares

    RedaçãoPor Redação18 de Janeiro, 2022Sem comentários7 Minutos de Leitura
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    A Empresa Nacional de Diamantes de Angola (ENDIAMA E.P) prevê, para este ano, uma produção de 10,05 milhões de quilates e uma receita estimada no valor de 1,4 mil milhões de dólares, anunciou, segunda-feira (17), em Luanda, o presidente do Conselho de Administração.

     

    Segundo publicou o Jornal de Angola, José Augusto Ganga Júnior apresentou o balanço do sector referente ao ano findo e as perspectivas de 2022, tendo realçado que, em 2021, o sector registou uma produção de 8,7 milhões de quilates, dos 9,1 milhões previstos, 3,8 por cento abaixo da meta estabelecida. Quanto ao não cumprimento da referida meta, o presidente do Conselho de Administração, José Augusto Ganga Júnior, esclareceu que se deveu às limitações de produção devido à pandemia da Covid-19, que afectou várias instalações mineiras.

     

    A título de exemplo, Ganga Júnior explicou que na mina do Catoca foram registados cerca de 300 casos de Covid-19 em funcionários, provocando a redução do volume das operações. Ainda no Catoca, acrescentou, houve uma ligeira redução dos níveis de produção.

     

    No caso específico da mina do Furi, registou-se cerca de 264 casos, o que reduziu a exploração mineira, alterando a carga horária de 24 horas por dia para apenas 12 horas em movimento de terras, para a extracção do esterili e cascalho. Todavia, assumiu, que os constrangimentos não aconteceram em todas as minas, sendo que as outras  cumpriram, casos do Cuango e Chitotolo, tendo estas ultrapassado as metas de produção.

     

    Não obstante os constrangimentos referidos, até ao momento, de acordo com Ganga Júnior encontram-se em produção 13 projectos mineiros, sendo três de jazigos primários e 10 de jazigos secundários. Por outro lado, disse, com o trabalho árduo em curso nos projectos Catoca , Luaxe, Kaixepa, Lunhinga Tchitengo, Cuango, Chitotolo, Somiluana, Luminas, Calonda, Lulo, Furi, Uari Cambange, Tchegi, Luembe, Luachimo, Mucuanza, Cassanguidi, este ano, deverá ser superada a previsão de 10 milhões de quilates.

     

    Está, igualmente, previsto, para a concretização da meta de produção diamantífera, o total arranque dos projectos Cassanguidi, Luembe, Chinguvo, Tchissema e Yetwene; a implementação do laboratório de micro diamantes de Saurimo; o aumento da participação da Endiama na cadeia de valor do diamante, através do fomento da lapidação e da joalharia, o que passará pelo potenciar da empresa GEOANGOL. Esta actua no sector de mineração nos segmentos de perfuração para a consolidação dos serviços de geologia, sondagem e laboratório.

     

    Segundo reiterou, encontram-se em prospecção 39 projectos, dos quais 11 primários e 28 secundários, localizados nas províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul, Moxico, Malanje, Cuanza-Sul, Huambo e Bié. No caso da produção, são 13 empresas mineiras dos quais, três primárias e 10 secundárias, localizadas nas províncias da Lunda-Norte e Lunda-Sul, respectivamente.

     

    Investimentos

    Quanto aos investimentos no sector em 2021, Ganga Júnior detalhou terem sido aplicados valores acima dos 100 milhões de dólares. Os investimentos em causa foram efectuados em projectos já em funcionamento, executados no sentido de melhorar a prestação e participação.

    A título de exemplo, caso concreto da mina de Catoca, a participação da diamantífera estatal era de 32,8 por cento e, actualmente, ronda os 41 por cento, através de um investimento de 70 milhões de dólares realizado com recursos próprios.

     

    No sentido de ampliar a prestação de serviço e os níveis da produção do antigo Lúo, actual Luinga, fez-se na mina um investimento indirecto na ordem dos 15 milhões de dólares. O sector está, de igual modo, a trabalhar no “Luminas”, projecto em que a Endiama detém cerca de 35 por cento e pretende passar em até 87 por cento, por via de um investimento em cerca de 15 milhões de dólares.

     

    Processo de lapidação

    Dados da Endiama atestam que o país conta, actualmente, com quatro fábricas de lapidação. Um dos investimentos e participação da Endiama, nessa nova era, ocorreu no Pólo de Lapidação da Lunda-Sul, em julho do ano passado. Ganga Júnior reconhece o longo percurso a fazer, porquanto neste momento, o que é lapidado em Angola não representa sequer cinco por cento da capacidade de produção do país.

    Para inversão do quadro, disse Ganga Júnior, a empresa trabalha em várias direcções, obtendo lucros, criando ambientes de trabalho para a diversificação da base económica e no aumento da cadeia de valor.

    “É possível o sector ter um índice de rentabilidade na ordem dos 20 por cento neste negócio”, assumiu.

    Amortização da dívida ronda os 100 milhões de dólares

    As dívidas existentes no balanço da Empresa Nacional de Diamantes de Angola não são resultantes de créditos directos, mas resultantes da prestação de aval e garantia a projectos e empresas relacionadas ao sector.

    Segundo o PCA, as referidas empresas, umas fracassaram e outras abandonaram as operações por vários motivos, o que fez a dívida permanecer, resultando numa forte limitação na abertura do mercado financeiro na contratação de financiamento, para o desenvolvimento de outros novos projectos do sector.

    A dívida rondava, até então, à volta dos 150 milhões de dólares, ambas relacionadas com as instituições bancárias BFA, BAI e BPC.

    Com estes constrangimentos, de acordo com Ganga Júnior, não foi possível realizar alguns investimentos, porquanto as portas dos financiamentos para a empresa fecharam-se junto dos referidos bancos. Para a liquidação da dívida, o presidente do Conselho de Administração da Endiama realçou ter sido avançada para uma negociação, com perdão da dívida fosse do capital como dos juros.

     

    Foi ainda definido um plano de amortização da outra componente da dívida, o que permitiu, actualmente, estar-se numa situação de regularização com o BFA e o BAI. Quanto ao BPC, transferiu-se os direitos de créditos para a cobrança da Recredit, situação que vigora. Com estes passos dados, disse o PCA da Endiama, a direcção da diamantífera estatal conseguiu regularizar a dívida de cerca de 100 milhões de dólares. Os resultados da operação de saneamento que se optou tem em vista, de acordo com a gestão da empresa pública, pôr a empresa na bolsa, pois sem este passo não se admite tal hipótese, segundo o PCA.

     

    Em face de todo o processo explicado, Ganga Júnior mostra-se bastante satisfeito e anunciou estar em vista a recepção de um novo financiamento de 100 milhões de dólares junto do Banco Angolano de Investimentos (BAI). O valor deverá ser aplicado na implementação de novos projectos, como o Luaxe e outros.

     

    “Já conseguimos um financiamento na ordem dos 20 milhões de dólares junto do banco Caixa Angola, fruto dos resultados da amortização de dividas”, afirmou.

    Sector prevê atingir os 26 mil postos de trabalho

     

    O sector diamantífero nacional perspectiva, nos próximos cinco anos, gerar perto de sete mil postos de trabalho directos e sair dos actuais 19,4 mil empregos existentes para atingir a cifra dos 26 mil.

     

    Conforme detalhes do balanço da empresa, a força de trabalho no sector, relacionados aos projectos de prospecção, produção industrial e semi-industrial, é de 19.461, distribuídos por várias profissões e grupos etários.

     

    Deste total, 80 por cento são naturais das áreas de exploração mineira, enquanto que 454 trabalhadores representam a força activa empregada só na Endiama.

     

    A previsão de criação de mais postos, apesar do momento menos animador da economia, justifica-se com o facto de estarem a ser concebidas estratégias de dinamização e implementação de novos projectos, tanto de prospecção como de produção.

     

    Relativamente à do segmento semi-industrial, durante o ano 2021, foram recuperados e comercializados 50.750 quilates, gerando receitas no valor de 7,10 milhões de dólares. Em 2020, foram recuperados e comercializados 30.041 quilates, obtendo como resultado 2,98 milhões de dólares. o que significa um aumento de 69 por cento em termos de quilates e 138 por cento em termos de receitas.

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