Sentimento Maior

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Quando o assunto em questão paira sobre os sentimentos, a inquietável pergunta que atiça qualquer mente é: Qual dos sentimentos existentes é o maior?
Será o amor, o ódio, a inveja, a cobiça? Qual deles nos deixa mais conectados à outrem ao ponto de termos premonições quando algo estiver a acontecer? Qual?

Após muitas invenstigações, cheguei a conclusão que nesse mundo não existesentimento maior ao que os polícias de trânsito de Luanda sentem pelos condutores automobilísticos. Minha “jimanas”, “mô jimãos”; vocês sabem que os meus estudos não estão errados! É algo peculiar, meio que inexplicável.

Quando estás com todos os documentos em dia, ninguém te para. Podes meter uma cara de parvo, muito sério, descontraído, atento, podes até dançar kabetula sem pegar no volante. Eles não vão te parar nunca para averiguar a sua documentação. É como sepressentissem.
Mas esquece só qualquer lenha em casa. Deixa só numa pasta qualquer. Perde só um documento. Ah! Vais saber bem! Hás de sentir o luxo a entrar em sua vida. É que o“bongô” só não se atira já no asfalto por sorte, quando estás prestes a passar por ele. Porém atinge velocidades supersónicas, tais como a do Jet Li no filme “The One” só para te multar. Você vê ele a vir à distância, abrindo alas, os lábios murmurando a dor de te ver passar, a concordar com o Waldemar Bastos, és bom como o milho, enquanto se desprende dele um sonoro não, te seguindo como se fosses a salvação da vida dele, a manteigar o pão, sabendo que tu certamente vais dar aquela gasosa bem gelada. E quando ele te alcança…
Em certas ocasiões até, nem precisas esquecer nada em casa. Basta mesmo cismarem contigo, e já está. Ele começa:
– Faculte-me a sua carta de condução e os documentos da viatura.
E tu obedeces. O polícia constata que está tudo bem com os documentos; começa a inspecionar a viatura e não tem como, está tudo bem novamente. Aí, ele aproxima-se novamente de si, e dá um grande golpe: A sua pen-drive, começas a tremer, estás perdido, acho que te apanharam. Mas por qualquer “fesada”, encontras uma pen-drive e entregas ao polícia. Que afronta! Ele concentra-te bem, e no coração dele diz: Já sei como te apanhar… E como um passo de mágica, ele grita: Queira ceder-me imediatamente o seu disco do Coréon Dú! “Game Over”! Hora de facultar a “paca”.

Depois da árdua e complexa negociata, só uma dica cintila em sua cabeça: Como é que com tantos carros a passar ele só viu à mim? Esses “kotas” têm feitiço. 
Tipo nada, mas ele te mete “memo” a cantar o “dibinguilê”.

Parece brincadeira “nê”? Mas não é! É uma situação triste, porém, os nossos trânsitossão “ngapas”! Yá, são “grandas xiras”. Eles amarram umas “mabangas” no peito e umas cordas na cintura, no pulso e no tornozelo. Sempre que um desencartado passar a frente deles, as cordas começam a apertar. 
Existe uma certa hierárquia. Se o interpelado estiver rebentado (sem a “uata”), a corda do pé aper
ta; quer dizer um “kumbú” de leve, nada de mais. Quando estás com duas infracções e tens dinheiro, a corda da mão não só aperta, como também ajuda o polícia a apontar o infractor com precisão. E se o indíviduo está com muita massa mesmo, as mãos do senhor agente ficam super geladas, sangue “quas” que “num” passa lá mais e começa já a bater palmas automaticamente.


E assim eles conseguem distinguir quem deve ser o escolhido em cada operação stop. Agora… Quando entras na contramão, passas o vermelho ou tentas fugir à um agente motoqueiro! Ah mamamamamamamamamã! Lelô, aka suku yanguê! O polícia já “ua futuka”, a encostar com uma cabeça bem grande tipo dólar!
As “mabangas” dos “políces” começam já a chacoalhar, eles ficam todos vascolejados, e… Aí sim, a corda que ele tem na cintura começa a apertar, quase que se dá o primeiro caso mundial de asfixia cintural. Para acabar com tudo, calha-te num fim‑de‑semana; assim que ele te agarrar, só não mete a mão dele no teu bolso por dádiva alguma do além; você não há de lhe dar apenas uma gasosa, mas sim a famosa fórmula secreta da Coca-Cola! Vais ter que largar o salário “memo” aí no terreno, senão; bem eu acho que vocês sabem bem o que acontece à quem é avarento nessa terra.

“Num” podemos estar só aqui a se mentir, Vamos Lá Ser Sinceros meus caros camaradas!
O pessoal tem o hábito de reclamar bwé, ah porque eu “memo”, eu “memo”, esses senhores são corruptos, só querem gasosas para comprar cervejas e outros parlapiês de “matuje”. Verdade seja dita, se eles não fossem complacentes com a concessão de multas de baixo custo, até eu que mando muita boca, já não teria a minha carta de condução. Há muito que eu mereço perder o meu baralho.
O trânsito quando te para e detecta uma anomalia, o “talo” condutor anti-corrupção é que começa a fazer olhos de boneca ao agente. É homem como você que se afirma heterossexual, um homem para as mulheres que dizem que não se vendem, mas ainda assim o tentam seduzir. “Pra” quê? “Num” é já você o “mudador” de atitudes? Só quando a batata está fria, não é? “Pro causa proque” não pedes para te multarem bem? Ham? Não pedes para levarem-te até à esquadra de maneiras a limarem-te bem o teu cabedal, darem um jeitinho na tua “muchachala” com uns bons números astronómicos porquê? Criticas, mas quando as cordas apertam para o seu carro, preferes dar uma de “Kota” Ferve!

Deixemos de “tar aqui a brincá cô vida”, vamos ser sinceros com a nossa realidade e amar os polícias do mesmo jeito que eles amam à nós.
E tenho dito!

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