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“Temos que nos preocupar com a formação do andebol de base para não termos problemas futuros”, destaca Isabel Guialo

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A capitã da Selecção Nacional de Andebol Feminino, Isabel Evelize Wangimba Guialo Catala, de 31 anos de idade, natural de Luanda, município do Sambizanga, que começou a sua aventura no mundo do desporto, ainda na pré-adolescência, na altura mudou-se para o Cassequel do Buraco com os pais.

Durante o seu percurso, Belinha, como é também conhecida, conta que começou a treinar nos pequenos escalões do complexo desportivo do Atlético Sport Aviação (ASA), com algumas dificuldades em conciliar os treinos, as aulas e as viagens para jogar ao mais alto nível, conseguiu ultrapassar todas as barreiras e hoje é umas das melhores jogadoras à nível de competições nacionais e internacionais.

PLATINALINE – Conte um pouco sobre a sua história de vida e a sua carreira profissional. Como tudo começou?

ISABEL GUIALO – A minha carreira começou quando tinha 11 anos, era uma menina estudante com sonho de ser uma doutora, graças a Deus surgiu uma oferta para praticar o desporto e daí iniciou um novo sonho para a minha carreira profissional no clube do Atlético Sport Aviação. Passei pelo Petro, por empréstimo, e hoje sou atleta do Primeiro de Agosto. Tive uma infância feliz, apesar de enfrentar algumas dificuldades, mas com o suporte dos meus pais e Deus aqui estou e sou quem as pessoas apreciam actualmente.

PLATINALINE – Por quê paixão pelo desporto, especificamente o andebol? Sentes que foi um sonho desde a infância ou teve alguém próximo (ex:. familiar, amigo, figura desportiva) que lhe serviu como fonte de inspiração ou motivação?

ISABEL GUIALO – Comecei porque alguém ia buscar meninas nas escolas, e essa mesma pessoa fez-me um convite para jogar no Clube Asa e logo foram falar com os meus pais, e eles sempre me apoiaram, daí surgiu o amor pelo desporto e em especial o Andebol.  Esse caminho ergueu-se no momento em que iniciei a praticar e actualmente digo que é um sonho e sou grata por tudo que conquistei na minha vida, graças ao Andebol.

PLATINALINE – De todas as competições e conquistas feitas a nível da selecção nacional e de clube, qual foi o momento mais marcante da sua carreira?

ISABEL GUIALO – Eu tenho muitos momentos marcantes e dizer que, para mim é sempre um prazer representar a selecção nacional e o Clube Desportivo Primeiro de Agosto, não posso esquecer quando fui chamada para jogar em selecções fora de Angola, onde estão todas as melhores do meu país, isso marcou muito a minha carreira, tornei a jogadora mais valiosa de África, Melhor central do campeonato e MVP do último campeonato Africano 2021.

PLATINALINE – No que concerne a sua carreira profissional se sente realizada e achas que já conquistaste tudo?

ISABEL GUIALO – Sobre sentir-se realizada eu digo que sou muito grata e agradecida com a vida. Eu sinto que aqui em África já conquistei tudo na minha carreira, já fui eleita: Melhor central de África, Melhor lateral de África, Melhor marcadora, MVP do campeonato nacional, MVP de África, Melhor marcadora do último mundial pela Selecção, Eleita Globos de ouro vencedora, Diva do desporto, Prémios colectivos. Tudo isso graças a Deus e as minhas colegas porque sozinha não seria possível.

PLATINALINE – Será que os clubes, os directores e os agentes desportivos têm valorizado a carreira profissional de andebolista?

ISABEL GUIALO – A direcção toda e os nossos executivos e directores valorizam, mas acho que devem valorizar mais os desportistas, em especial o andebol feminino. Eu como jogadora sinto que falta mais atenção e valorização do nosso trabalho e esforço, mas ainda assim temos o apoio dos nossos dirigentes.

Quanto aos Agentes, eu sinto que no mercado angolano os agentes não se fazem sentir por quê?

Porque o mercado angolano não oferece muito aos jogadores para terem um agente desportivo, diferente da música angolana, eu tenho um agente, mas o meu contrato é simplesmente quando estiver a jogar na Europa.

PLATINALINE – Como vê ou descreve o estado do andebol em Angola numa perspectiva actual e futura?

ISABEL GUIALO – Digamos que o nível está a cair muito, mas também é cedo para dizer que não teremos um futuro bom. O que devemos pensar juntos, agora e como será o Andebol daqui há uns anos, temos que nos preocupar também com a formação do andebol de base, preparar melhor os escalões para não acontecer o que está a passar com o basquetebol devido essa situação de perder três africanos, já no basquetebol tínhamos grandes jogadores, atenção não quer dizer que não temos, mas precisamos sempre olhar para as nossas bases em todas as fases das nossas vidas, para não acontecer o mesmo no Andebol. Também é importante salientar que não devemos só formar boas jogadoras, também é importante formar mulheres e homens para sociedade e futuro de amanhã (África).

PLATINALINE – Visto que és uma andebolista com um percurso de carreira à nível de clubes nacionais (1º D’agosto, ASA) e internacional (Fleury Loiret), em termos de organização, exigências e concorrência nas competições, que apreciação fases dos campeonatos nacionais e internacionais?

ISABEL GUIALO – A nível nacional joguei no Asa, Petro, Primeiro de Agosto. Internacional joguei em alguns clubes da Espanha, Hungria e França.

É totalmente diferente a nível de estruturas, organização do campeonato, números de equipas, os jogos são mais competitivos e você como jogadora cresce, em Angola temos poucas equipas e o nível de competitividade infelizmente ainda é muito baixo, porém, temos jogadoras com grande potencial mesmo com o nosso nível de campeonato e a prova disso é que temos metade da selecção nacional a jogar em Angola.

PLATINALINE – No que concerne à tua carreira profissional, tens tido apoios da família, amigos, colegas? E qual foi a reação deles ao saberem que tu decidiste seguir ou te dedicares à carreira de andebolista?

ISABEL GUIALO – Graças a Deus tudo vai bem desde pequena, os meus pais sempre me apoiaram em todas as formas e os meus irmãos em especial, amigos e até o meu fã clube na derrota e na vitória sempre estão comigo, as minhas colegas de quadra que sofremos juntas, estou e sou muito grata por tudo. Sobre essa decisão no princípio foi difícil, os pais quando vêem que os filhos não vão à escola já se preocupam, o mesmo aconteceu com os meus, foi difícil conciliar as aulas com os treinos, porém os meus progenitores sempre deram força, essa decisão foi da família.

Por: Adilson Muanza

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