A magia daqueles cruzeiros de sonho retratados por Hollywood, em enormes iates com incríveis suítes e salões, segue existindo hoje graças a uma frota de navios, como o “Queen Elizabeth”, onde se respeita ao máximo o luxo, o dinheiro e a beleza daquelas grandes excursões de antigamente

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O Queen Elizabeth tem 294 metros de comprimento
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Rainha Elizabeth durante o batismo do navio que leva seu nome

“Deus abençoe o ‘Queen Elizabeth’ e todos aqueles que naveguem nele”. Com estas palavras, a rainha da Inglaterra inaugurou no último dia 12 um dos maiores transatlânticos do mundo, a última aquisição da empresa Cunard, uma frota de elite composta pelos navios mais potentes e modernos, nos quais, na tentativa de recuperar os grandes cruzeiros de antigamente, cuidam dos mínimos detalhes.São tempos de cruzeiros. Desde Carolina de Mônaco e seu atraente Pachá, até Belén Esteban subindo de burro até um alto povoado durante uma escala em seu cruzeiro, há muitas formas de fazer um cruzeiro, e algumas não têm nada a ver com os gigantes navios que parecem arranha-céus dispostos na horizontal.

Um navio de fina estampa
Nada a ver com a estampa que ilumina o recém-inaugurado “Queen Elizabeth”, que chega para substituir o já aposentado “Elizabeth 2”, o “Queen Mary 2” e o “Queen Victoria” e que tem 294 metros de comprimento, 32,25 metros de largura e uma capacidade de deslocamento de 99 mil toneladas, ao custo de US$ 1,1 bilhão.

As passagens foram postas à venda em 1 de abril e esgotaram em menos de meia hora. E isto levando em conta que o preço da diária para as suítes de classes superiores oscila entre US$ 7 mil e US$ 14 mil dólares por pessoa. Um pequeno inciso: para 2 mil passageiros há quase 1 mil tripulantes.

Isto é viajar como reis, ou como se transportar aos anos dourados dos transatlânticos, quando centenas de filmes eram rodados nesses navios de sonho onde havia tempo e lugar para tudo, incluindo o romance dos protagonistas. 

Naqueles tempos em que Marilyn Monroe dava pulinhos diante de um diadema de diamantes ou em que Audrey Hepburn era solicitada na cobertura para que ajudasse a colocar o chapéu em Humphrey Bogart, o objetivo primário da viagem era ligar dois continentes. Agora, graças à velocidade de outros meios, as empresas não dão tanta importância à rapidez, mas sim ao tamanho, ao excelente serviço, ao luxo e aos pequenos detalhes para com os viajantes. 

Os grandes transatlânticos da empresa Cunard são inspirados nos primeiros navios de luxo alemães de antes da Primeira Guerra Mundial. Assim foi introduzido o conceito de luxo na navegação marinha, na qual figura a maldição do “Titanic”, mas também o Mauretania. 
O “Queen Mary”, o primeiro destes grandes navios da empresa Cunard, está atracado nos Estados Unidos servindo de atração turística com guias especializados. Há entre os visitantes interessados em atividades paranormais, já que os grandes navios são considerados um dos ambientes com mais incidência deste tipo de fenômenos. 

O esplendor de um imenso hall cercado por nobres degraus
Tanto o “Queen Mary 2” como o “Queen Victoria” e o “Queen Elizabeth” contam com um imenso e impressionante hall, com sua clássica “Royal Arcade”, a escada que cerca a arcada central e que é um símbolo desta frota e do seu luxo peculiar. 

Outra das particularidades comuns a toda a frota é o culto ao relaxamento do corpo, com instalações e serviços à altura de qualquer centro especializado. Mas o “Queen Elizabeth” possui, além disso, uma ampla biblioteca envolta totalmente por madeiras nobres, ao estilo britânico e com uma grande quantidade e variedade de títulos clássicos e novidades editoriais. 
A cobertura para jogos é uma imensa sala com teto transparente, o que provoca a sensação de estar ao ar livre para praticar todos os esportes tradicionais ingleses, desde o críquete ao pádel. 

A mesma sensação de sentir-se ao ar livre, mas desta vez ar-condicionado, é encontrada no “Garden Lounge”, um lugar espaçoso e relaxante, inspirado nas clássicas estufas inglesas e relaxante a qualquer hora do dia ou da noite.

Espetacular é a palavra que sempre acompanha os grandes teatros destes navios, onde se pode assistir desde a obras de teatro até a dança, balé, grandes musicais e etc. O Royal Court Theatre do “Elizabeth 2” não podia ser uma exceção e ali se celebra todos os dias uma produção feita sob medida para este lugar e para seu público. 

E assim, detalhe a detalhe, vai sendo conjugada toda a série de atrações para os viajantes, que podem começar com “O Chá da Tarde”, boa ideia para uma jornada britânica em um navio à altura de suas majestades. Para isso, há o “Queen’s Room”, sala cercada por quadros. 

Ser britânico e não ter um clube parece algo estranho. E é. Em qualquer destes grandes navios há um ou vários espaços dispostos para uma tranquila conversa e música suave. E no “Elizabeth 2” encontramos o Yacht Clube, o Clube Commodore e o Bar Midships, nomeado assim por ser um popular local de reunião no “Queen Elizabeth” original. 

No mais puro estilo de um pub inglês há o Golden Lion Pub, perfeito para se tomar as famosas pints e desfrutar de uma típica comida de taverna, com salsichas acompanhadas de purê ou as clássicas “fish and chips”. 

Cada um em sua própria casa
As classes de alojamentos são muito variadas. Pode-se encontrar desde uma suíte interna, ou seja, sem acesso à luz natural, a uma exterior iluminada por uma clarabóia, passando pela que tem uma varanda externa e é considerada básica. Mas a partir daqui, tudo pode melhorar. Até chegar ao apartamento de 137 metros quadrados com dormitório na parte de cima, varanda grande e dois banheiros de mármore. O número de estrelas da suíte vai de acordo com a restrição ao acesso das diferentes zonas do navio. 

Assim, enquanto o Britannia é o restaurante principal de cada transatlântico, existem pequenas “cantinas” para os que têm pacotes especiais. O mesmo ocorre com alguns pequenos bares.

No navio existe ainda toda uma área dedicada aos animais de estimação, sob a supervisão do chefe do canil. Antes de começar a viagem é preciso revisar o programa para conhecer os numerosos eventos que serão realizados durante a travessia, já que há aqueles que exigem traje formal. Há também os eventos onde a roupa pode ser informal e outros pensados para ir de maneira casual.

Nota da redação: havia um erro de informação da Agência Efe nesta matéria, que foi corrigido. Segue nota a agência.

Realmente houve na reportagem o erro apontado por alguns leitores. O maior transatlântico do mundo não é o “Queen Elizabeth”. O título pertence atualmente ao “Oasis of The Seas”, da empresa Royal Caribbean. 

Alteramos o texto trocando a expressão “maior transatlântico do mundo” por “um dos maiores transatlânticos do mundo”. 

fONTE: Agência Efe

Por Mercedes Cerviño, da EFE