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    Início»Música»Analise»Andre Mingas Conheça A Doença que vitimou o Homem da Cultura
    Analise

    Andre Mingas Conheça A Doença que vitimou o Homem da Cultura

    Rosa De SousaPor Rosa De Sousa12 de Outubro, 2011Sem comentários9 Minutos de Leitura
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    O músico e compositor angolano morreu esta terça-feira no Brasil, país onde viva actualmente, de cancro do estomago ,  André Mingas tinha 61 anos. a Platina Line recorreu a Literatura medica, para explicar e esclarecer como se processa essa doença. 

     

    Cancro do estômago

    Veja tudo o que deve fazer (ou não) para evitar esta doença

    O cancro do estômago ou gástrico é, na esfera dos tumores do tubo digestivo, o segundo mais frequente.  deste tumor. No entanto, os especialistas asseguram que é possível preveni-lo.

    Nas últimas décadas, tem-se assistido a uma diminuição na incidência do cancro gástrico. Situação que pode ser consequência de termos cada vez mais acesso a informação sobre o que devemos e não devemos comer, bem como da redução do consumo de tabaco e da consciencialização de que é necessário estar em forma.

    Todos estes factores, somados à erradicação da bactéria Helicobacter pylori, considerada uma das principais causas deste tumor, diminuíram a sua incidência. Assim sendo, parece quase óbvio que a prevenção (e a informação!) sejam as formas mais acertadas para tentar diminuir a mortalidade por este tipo de cancro.

    Factores de risco

    As investigações mais recentes descreveram vários factores de risco que podem levar ao desenvolvimento de um cancro gástrico, apesar de se desconhecer ainda a forma como estes factores fazem com que as células que revestem as paredes do estômago se tornem malignas.

     

    Conheça agora os principais e mais perigosos inimigos

    Infecção por Helicobacter pylori

    É a principal (mas não a única) causa de úlcera, tanto no estômago como no duodeno. Trata-se de uma bactéria que se adquire durante a infância. Apesar de produzir uma pequena inflamação, na maior parte dos casos é assintomática, pelo que passa despercebida.

    Reside no estômago humano, sendo o único organismo conhecido a conseguir sobreviver num ambiente tão ácido. Estima-se que mais de dois terços da população ocidental esteja infectada pela bactéria e, nos pacientes com cancro do estômago, a taxa desta infecção é maior.

    Constatou-se ainda que uma alimentação rica em sal aumenta a agressividade deste microorganismo.

    Alimentação

    Alimentos fumados, peixe e carne salgados, e vegetais conservados em vinagre aumentam as probabilidades de padecer deste cancro.

    Consumo de tabaco

    O hábito tabágico aumenta o risco, particularmente na zona mais próxima do esófago. A taxa de cancro do estômago duplica no caso dos fumadores.

    Obesidade

    O excesso de peso foi identificado como outra causa possível de cancro do cárdia (abertura superior do estômago).

    Anemia perniciosa

    Algumas células do estômago produzem uma substância necessária à absorção de vitamina B12 dos alimentos. Se esta falha, a capacidade que o organismo tem de produzir novos glóbulos vermelhos é afectada. É a chamada anemia perniciosa. Existe um risco ligeiramente elevado de incidência de cancro para pacientes com esta doença, que é rara.

    Gastrite crónica atrófica

    É uma gastrite com atrofia da mucosa e que é facilitadora do aparecimento de cancro gástrico.

    Certos tipos de pólipos estomacais

    Os pólipos são excrescências não cancerosas no revestimento do estômago. Na maioria dos casos, não aumentam o risco de cancro do estômago, apesar dos pólipos adenomatosos (também chamados adenomas) poderem, por vezes, tornar-se malignos.

     

    Infecção por vírus Epstein-Barr

    Provoca mononucleose infecciosa. Quase todos os adultos foram infectados por este vírus em algum momento das suas vidas, vírus esse que está associado a algumas formas de linfoma. Estima-se que entre 5 a 10% dos pacientes com este vírus possam vir a padecer de cancro do estômago.

    Sexo masculino

    É mais frequente em homens do que em mulheres.

    Envelhecimento

    Depois dos 50 anos de idade, a incidência aumenta brutalmente. De facto, a maioria das pessoas diagnosticadas com cancro gástrico encontram-se numa faixa etária que oscila entre os 55 e os 75 anos. ( idade de Andre Mingas)

    Grupo sanguíneo

    Por razões desconhecidas, as pessoas cujo grupo sanguíneo é do tipo A têm um risco acrescido.

    Factores genéticos

    Algumas síndromes genéticas são acompanhadas de um risco maior de cancro gástrico, apesar de esta correlação ser pouco frequente.

    Factores familiares

    A incidência é duas a três vezes maior em pessoas com vários familiares diagnosticados com cancro do estômago.

     

    Como prevenir?

    Actualmente, os riscos de padecer desta doença parecem ter, entre outros factores, origem na alimentação e ingestão de produtos nocivos, tais como fumados, alimentos salgados e conservados em vinagre. Já uma alimentação rica em frutas, saladas e verduras frescas ajuda a diminuir o risco.

    A Sociedade Americana do Cancro recomenda a ingestão de alimentos variados e saudáveis, com ênfase nos de origem vegetal. Acredita-se que o chá, especialmente o verde, pode prevenir o cancro, ainda que não existam evidências científicas que o comprovem.

    Regras básicas da alimentação que ajudam a prevenir este cancro:

    – Incluir diariamente na alimentação, pelo menos, 400 gramas de hortaliças e frutas variadas. Inicie todas as refeições com sopa de legumes variados, adicione sempre verduras ou salada ao prato principal e coma três peças de fruta por dia.

    – Comer cereais (de preferência, integrais) diariamente, leguminosas e batatas, e limitar a ingestão de açúcar branco. 
    É aconselhável ingerir farelo de trigo e de aveia.

    – Comer peixe e aves (três a quatro vezes por semana), e reduzir a ingestão e a porção de carnes a 120-130 gramas por pessoa.

    – Ingerir regularmente lacticínios com pouca gordura (magros ou meio-gordos).

    – Reduzir a ingestão de carnes mais gordas e seus derivados: enchidos, fiambres e patês.

    – Não abusar de alimentos salgados e restringir a ingestão de sal, que não deve ultrapassar os seis gramas diários.

     

     

    Preferir métodos de confecção saudáveis. Grelhados, cozidos ao vapor ou assados no forno são os mais recomendados para a saúde. Evite, na medida do possível, fritar os alimentos, mas se o fizer, utilize a temperatura adequada, deite fora o óleo queimado e não o reutilize demasiadas vezes.

    O azeite e o óleo de amendoim são os mais recomendados (resistem melhor a temperaturas elevadas sem que a sua estrutura seja afectada). Ainda assim, não convém abusar dos grelhados nem dos churrascos, porque quando a gordura se funde com as brasas formam-se substâncias tóxicas que se podem tornar cancerígenas.

    – Aumentar a ingestão de crucíferas. As propriedades anticancerígenas dos brócolos e de outras crucíferas (couve-flor, couves de Bruxelas, repolho, etc.) devem-se, fundamentalmente, ao sulforafano que contêm.Esta substância tem um grande poder antioxidante, muito eficaz contra o cancro do estômago. Tanto o é que um grupo de investigadores britânicos está a criar uma variedade de brócolos três vezes mais rica em sulforafano.

    – Abandonar o tabaco é uma medida importante para prevenir uma infinidade de patologias e, em particular, o cancro do estômago, uma vez que o sistema imunológico dos fumadores é, regra geral, menos eficaz do que o dos não fumadores.

    – O álcool é, igualmente, um factor de risco, principalmente se estiver sujeito ao binómio: consumidor de álcool + tabaco.

    – O uso de ácido acetilsalicílico ou outros agentes anti-inflamatórios não esteróides, como o ibuprofeno e o naproxeno, parece reduzir o risco de cancro do estômago em, pelo menos, 25%.

    Estes medicamentos também podem reduzir o risco de pólipos no cólon e no recto. No entanto, podem causar algumas hemorragias internas e outros riscos potenciais em algumas pessoas. Portanto, é preciso ter algum cuidado e aconselhar-se com o seu médico.

     

     

    Tratamentos

    O cancro do estômago é, frequentemente, detectado em fases avançadas e é tratado em função da localização, tamanho, etapa e extensão da doença.

    Para além disso, também se tem em consideração a idade do paciente e respectiva esperança de vida.

    As opções de tratamento são, principalmente, três:

    1. Cirurgia

    É o tratamento mais comum e depende da etapa da doença. Pode variar entre a remoção do tumor e de parte do estômago, ou seccionar o estômago inteiro. As intervenções mais comuns são:

    – Ressecção endoscópica da mucosa: é realizada em fases precoces, quando o tumor é removido através de uma endoscopia.

    – Gastrectomia parcial: esta intervenção remove parte do estômago e gânglios linfáticos e liga o estômago restante ao intestino delgado.

    – Gastrectomia total: remoção de todo o estômago, bem como dos nódulos linfáticos mais próximos. O esófago fica unido directamente ao intestino delgado.

    2. Radioterapia

    É um tratamento que utiliza raios penetrantes de ondas de alta energia, mais conhecidos por radiação. A radioterapia destrói a capacidade que as células cancerígenas têm de crescer e espalhar-se por zonas específicas do corpo, neste caso, no estômago.

    Em muitas ocasiões, é utilizada depois da cirurgia, para destruir células cancerosas que não tenham sido observadas ou eliminadas durante a cirurgia e, assim, impedir que reste algum tecido tumoral no corpo.

    A radioterapia externa é o tipo de tratamento utilizado com maior frequência para o cancro do estômago. Os raios são direccionados ao tumor a partir do exterior do corpo e o tratamento é administrado cinco dias por semana, com uma duração de cinco minutos por sessão, durante cinco ou seis semanas.

    As investigações actuais estão a estudar a utilização de uma aplicação intraoperatória de electrões para o cancro do estômago, que combina quimioterapia e radioterapia. O abdómen é aberto durante a cirurgia e, depois de se extrair grande parte do tumor, projecta-se uma grande dose de radiação directamente no estômago e áreas circundantes.

     

     

     

    3. Quimioterapia

    É um tratamento sistémico, uma vez que o medicamento é introduzido na corrente sanguínea, circula pelo corpo, chegando aos órgãos directa e indirectamente afectados. Por isso, consegue eliminar as células cancerígenas que se tenham propagado (metástase) a outras partes do organismo.

    Abranda a proliferação tumoral, previne a recorrência e proporciona o alívio dos sintomas, apesar de ser uma terapia agressiva que pode causar queda de cabelo, vómitos, náuseas…

    Estudos recentes revelam que a combinação quimio + radio (ou quimioradiação) administrada em pacientes logo a seguir à cirurgia aumentou a sobrevivência em cerca de 50% dos casos.

     

    A par da música, André Mingas, arquitecto de formação, dedicou parte da sua vida à política, tendo sido actualmente nomeado cônsul de Angola em São Paulo, Brasil.

    O músico foi ainda vice-ministro da Cultura, tendo durante o seu mandato criado a sociedade de autores Angolanos denominada SADIA, que ainda hoje existe. 

    André Mingas exerceu ainda funções de assessor do Presidente da República de Angola para os assuntos locais e regionais.


    Revisão científica: Dr. Leopoldo Matos (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva)
    A responsabilidade editorial e científica desta informação é da revista

     

     

     


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    Rosa De Sousa

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