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    Músico Carlos Lamartine será figura de destaque no Festival da Canção de Luanda

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    A homenagem ao músico angolano Carlos Lamartine vai marcar o XVI Festival da Canção de Luanda, a realizar-se no dia 20 deste mês, no Cine Atlântico, em Luanda, numa promoção da Luanda Antena Comercial (LAC).

    carlos

    Segundo o director artístico do evento, Paulo Costa, que falava em conferência de imprensa, a homenagem a Carlos Lamartine visa destacar o contributo dado para o engrandecimento da cultura nacional, principalmente à música.

    A homenagem será ainda preenchida com a interpretação dos seus temas pelos 10 concorrentes à fase final, nomeadamente Neide da Luz, Waldemar Cabadi, Elisabeth Mambo, Rui Tomás, Vladimir Macedo, Obadias Correia, Graça Baptista, Nica Caxinda, Teresa Filipe e a dupla Viegas/Euclides. O festival, organizado pela Luanda Antena Comercial (LAC), decorre no âmbito das celebrações dos 21 anos de emissão dessa estação radiofónica.

    Com 70 anos, Lamartine foi um dos fundadores dos grupos “Os Kissuekeia” e “Macacos do Ritmo, tornando-se posteriormente vocalista dos “Águias Reais.

    Politicamente engajado, Carlos Lamartine representa uma geração que elegeu como princípios básicos de criação artística o tratamento e valorização do cancioneiro popular, a exaltação da história política de Angola, a liberdade, a emotiva celebração da independência e a defesa dos valores culturais da africanidade.

    Carlos Lamartine acompanhou os momentos mais importantes da história da Música Popular Angolana, desde o “período de ouro” da época colonial, passando pela fase da independência, até à contemporaneidade, e vem construindo uma carreira que, embora valorizando a pluralidade estilística e conceptual da modernidade musical, defende um segmento artístico que o próprio designa de “música angolana de raiz popular”.

    O horizonte poético da esperança, a evocação aos heróis da luta de libertação, o retorno aos costumes da tradição, o apelo à unidade dos homens e a denúncia das injustiças sociais, constituem os temas nucleares das canções de Carlos Lamartine, muitas das quais fazem parte da memória colectiva dos angolanos.

    O início da carreira Carlos Lamartine começou a sua carreira musical em 1956, com o grupo “Kissueias do Ritmo”, conjunto musical formado por Nando Kajibota (caixa), irmão do Antoninho “Parte os Cornos”, do “Kituxe e seus acompanhantes”, Barceló de Carvalho (vocal e harmónica), David André (Tizinho, vocal), João Gonçalves (bailarino), e Inácio (dikanza e chocalho).

    Carlos Lamartine iniciou os estudos primários na Escola da Missão de São Paulo, em 1953, passou pela Escola da Liga Nacional Africana, e ingressou no Liceu Nacional Salvador Correia, em 1956. Passou ainda pelo Colégio da Casa das Beiras (1962-1963), tendo concluído, com êxito, a secção de letras do curso geral dos liceus.

    José Carlos Lamartine Salvador dos Santos Costa, nasceu em Benguela, no dia 29 de Março de 1943.

    Carlos Lamartine fez parte ainda, de 1962 a 1964, como tamborista e vocalista, do conjunto musical os “Makoko ritmo”, e enveredou depois por uma carreira a solo, fazendo-se acompanhar pelos melhores conjuntos angolanos da época, de 1965 a 1970, incluindo o conjunto os “Kiezos”, grupo onde veio a substituir, temporariamente, o cantor Vate Costa, seu irmão, depois da sua prisão, na sequência de uma acusação no processo do caso “Milhorró”, uma canção que a ditadura colonial considerou ousada e subversiva.

    Em 1970, Carlos Lamartine foi a voz principal do conjunto “Águias-Reais”, com Manuelito (viola baixo), Gregório Mulato (percussão, nos bongós), Gino (Guitarrista solo), somando uma série de êxitos, num dos mais importantes grupos musicais luandenses, que existiu até aos finais dos anos setenta. Na sua carreira a solo, Carlos Lamartine passou a ser acompanhado e gravou, de 1973 a 1977, com o conjunto os “Merengues”, e participou em diversas tournées nacionais e internacionais, com o emblemático conjunto Kissanguela.

    A canção política Carlos Lamartine distinguiu-se de 1974 a 1977, o célebre período da canção política, como intérprete e compositor e da sua obra ficaram conhecidas, pelo grande público, importantes canções, entre as quais “Ene” (eles), “Ó dipanda wondo tula kiá” (a independência vai chegar), “Zuatenu milela iá xikelela” (vistam-se de panos pretos), “Kimbemba” (canção dedicada a Agostinho Neto),”Pala ku nu abessa ó muxima” (venho cantar para vos agradar), “Etu tuana ngola tua solo kiá” (Os filhos de Angola já escolheram o MPLA), e “Ene ando builé” (Eles, referência aos portugueses, hão-de se cansar).

    Obra discográfica Carlos Lamartine gravou o seu primeiro single em 1970, com a etiqueta “Ngola”, um disco que inclui as canções: “Bazooka” e “Jesus dialá uá kidi”. Em 1974, surge o LP “Angola no I”, um monumento discográfico da canção política, com a etiqueta da CDA, gravado com o conjunto “Merengues”.

    Depois de um longo período de silêncio discográfico, cerca de 23 anos, surgiu seu primeiro CD, “Memórias” (1997), com a etiqueta RMS, Produções Musicais, disco que voltou a projectá-lo no quadro dos intérpretes mais prestigiados da Música Popular Angolana. Deste disco destacamos o semba, “Nvunda ku musseque”, que foi um dos seus grandes sucessos.

    Com o CD “Memórias”, Carlos Lamartine inicia um processo de fusão e modernização da sua música, interagindo com músicos de diversas escolas, criando um produto musical que atingiu níveis consideráveis de aceitação, junto da geração mais jovem.

    A canção “Kamuine”, do CD “Cidrália” (2001), registou um enorme sucesso, e Carlos Lamartine granjeou grande prestígio, na interpretação de temas do cancioneiro popular.

    Quatro anos depois do lançamento do CD “Cidrália, surgiu o disco “Frutos do Chão, são coisas nossas” (2005), um álbum que privilegiou o género semba, e teve as participações dos instrumentistas Betinho Feijó, Ciro Bertini, Joãozinho Morgado, Cervantes, Carlos Venâncio, Gui Destino, Botto Trindade e da Banda Maravilha. Carlos Lamartine está incluído numa colectânea de cantores e compositores angolanos, denominada “Êxitos de hoje” (1980), editada com o selo da ENDIPU.

    O último disco dá pelo título “Caminhos Longos”, editado e publicado em 2007.

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