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    Do relento ao castelo: Confere o dia-a-dia de Binelde Hyrcan, o artista angolano que percorre Lisboa à Paris a pé

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    Como prometido, aqui estamos para lhe deixar a par do percurso do artista angolano Binelde Hyrcan, que está a percorrer a pé Lisboa à Paris. 

    Na semana passada, conversamos, em live, com o artista e prometemos te actualizar sobre os pontos que Binelde tem pisado e as histórias incríveis que acontecem ao longo do caminho. Para esta semana, o artista conta o seguinte :

    “Há dois dias estava a caminhar… não sabia onde pernoitar, estava a escurecer, ao caminhar, vi duas placas, à direita estava escrita ‘Albergue a 2 Km’, e a outra estava ‘Sabela’ com um outro número, então liguei para o segundo número, uma senhora atendeu e disse-me que não estava disponível e que o albergue estava fechado. Fiquei um pouco triste e disse-lhe que queria um espaço para eu meter a minha tenda, ela disse-me que não estava na zona, mas depois ela disse-me que eu podia meter a tenda em um terreno não muito longe da estrada, que era tranquilo. Montei a minha tenda que já está um pouco rasgada, montei-a ao anoitecer, normalmente é proibido montar tenda cá em Galicia, depois fiz uma sandes de atum (o pitéu tava gato), adormeci e sonhei que estava com frio e a Kelly, minha sobrinha, apareceu para me dar um par de meias, afinal eu tinha mesmo frio e a tenda estava molhada, acordei às 5h da manhã, desmontei a tenda rapidamente e me meti a caminhar… caminhei quatro horas até Palmas del Rei. No local, procurei um lugar onde pudesse lavar a cara, escovar os dentes, carregar as powers banks e o telefone, encontrei um café, com uma lésbica moderna e tranquila. Pedi um café e fiquei lá à espera… às 10 horas, a senhora que me aconselhou a meter a tenda ligou-me e perguntou se dormi bem. Eu disse que sim, ela contou-me que não conseguiu dormir porque pensava em mim (frio, javalis, lobos etc), daí, ela disse-me que se eu quisesse poderia almoçar com ela e o marido, eu disse que sim, rapidamente e, segundo ela, eu poderia tomar um banho e comer algo quente, – (boa ideia, eu estava fobado). Quando o Marido dela chegou, (Carlos, 47 anos), levou-me para casa deles e conheci a Amar (Loira, 43 anos, psicóloga). 

    Ontem acordei em um castelo e hoje fui tomar banho em uma cachoeira…” 

    A viagem continua desafiadora, mas várias pessoas ao longo do caminho têm ajudado a caminhada. Neste momento o artista encontra-se em Galiza ou Galicia, uma comunidade autônoma no noroeste da Espanha, uma região verdejante com uma costa atlântica. 

    Ao artista desejamos sucessos nessa empreitada!

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    A Bombar

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