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    Entrevista Exclusiva Cabingano Manuel

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    A sua vida na televisão começou como actor na primeira telenovela angolana “Reviravolta” em 2002 onde interpretou Marley, personagem que sofria as consequências da guerra. O jornalismo sempre foi uma paixão da fase da adolescência e hoje Cabingano Manuel é há três anos representante internacional da TPA descobrindo a vida dos angolanos na diáspora, as histórias de vida, as rotinas, o dia-a-dia e os sacrifícios dos mangwolés emigrados.

     

    Como surgiu a oportunidade de representar?

     Na verdade já representava no teatro desde os 13 anos, a representação na televisão foi um desafio, que as técnicas do teatro ajudaram a vencer.

    Acha que a sua participação na telenovela “Reviravolta” abriu-lhe portas para os trabalhos que foram surgindo depois do seu primeiro personagem?

    Sim, abriu. A minha passagem no Reviravolta seria muito curta, mas graças a Deus o meu trabalho agradou o Realizador, Alexandre Guimarães, que na altura, sugeriu a autora, Margareth Boury, que escrevesse muito mais para o meu personagem, Marley, sendo que acabei fazendo parte da família principal da novela, namorando a Irina.

    canbinganomanuel

    Qual foi a sua primeira actividade como profissional?

    Na tv foi o personagem Marley, mas importa lembrar que a minha primeira profissão é a docência que abracei ainda com 17 anos.

    Estávamos habituados a vê-lo como actor na televisão, e de repente aparece como repórter na TPA (Televisão Pública de Angola). Como surgiu o jornalismo na sua vida? Sempre foi uma paixão ou surgiu de forma natural?

    O jornalismo era uma paixão de adolescente, que acabou sendo engolida pela representação e a docência. Não surgi como jornalista por ser actor. Surgi de um concurso público da TPA, na altura estava no 3º ano da faculdade de Sociologia, no ISCED, quando vi afixado no placar da instituição, um anúncio dando conta de que a TPA recrutava finalistas do ensino superior dos mais variados cursos, para reforçar o seu quadro de pessoal. Inscrevi-me, passei por todo processo selectivo, até chegar à entrevista, onde inicialmente pretendia trabalhar como realizador de ficção, mas fui redirecionado pelos Jornalistas Manuel da Silva e Isidro Sanhanga, para o jornalismo cultural.

    A quanto tempo trabalha na TPA como jornalista?

     Ligado a TPA, estou desde 2002, na altura como actor. Como jornalista, estou contratualmente vinculado, desde 2007.

     Qual foi a matéria que fez que mais o emocionou?

    Fiz várias reportagens emocionantes, mas o desafio de fazer a cobertura da gala da Miss Universo 2012, em Las Vegas, momento em que a nossa Leila Lopes, entregou a coroa à sua sucessora. Foi marcante, até porque fui pessoalmente convidado pela organização do Comité Miss Universo, dado ao trabalho que vinha fazendo com a Miss Universo.

    Depois de “Reviravolta” participou das mini-séries “Sede de Viver”, “O comba” seguida da novela “Minha terra, Minha mãe” gravada entre Angola e Brasil, vôo directo foi o seu último trabalho de ficção. Desde então vemo-lo através da TPA a exercer a sua actividade como jornalista? E a representação?

    manuelss

    Na representação fizemos uma pausa longa, estudo para dedicar-me apenas a escrever sobre o nosso teatro e para o nosso teatro.

    Conseguirá dividir a ficção com o jornalismo?

    Não está nos planos essa divisão, até porque decidi focar-me no jornalismo, para não andar a fazer as coisas pela metade.

    “Gente da Banda” é um programa, que vai descobrir a vida dos angolanos na diáspora. As histórias de vida, as rotinas, o dia-a-dia e os sacrifícios dos mangwolés pelos cinco continentes. Já alguma vez se identificou com alguma das histórias dos angolanos que entrevistou?

    Muitas vezes. Já reportei histórias de angolanos, que não medem esforços para dar de comer as suas famílias, que esperam por um momento especial para regressarem à banda e reencontrarem os familiares, que passaram por dificuldades inúmeras e vingaram, hoje são empresários, juristas, docentes universitários, economistas e amam de paixão a nossa terra, Angola. Cada história de vida marca-me intensamente de forma diferente.

     Viajar pela América do Sul e do Norte ao encontro de gente da banda mudou alguma coisa na vida?

    Mudou sim, visto que alargou o meu entendimento cultural, conheço mais gente, mais lugares, o que dá ao jornalista, a oportunidade de presenciar ”In Loco”, os factos da história do seu tempo. Isso é fantástico. Também fiz muitos amigos e ganhei o carinho de muitas famílias.

    A quanto tempo esta fora de Angola como correspondente internacional da TPA? E o que representa este cargo?

    Estou já no terceiro ano. Representa uma fase de maturidade profissional, onde os níveis de responsabilidade devem estar sempre em alerta máximo.

    Mudou-se para o Brasil com a família com o objectivo de concluir os seus estudos. Fale-nos da Conclusão da sua pós-graduação em gestão estratégica da comunicação.

    Fiz Gestão Estratégica da Comunicação, a pensar no entendimento da gestão nos nossos órgãos públicos da comunicação social, no marketing, na assessoria, na consultoria e na gestão mais propriamente dita. Quero um dia ajudar a tocar o barco para afrente. Antes mesmo de concluir, dividi a pós-graduação, com o Mestrado em Administração Pública, em fase de escrita da tese, na Fundação Getúlio Vargas, para melhor entender toda a dinâmica da gestão da comunicação nos órgãos públicos, ajudar a elaborar projectos, assessorar, coordenar e dirigir. Quero estar apto, para ser útil na gestão.

    Já alguma vez sofreu na pele o racismo nalgum dos países por onde passou?

    Não ligo para isso, até porque não me olho como negro, mas como ser humano, cidadão do mundo.

    Como é Cabingano em casa, longe das câmaras?

    Em casa, adoro curtir a filha, paparicar a esposa e aproveitar os dias com elas, porque as viagens afastam-nos muito. Gosto de ouvir uma boa música, jogar playstation, ler e estar no vício (redes sociais)

    Quais são os seus projectos para o futuro?

    São muitos. Prefiro não inumerá-los, porque nem costumo busca-los desesperadamente, dia e noite. Gostos da ideia de ver as coisas acontecerem espontaneamente. Costumo dizer que a vida é solidaria comigo.

    Qual foi o último livro que leu?

    Teoria do Jornalismo de Felipe Penna

    Qual foi o país que mais gostou de conhecer?

    O Brasil é um país extraordinário, de uma riqueza cultural imensurável e um povo que não espera pela sua vez para fazer acontecer, pois vai ao encontro da vida.

    Venceu o premio nacional de jornalismo com uma reportagem que fala da historia de um angolano natural do Huambo, residente em Cuba, separado da família biológica por causa da guerra que o país viveu durante décadas. Esperava que fosse ganhar o prémio? O que sentiu e o que representa para si ter ganho um prémio tão almejado pelos profissionais desta área?

    Não esperava, mas sabia que a minha reportagem estaria no mínimo entre as finalistas. Graças a Deus, passou disso e hoje sou o Prémio Nacional de Jornalismo, na categoria Televisão. Senti um misto de alegria e tristeza. Tristeza porque foi um prémio conseguido, quatro meses depois do meu pai, partir desta para a melhor, pois queria muito que ele visse o troféu. Alegria porque é um prémio que chega no melhor momento da minha carreira e na fase mais importante da minha vida pessoal. Vou continuar a trabalhar para manter o nível ou até mesmo supera-lo.

     

    Ângela Cardoso

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