Entrevista exclusiva Com Laton: "Inspirei Muita Gente"

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Os Kalibrados, grupo de Hip-Hop que fez furor no mercado em  Angola com os discos “Negocio Fechado” e “Cartas na Mesa” anunciam para breve a sua volta para o panorama musical.

 

 

Em conversa com a PLATINA Line  o integrante do grupo Kalibrados, Laton informou para todos os seus fãs e amantes do estilo Hip-Hop que os Kalibrados não “morreram e não precisam de se preocupar porque o grupo voltará para «kalibrar» o mercado”. leia Entrevista Completa 

 

 

Vamos começar pelo que seria o fim da entrevista o que é ser pai Laton?

É  uma responsabilidade, uma alegria, um orgulho, uma felicidade incomensurável, uma nova etapa, forca para acordar de manha…é  muita coisa, façam também se ainda não tem…

 

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Que conselhos pensa em dar para seu filho?

repassar os mesmos que me foram dados…valores e virtudes…o mundo dos dias de hoje tem uma dinâmica diferente, eu quando nasci em 85 não havia telemóvel e internet era só no FBI, a minha filha não tem 2 anos e já tem um Ipad, e sabe usa-lo! Mas acredito que um dos conselhos que ela tem de saber desde tenra idade é  que  ela pode ter e ser o que quiser   mas terá de fazer sacrifícios e escolhas…e que nem tudo se aprende na escola…

 

 

 

 

Você pretende ser um pai presente na vida seu filho?

Não posso pretender algo que  já sou…eu estou e sou presente na minha vida familiar…agora ainda mais, pois  o grupo tem estado parado sem digressões…e com àquilo que  represento socialmente posso fazer o meu hustle(trabalho)  à partir de casa! passo mais tempo em casa com a família e a tratar dos assuntos da casa…

 

Como é sua relação com sua família?

É  boa…eu sou um homem de família, sou de uma família com hábitos fortes de família!

 

 

Achas que Hip Hop Esta a Morrer  em angola ?


O hip hop não  esta a morrer porquê  o hip hop somos…mas está  numa fase dura.

 

 

 

A quanto tempo faz beats e qual foi a tua grande primeira produção?

 


Faço beats desde 1999, vim de Lisboa viver para Luanda e na tuga já fazia parte do movimento hip hop não  como mc , nem como produtor mas como grafwriter…tinha 13 anos! Cheguei na nguimbi com aquele  espirito da rua inexplicável…o primeiro gajo do hip-hop que   conheci foi o MCK, que  naquela altura já andava com boni, o Mck levou me ao Raf Tag, do Raf conheci o samurai depois o bob, e num curto espaço de tempo tinha os gajos mais activos do movimento todos lá em casa a gravar…mas nessa altura eu era Mc  e não produtor é  importante que se tenha isso em nota!

 

Depois conheci o samurai e em simultâneo o bruno almeida que era meu colega de escola…já já vão perceber porque que   estou a “dar tanta volta”. Quando  o Raf me levou ao samurai, eu vi pela primeira vez alguém que  eu pudesse tocar, a criar um beat ali, a minha frente fiquei encantado e pensei pra mim, “Também Quero”! Na escola não me calava com  historia da produção, e um Colega meu disse-me que  tinha um programa que eu pudesse fazer os meus beats, e foi ai que  tudo começou, o Sam apesar de não me dar o software ensinou me o básico não me deu nenhum sample dele mas deu-me os nomes de alguns artistas e dai ninguém  mais me parou! A minha primeira grande produção não foi tipo uma musica, foram alguns beats…produzi logo de primeira uns tantos beats, e a reação do pessoal foi o que  eu considerei ser a minha grande produção!

 

Desde então eu deixei de dropar porque eu tinha condições pra produzir e gravar, e o resto do pessoal para além de serem mais antigos tinham mais blocos de letras e eu como me tornei fã  de muitos deles, decidi dedicar todo o meu tempo a produzir e a captar para os outros…

 

 

Quais são as tuas principais inspirações?

Busco inspiração na vida nos sonhos, nas frustrações, e preparei os meus ouvidos pra captar tudo q produz som…não ouço  nada sem que primeiramente eu não veja uma forma de samplar se o mambo me kuyar.Apesar de já teres sido conhecido nas lides do Rap nacional, não há duvidas que o álbum dos Kalibrados foi a principal estrada para o reconhecimento. Quer comentar?

vamos por as coisas assim: eu já era conhecido, muito reconhecido e bastante respeitado nacional e internacionalmente…num circuito fechado, mas é  obvio que essa sustentabilidade toda ganhou outra proporção depois do negocio fechado, depois do negocio fechado a notoriedade ascendeu a um patamar inigualável…haviam produtores como Heavy c e o  Sandocan que eram na altura os supostos melhores e eu, o Laton que  veio do under ultrapassou com a fasquia…mas tenhamos atenção que  na mesma altura eu tinha produzido Lawilca e Killa hill…tudo isso da sustentabilidade…

 

 

 

Laton e outros produtores têm sido alvos de “acusações” sobre “supostos” plágios”.  Quer abordar sobre o mesmo ?

Acho que  esta entrevista é  para os entendidos da matéria, e como tal, sabemos que essa treta de plagio eh tudo menos conversa para se ter quando se fala de Hip Hop,  Sampling é a essência dessa shit! Se para o  Miguel Neto e a corja do plagio moto é  atrativo pra audiências, é pá  só temos que  mandar um fu*** you ou ignorar…

 

 

tua opinião como esta o hip hop nacional (evoluiu ou piorou)?

O Hip Hop não piorou…esta numa fase complicada, e temos de ver as coisas desse prisma: new commers vão sempre existir…a nova escola nunca morre, agora o que  faz a nova escola é  que  pode ou não agradar os pioneiros, eu já fui pioneiro, hoje sou veterano! O hip hop nacional esta sob influencia directa dos Estados Unidos…os putos andam vidrados com Swagg e young money… e o pessoal do movimento acaba sempre por ter muito beef para  fritar…o rap consciente sempre teve de lutar o dobro e apesar de ser difícil vamos tendo exemplos de pessoal firme nas dicas, só lhes falta aquele toque, de uma forma geral o pessoal  aqui é  muito alienado…estamos numa fase menos boa mas não  concordo que não haja evolução!.

 

 

 

 

Como é a relação do Laton com outros produtores nacionais?

Digamos que eh boa, dou-me com a maioria dos produtores, e sou amigo dos melhores! vim de uma “escola” de Hip Hop, isso eh importante pra te desenvolveres e eu desenvolvi muito o Hip Hop under quando  era under a nível de produção,  elevei ainda mais a quando do sucesso dos Kalibrados, inspirei muita gente…infelizmente os produtores nacionais que  também são rappers ou Mcs acabam por ser e fazer figuras tristes, embora tenham criatividade pecam grave pela cegueira dos seus egos…

 

 

Como é que o Laton faz os beats,  como é o seu processo de produção, que método e materiais utiliza e tem noções didáticas de musica ?

Desde que  entrei na Mad Tapes ate aos dias de hoje muita coisa mudou…menos a assinatura que não foi inventada mas que me é  natural, ou seja, os meus beats são reconhecíveis de ouvido! Em 2004 eu produzia todos os dias, deixei de andar de bicicleta, patins, vendi as Playstations,  os gameboys, deixei de jogar, larguei tudo! O meu processo de produção varia, vou explicar sempre pelo antes e o depois para que  se perceba…na aquela altura eu dava  os beats com os mcs com samples, ou seja, queres beat do Laton, trás um disco de samples, creio que desse processo eu desenvolvi a capacidade de fazer aquele  estilo, agradava sempre porque  no fim das contas eu já ganhava vantagem pois  cada artista já trazia o “sonoridade” que queria. Dai desenvolvi o meu ecletismo a um nível muito vasto!

Normalmente quando  produzo uma vibe de beat, faço sempre um mínimo de 5 beatz idênticos da mesma vibe, para não me esquecer do processo criativo…há  vezes que  fazes um beat e depois não  te lembras de pormenores que  te levaram a chegar ali, pra mim resulta!

 

 

No inicio usei Fruity loops e o Acid, mas logo passei a usar Reason e dai nunca mais o larguei…tive uma altura em que  deixei de produzir com muita frequência devido ao sucesso dos Kalibrados, estávamos sempre na estrada e essa paragem me fez refletir muito sobre o nível onde me encontrava, o nível dos outros produtores que estavam a ganhar nome e senti que o resto dos produtores estava a seguir os meus pacos e que eu já  tinha explorado tudo da aquilo , precisava de dar o paço seguinte, deixar o Laton Beat maker, e passar a ser o Laton produtor musical…hoje sou produtor musical com todas as letras! E  isso sente-se na musica que faço!

 

 

 

Tem algum sonho como produtor?

Pretendo que  o meu trabalho seja abrangente a nível nacional e internacional, dentro e fora do hip-hop! Que enquanto   estiver vivo continue aprender e a ensinar, ser inspirado e inspirar…no fundo sonho que os beats falem mais do que  eu!.

 

 

 

 

 

Perfil

 

 

Nome João Paulo Oliveira Ressurreição Cordeiro

Data de nascimento 
13 de Maio de 1985

Nacionalidade 
Angolana/Portuguesa

Religião Católico

Profissão Músico

Cantor preferido 
Tupac Shakur

Uma música “Do 4 Love” 
e “Aint Mad at Cha” 
de Tupac Shakur

Um Lugar Angola

Passatempos Ouvir e fazer música com amigos. Estar com a família

Lema de vida “Sempre que quiseres algo com a força do coração, hás-de conseguir!”

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