Fina Estampa' falará de fertilização in vitro e violência doméstica

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Aguinaldo Silva quer mostrar ao público seu lado jornalista

Aguinaldo Silva volta ao horário nobre da Globo (Divulgação)

Esqueça o jeito sofisticado de Tereza Saldanha, de Viver a Vida (2009). Ou da moderninha Mercedes, da série Divã (2011). É com macacão de operário e ferramentas em punho que a atriz Lilia Cabral dá vida à protagonista de Fina Estampa, novela das nove que estreia nesta segunda, na Globo. Na trama de Aguinaldo Silva, ela é Griselda, uma mulher humilde que teve de se virar depois que seu companheiro (José Mayer, outra vez) desapareceu no mar. Conhecida como “marido de aluguel” ou Pereirão, é especialista em pequenos serviços. É através de um desses trabalhos que Griselda entra na vida de Tereza Cristina (Christiane Torloni), uma ricaça prepotente.

A personagem peculiar surgiu de uma lembrança perdida na memória de Aguinaldo, que conheceu uma mulher com essas características nos anos 1970, quando ele morava em Santa Tereza, no Rio. “Era uma portuguesa viúva que tinha dois filhos. Como precisava cuidar das crianças, começou a fazer pequenos consertos. Essa figura ficou guardadinha na minha memória até 2009.” Mãe de três filhos, incluindo Antenor (Caio Castro) – estudante de medicina que destrata a mãe pelo jeito simplório dela -, a trajetória de Griselda se assemelha à de Dulce (Cássia Kis Magro), da novela Morde & Assopra, de Walcyr Carrasco. Para Aguinaldo, coincidências não atrapalham. “Há diferentes jeitos de contar as histórias.”

É uma dessas coincidências que vai unir, na trama, duas mulheres totalmente distintas. A vergonha que sente da mãe faz Antenor, namorado de Patrícia (Adriana Birolli), filha de Tereza, contratar alguém para se passar por sua mãe em seu noivado. O golpe põe as duas em guerra. Renê (Dalton Vigh), marido de Tereza, é quem fará o papel de conciliador. Assim, o folhetim deixa no ar a expectativa de um triângulo amoroso.

Medicina e violência doméstica – Além de discutir aparência e caráter, Aguinaldo Silva vai levantar duas boas discussões entre seus personagens: uma médica, a fertilização in vitro, e uma de caráter social, a violência doméstica. Alexandre Nero interpreta Baltazar, um motorista de Tereza Cristina, que será abusivo com a mulher, a diarista Celeste (Dira Paes), e a filha adolescente (Carol Macedo). O ator se surpreendeu com a grosseria do personagem. “Eu fiquei chocado porque ele chama a menina de piranha”, contou Nero. “Apesar da pancadaria, a novela trata de uma realidade.”

O dilema dos bebês de proveta, por sua vez, vai amarrar a vida do casal Paulo e Esther, vivido por Dan Stulbach e Julia Lemmertz, que resolve recorrer a uma especialista para ter um filho, papel de Renata Sorrah. Infértil, Paulo resiste à investida. “Para ele, era um assunto do passado, resolvido. Quando o tema volta, ele fica desconjuntado”, explica Stulbach.

Feliz por fazer uma heroína atípica, Lilia Cabral agora torce para que a novela ganhe as ruas. “Sou apenas o carro-chefe, que vai puxando o resto”, diz. O espectador será apresentado a essa nova trama já com uma premissa: a de que Griselda passará por muitos percalços, mas sairá vencedora. “Novela tem que ser exemplar. No final, o personagem positivo tem que ganhar a parada”, promete Aguinaldo.

(Com Agência Estado)


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