Golpe militar na Guiné-Conacri

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Está em curso na Guiné-Conacri um golpe militar para depor o Presidente e dissolver o Governo.

De acordo com as informações recolhidas pela agência France Press, um grupo rebelde de militares terá conseguido capturar e mantém detido o Presidente Alpha Condé, pouco mais de 10 meses após o governante ter sido reeleito para um terceiro mandato num escrutínio muito contestado.

Este domingo, o centro da capital Conacri foi palco de um tiroteio numa zona próxima do palácio presidencial.

Algumas horas depois surgiu um comunicado pelo coronel Doumbouya, num vídeo registado por telemóvel e enviado à France Press.

“Após determos o presidente, que está connosco, decidimos dissolver a Constituição, as instituições e também decidimos dissolver o Governo”, afirmou o coronel Mamady Doumbouya, acrescentando ter sido decidido pelo grupo rebelde também “o fecho das fronteiras terrestres e aéreas”.

Foi ainda divulgado um outro vídeo de telemóvel, onde se vê o presidente Alpha Condé sentado ao lado de um soldado, que lhe pergunta se está a ser maltratado sem obter resposta.

A seleção de futebol de Marrocos está em Conacri, mas “em segurança”, garantiu Mohamed Makrouf, da Federação magrebina.

Os “leões do Atlas” estão resguardados “num hotel situado um pouco longe da zona sob tensão”.

“Os responsáveis marroquinos estão a trabalhar para retirar a equipa hoje [da Guiné-Conacri]. Um avião está já no aeroporto para a operação”, acrescentou o responsável.

A Federaçã0 marroquina está em contacto com a FIFA para saber se o jogo desta segunda-feira com a Guiné-Conacri, de qualificação para o Mundial de 2022, será adiado ou não.

Da parte do Governo, o Ministério da Defesa acusou “os insurgentes” de “semear o medo” em Conacri e garantiu que “a guarda presidencial, apoiada pelas forças de defesa e segurança, leais e republicanas, conseguiu conter a ameaça e impor a retirada do grupo atacante”.

Alpha Condé foi, em 2010, o primeiro presidente eleito de forma democrática na Guiné Conacri. Em 2015, foi reeleito para um segundo mandato e, em outubro passado, para um terceiro, numas eleições controversas, com 59,5% do escrutínio logo na primeira volta.

Os dias e semanas seguintes ao último sufrágio ficaram marcados por muita violência nas ruas, com dezenas de mortos e a detenção de muitos opositores do Governo de Condé antes e depois da chamada às urnas.

Os tumultos estão agora de regresso à Guiné-Conacri pela ação de um grupo de militares.

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