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    Há crack nas festas de Luanda

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    O médico chefe dos Serviços de Urgência do Hospital Psiquiátrico de Luanda (HPL), Jaime Sampaio, revelou ontem, quintafeira, 21, a O PAÍS que a sua equipa tem constatado, pelas declarações dos seus pacientes, que existem alguns produtores de festas que dopam os seus clientes. 

    Segundo o médico, drogas como a a libanga são colocadas no interior das latas de refrigerantes e bebidas alcoólicas como o champanhe e Spim que são distribuídas aos convivas. 

    “E como as pedras se dissolvem rapidamente, estes acabam por não se aperceberem que estão a ser dopados” acrescenta. O nosso interlocutor salienta que as raparigas que aparecem no seu consultório confessam ter usado o produto desta forma, porque acreditam que pode dar um outro estímulo sexual. 

    Mas o médico garante que está sensação é enganosa, porque, se usadas em execesso, estas drogas podem causar disfunção sexual ao contrário da satisfação que procuram. 
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    Jaime Sampaio avança também que a lista de utilizadores de crack na sociedade angolana inclui muitos músicos, taxistas e funcionários  de empresas de seguranças, que recorrem a estes produtos para terem motivação e realizarem as suas actividades.

    “Eles chegam a consumir diversas pedras por dia porque o seu efeito é muito curto e a vontade acaba sempre por ser maior e irresistível”, garante o médico, avançando que “o HPL recebe diariamente mais de dez jovens consumidores de crack que procuram auxílio para deixarem o vício, entre eles, aparecem dois a três num estado que exige o seu internamento imediato. Os demais são transferidos para a área de consultas externas”. 

    As estatísticas do HPL indicam que são atendidos diariamente na área de consulta externa cerca de 20 pacientes com distúrbios mentais provocados pela utilização da libanga. A maioria dos utentes com idades compreendidas os 12  e 35 anos. 

    O especialista declarou ainda que, à semelhança do Brasil, em Angola existem pessoas de diversos estratos sociais a consumirem esta substância, devido a facilidades de acesso. A julgar pelos depoimentos dos seus pacientes, o especialista realça que o crack consumido pela camada baixa é feito algures no Bairro Operário. Mas os integrantes da camada alta consumem as importadas, segundo Jaime Sampaio. 

    O crack é a denominação de uma droga de fabrico caseiro, cuja produção dispensa sofisticados aparelhos farmaceuticos. 

    Em Luanda são feitas em locais identificados como “Casas de Boca”, algumas das quais localizadas nos bairros São Paulo, Operário e no Cazenga. Os seus produtores usam os bagos da liamba, lampadas florescentes e um acido como matérias-primas. 

    O nome da droga varia de acordo as zonas, sendo conhecida como “Bula maior”, “Pedras”, “Dá pura”, “Produto”, “libanga”, entre outros. 

    Jaime Sampaio explicou também que muitos  viciados praticam vários crimes nas próprias casas ou na via pública para conseguirem dinheiro e comprarem as “pedras”, que são vcndidas por preços que variam entre os dois e 25 dólares. Geralmente o grau de fortificação  é que determina o preço do produto.

    “O crack é um dos elementos que veio aumentar o nível de criminalidade no seio da juventude angolana, provoca ainda que eles deambulam por longas distâncias de um lado para o outro da nossa cidade e que perdem a personalidade”, explicou o nosso interlocutor, acrescentando que “existe um tratamento científico para os utentes deste tipo droga que está enquadrado no mesmo rol daqueles que usam substâncias psico-activas”. 

    A falta de instituições específicas para o tratamento de doentes aditivos em Angola tem sido preenchida pelo Hospital Psiquiátrico de Luanda, que criou departamentos específicos para atender a demanda. 

    Todas as quintas-feiras, a partir das 15 horas, os especialistas de saúde se reúnem para consultas de alcoologias e outras drogas as pessoas que estão interessadas em abandonar estes vícios. 

    O médico salienta que muitos pacientes têm recaídas depois de estarem curados porque não encontram da parte dos seus familiares, da própria comunidade e reencontram, nalguns casos, o grupo que os levou para este caminho. “Por isso é que há muita gente que diz que os usuários do crack têm dificuldade de deixar este vício”, justificou. 

    Jaime Sampaio apela ao Ministério da Juventude e Desporto, as organizações não governamentais, músicos e promotores de eventos a realizarem campanhas que desencorajem a juventude de consumirem esta substância por ser mais aditiva do que as outras. 

    O nosso interlocutor esteve recentemente no Brasil a fazer uma formação para a criação de enfermarias para os usuários de crack. Durante a viagem entre a cidade do Rio de Janeiro e Luanda foi surpreendido por um casal que usou uma criança de sete meses para esconder 25 pedras no seu sexo, coberto com uma fralda descartável.  “Eles só foram descobertos porque depois de algum tempo a criança começou a chorar sem parar e os passageiros exigiram que a senhora abrisse a fralda para verificar se ela não estava molhada”, recordou com um ar de tristeza.

     

     

    Artigo do Jornal o Pais 

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