A Tussole, realizou no passado dia 19 de Maio, no Auditório do Edifício Kilamba em Luanda, a III Edição do Fórum da Indústria Têxtil e Confecções de Angola, sob o lema: Impacto da Indústria da Moda para o Desenvolvimento Sustentável e Fomento de Produção Nacional, como a maior plataforma criada exclusivamente para auscultação, fomento da pesquisa e da produção local, respetando os três (3) principais pilares da sustentabilidade na Indústria Têxtil e de Confecções e da moda em geral.
*Fernando João*, Secretário da Juventude proferiu discurso de abertura desta III Edição e disse; *“É com enorme satisfação que profiro esta intervenção, na Abertura da III Edição do Fórum da Indústria Têxtil e Confecções de Angola, sob o lema: Impacto da Indústria da Moda para o Desenvolvimento Sustentável e Fomento de Produção Nacional. A Indústria Têxtil e de Confecções é uma das maiores impulsionadoras de economia do mundo e reconhecida por ser bastante diversificada. Olhando pelo lado histórico, ela também pode ser vista como uma das pioneiras, afinal, as primeiras evidências conhecidas de fabricação de têxtil, utilizando a técnica de tecelagem, datam do ano 5 mil a.c.*
*Este é um dos sectores econômicos mais importantes de qualquer país, pois promove um ecosistema multi sectorial. A indústria têxtil pode fornecer tanto produtos relacionados a conforto como aqueles considerados de necessidade essencial, como as roupas que vestimos”*
O evento tem como objectivo de cadastrar os principais players do sector e resultados de suas respectivas actividades para a criação de base de dados e indicadores, manter activa a comunicação com as instituições de ensino com cursos de formação na área, para capacitacão do capital humano, incentivar os participantes a explorarem os possíveis cenários, desafios, soluções sustentáveis e fomentar o desenvolvimento económico do sector em Angola. Participaram especialistas do sector da Moda com destaque para Conceituadas Estilistas Angolanas como: Lucrécia Moreira e Elizabeth Santos e da nova geração Siwana de Azevedo, Iracema Lepinay e Marith Jóia, e, do sector industrial Empresários de Têxteis e Confecções, Seguros e Banca como: Felix Barco, Asif Jafeth, Pascoal Diogo, Julia Villegas e Antónia Torres – Chefe do Departamento das Políticas Industriais afecto ao Ministério da Indústria e Comércio.
Siwana de Azevedo – Estilista, uma das conferencistas disse “ Precisamos ganhar consciência de que a Moda não resume-se ao entretenimento, é um sector que gera 75 milhões de empregos directos e 2.4 trilhões de dólares anualmente e África contribui para estes números com apenas 1.9%, de acordo com o relatório do Made in África, subentende-se que existe espaço para melhora.
O Fórum da Indústria Têxtil e de Confecções de Angola, teve como principal objetivo incentivar o Governo de Angola a desenvolver políticas que impulsionarão o desenvolvimento da Indústria em AO e consequentemente a economiae a geração de empregos, como a revisão das políticas aduaneiras e políticas bancárias, para que o sector da moda passe de importador para exportador, para que os nossos criadores que têm de produzir no ocidente/oriente possam reduzir custos, produzindo localmente com a mesma qualidade que o ocidente/oriente e a preços mais atractivos, e os que produzem em território nacional consigam fazer contenção de custos no quesito aquisição de matéria-prima, o que possibilitará ao consumidor final adquirir estes produtos a preços justos, para que possamos desenvolver economias de escala e ter a capacidade de proporcionar ao povo Angolano a dignidade de consumir o Made in Angola a preços atrativos e deixar de vestir “Fardos”.
”Entristecimento de quem lida com o sector, que gostaria de apoiar o Governo a diversificar a economia, contudo encontra limitações, Daniel Pires Presidente do Fórum, listou uma das principais matérias-primas, o algodão, como um dos maiores desafios. O País já foi um dos gigantes da produção e cultivo de algodão do mundo, chegando até 1973 como a terceira potência, de acordo com dados históricos da cultura do algodão. “Hoje temos que depender para produzir, o que entristece os empresários do sector”, lamentou Daniel Pires. É de louvar a iniciativa do Governo de Angola referente a privatização das três (3) principais unidades fabris têxteis, das quais uma encontra-se já operacional, a Textang II, que infelizmente o seu principal produto a sarja, está direcionado para a produção de uniformes, que não satisfaz ainda as necessidades das massas, contudo a direção da mesma tem mostrado interesse em trabalhar com os profissionais do sector de confecções no sentido de juntos encontrarem soluções para a diversificação das fibras, para o consumo da população.
Na lista de possíveis soluções constam o apoio da banca com incentivos de financiamento, revisão das políticas bancárias para desenvolvimento do empreedorismo local, crédito às micro empresas do sector de confecções “ateliês”, apoio as instituições de ensino para a capacitacão dos recursos humanos, incentivos para o desenvolvimento da agricultura familiar para o cultivo de algodão orgánico, revisão de políticas aduaneiras que incentivem a demanda do produto nacional versus o produto importado, para o desenvolvimento da Indústria, geração de empregos e diversificação da economia.