LEILA LOPES, MISS UNIVERSO 2011: "Gosto da visibilidade que trouxe para o meu país"

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* Por Jornal Público

Leila Lope foi entrevistada pelo jornal diario português Público, ela revelou que  nunca tinha estado em Portugal. A Miss Universo 2011 visitou as terras lusas  para ser fotografada para a capa de uma revista masculina, mas do que ela gostava mesmo era de visitar Fátima e comer uns pastéis de Belém.

 

A fama traz-lhe alguns dissabores, mas Leila Lopes suporta-a melhor sabendo que, através dela, Angola também ganhou visibilidade.  

Todas as Miss Universo choram quando recebem a coroa, querem ajudar quem precisa e acreditam que o que conta realmente é a beleza interior. Há toda uma série de clichés associdados às beauty queens e àquilo que devem (e não devem) ser. Daí que quando subimos até à presidencial suite do hotel Sheraton para conhecer Leila Lopes, não estamos à espera de ouvir que aquilo de que a Miss Universo mais gostaria de fazer em Portugal seria comer pastéis de nata e visitar Fátima. “Há pastéis de nata por todo o mundo. Já os comi em Londres e Nova Iorque, mas os daqui são muito famosos. Os outros são cópias”, afirma.

Vamos começar pelos números: Leila Lopes tem 26 anos e um 1,79 m de altura, dos quais, seguramente, dois terços são assegurados pelas suas longas pernas. Se formos pela metáfora fácil, evoca uma gazela africana em cima dos seus altíssimos saltos agulha. Com uma gripe que lhe atrapalha a garganta e a cabeça, o sorriso é impecável de cada vez que o flash dispara. E aí percebemos que, por detrás deste ar frágil, está uma profissional.

Antes de ser coroada Miss Universo 2011, Leila Lopes já trazia alguns títulos debaixo do braço. Nesse mesmo ano ganhou as faixas de Miss Angola no Reino Unido – onde se encontrava a estudar gestão – e Miss Angola. Mas apesar de todos os reconhecimentos, continuava insegura quanto à sua beleza. “Ser Miss Universo aumentou a minha auto-estima. Hoje sou independente e sei melhor o que quero para a minha vida”, afirma. E projectos não lhe faltam, entre lançar uma linha de cosméticos e desenvolver as suas técnicas de representação ao abrigo de uma bolsa de estudo, parece que tudo é possível. Mas certo, certo, é que quer ser uma mulher de negócios. E, por isso, o percurso que delinea para si quando acabar o seu “reinado” passa por ficar em Nova Iorque, onde vive desde que venceu o concurso de beleza num apartamento reservado pela organização do Miss Universo, por ser o sítio ”onde estão todas as oportunidades”.

O preço da fama

Leila Lopes veio a Portugal pela primeira vez para ser fotografada para a capa de Junho da revista masculina Maxim. A Miss Universo que gostava de conhecer Fátima, diz que aceitou “porque é sensualidade sem nudez”. Já antes de Leila Lopes, outras Miss Universo ingressaram por este caminho – Dayana Mendoza, a Miss Venezuela e Miss Universo 2008, foi fotografada em biquíni para a edição norte-americana da revista Maxim tendo sido alvo de críticas pela sensualidade com que se apresentou. No caso de Leila Lopes, tudo foi pensado com muito cuidado já que, como afirma a Miss Universo 2011, o seu país “é muito conservador”.

A gripe com que se apresenta aquando dos nossos 15 minutos com ela é fruto dessa tarde nas praias da Costa da Caparica. O Verão que tem alternado com as temperaturas baixas de uma Primavera difícil pregou-lhe uma partida. Ainda assim, afirma que “agora percebo porque é que os angolanos vêm passar férias a Portugal. É lindo”.

 

 

É certo que na suite presidencial do hotel Sheraton Lisboa, o que encontramos é uma mulher lindíssima, mas também uma que vive mal com a fama que a coroa lhe trouxe. “Perdi o sossego, perdi a paz que tinha. Sou uma pessoa calma”, responde quando lhe é perguntado qual foi a pior mudança que ter ganho o concurso de beleza trouxe.

Em Nova Iorque, no apartamento que a organização do concurso Miss Universo oferece à vencedora para que viva durante o seu reinado de um ano, o que mais gosta de fazer nos seus poucos dias livres é falar pelo Skype com a família em Angola. Mas o mediatismo que veio com o título, também afecta essa parte da sua vida. “De Angola perguntam-me se é verdade que fiz isto ou estive com determinada pessoa, porque leram numa revista ou num blogue. Escrevem muitas mentiras sobre mim em blogues”, afirma com alguma frustração. Talvez pela grande exposição a que estão sujeitas, muitas Miss Universo vivem alguma controvérsia durante o seu reinado. No caso de Leila Lopes, a polémica chegou com as acusações de que havia forjado os papéis que comprovavam a sua residência em Inglaterra para que pudesse participar no concurso Miss Angola em Inglaterra, que acabou por vencer.

Quando em Setembro do ano passado, em São Paulo, foi coroada Miss Universo 2011, a polémica foi criada pela Miss França, Laury Thilleman, que, em declarações à revista francesa Premiere, disse ter ficado muito surpreendida com a vitória de Leila Lopes. Segundo Thilleman, todas as concorrentes ficaram muito surpreendidas com a coroação de Miss Angola, uma mulher que “raramente usa maquilhagem e que usa jeans“. Para além de dizer ainda que Leila Lopes era “reservada e sem personalidade”, ainda deixou no ar a acusação de fraude com “Oh, e o facto de que o concurso se ter realizado no Brasil teve um papel importante”, argumentando que o Brasil, à semelhança de Angola, é uma antiga colónia portuguesa.

Da atenção que recebe, a melhor parte, é, segundo Leila Lopes, a que é canalizada para Angola. “Gosto da visibilidade que trouxe para o meu país. Nunca nenhuma angolana tinha ganho um concurso internacional de beleza e isso é muito bom. Na semana em que ganhei, fui a pessoa mais importante de Angola”, refere ao recordar que em Benguela, as pessoas sairam à rua para comemorar e gritar o seu nome. “Podiam não saber como era a minha cara, mas sabiam o meu nome e que eu tinha ganho o Miss Universo. Nessa semana o presidente de Angola mandou-me uma carta e todos os governantes tocaram no assunto quando discursaram. Fui recebida como uma princesa”.

Pouco tempo depois de ter sido coroada Miss Universo 2011, Leila Lopes foi nomeada Embaixadora das Nações Unidas na luta contra a seca e a desertificação. Uma causa ambiental que lhe é particularmente querida e que revela outra das coisas boas que a fama lhe trouxe. “A minha voz consegue alcançar e consciencializar as pessoas para as minhas causas”. Até ao final do seu reinado, o mundo pára para a ouvir.

 

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Por Jornal Público

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