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O sonho de Tírcia, 15 anos, é voltar a ver o mundo a cores

Tírcia Daniela Laurindo é uma menina de 15 anos que perdeu a visão aos 13, mas ainda tem esperança de voltar a ver. A cegueira surgiu-lhe depois de ter ficado doente, com um quadro que variava entre vómitos e desmaios.

 

Ao acordar, numa manhã, na sua terra natal, Lubango, disse à mãe que não conseguia ver. Depois de tentativas para ser consultada por um especialista, na cidade onde vivia, foi transferida para Luanda. Acaba, porém, por perder os movimentos nos membros superiores e inferiores. Os médicos oftalmologistas que a operaram diagnosticaram que a perda da visão foi causada por um tumor cerebral.
A nossa reportagem encontrou Tírcia Daniela Laurindo na Escola Óscar Ribas, nas celebrações alusivas ao Dia Mundial do Braille, comemorado a 4 de Janeiro, data reservada à língua gestual. Ela contou que, antes, passou por um processo de consultas e longos exames, que começaram numa clínica privada. Acabou, depois, por ser encaminhada para o Hospital Américo Boa Vida, devido aos custos do tratamento na unidade particular.

Tírcia começou a ter a visão cada vez mais comprometida, tendo passado por um estado parecido ao de inválido e vegetativo, depois da cirurgia. O processo que se esperava resolver-lhe o problema e restaurar-lhe a visão deixou ela e a mãe mais angustiadas.

A adolescente foi levada ao Centro de Oncologia, onde fez exames e fisioterapia. Recuperou os movimentos dos membros e lhe foi dada esperança de voltar a ver. Como a vida não pode parar, Tírcia foi matriculada na  Escola Óscar Ribas, onde aprendeu o Braille. Hoje, convive com os outros jovens na mesma condição, sem problema algum, e tem participado em várias actividades.

Cédia Laurindo, mãe de Tírcia, disse ter sido aconselhada, por amigos e médicos, a levar a filha para fora do país e ser avaliada por especialistas estrangeiros. A senhora diz que a batalha tem sido conseguir uma Junta Médica, até agora sem sucesso, devido à alguma burocracia e à situação da pandemia da Covid-19. Teme, porém, que o tempo torne o quadro irreversível.

Sonhos adiados

Tírcia Laurindo é uma menina bonita, de porte elegante e voz meiga. Contou a sua história com calma, voz conciliadora e semblante cheio de esperança. “O médico que me operou disse que já não vou poder ver, porque os nervos que ligam a visão estão danificados. Mas um outro especialista garantiu ainda ser possível. Por isso, eu e a minha mãe temos esperança na minha recuperação”, disse, confiante.

 

Por Jornal de Angola

Noticia realacionada

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