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    Retrospectiva 2012- sob o Olhar de Mila Stéphanie Malavoloneque e Nanizaiawo Morgan

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    Retrospectiva 2012- Mila Stéphanie Malavoloneque e Nanizaiawo Morgan

    O ano de 2012 mesmo antes de ter começado já era um ano de grandes expectativas. Além de decisivo na política pois traria eleições numa grande parte dos Países do mundo, também seria o ano das olimpíadas de Londres. Para economia trazia esperanças, pois prometia um possível  contorno na crise económica mundial. A grande promessa porém chegava do México, de uma civilização extinta há milhares de anos, mas que segundo interpretações ao seu longínquo calendário continha a data marcada para o fim do mundo no calendário de 2012.


    Em Angola, o cenário político roubou à nossa atenção durante a maior parte do ano. Sobretudo devido às expectativas em torno daquele que seria o acontecimento mais aguardado, à terceira eleição geral do País. Considerado pelos ocidentais como um exercício de democracia, depois das eleições de 2008 que serviram como um pontapé de saída (às primeiras depois do cessar das armas) 2012 trazia aos nossos políticos a responsabilidade de mostrar a evolução e maturidade democrática  do nosso País.

    Com vários capítulos, a ‘novela’, “eleições gerais 2012” não decepcionou: logo em Março, a poucos meses da realização,  quando todos achávamos que tínhamos prontos a linha de partida todos os ‘concorrentes’, fomos surpreendidos com surgimento de uma nova força política. A coligação CASA-CE que com o seu carismático líder e histórico ex veterano da UNITA, Abel Epalanga Chivukuvuku,  trazia outra graça e interesse ao cenário político nacional.

    Outra surpresa, também à margem das eleições, foi a ausência do BD ( Bloco Democrático) que infelizmente não conseguiu reunir todos os requisitos de apuração solicitados pelo tribunal Constitucional, deixando como órfãos políticos muitos dos seus militantes; na sua maioria jovens, que reviam-se nos projectos do professor e activista político, Justino Pinto de Andrade.

    Já na fase de campanha, às promessas eleitorais de cada partido durante o tempo de antena na televisão, rádio e não só, conseguiam prender a atenção até dos menos interessados no assunto. Algumas promessas pareciam tão irreais que surpreendiam o nosso mais alto nível de compreensão, como foi o caso do partido político que prometeu desenvolver a agricultura no deserto do Namíbe caso vencesse.

    Às eleições foram vencidas  mais uma vez pelo MPLA, com a particularidade de terem sido realizadas com base na nova constituição. Os resultados foram declarados justos e transparentes por algumas instituições internacionais que acompanharam o processo. Todavia, contrariando algumas expectativas, o processo foi também marcado, ante e pôs-resultados por acusações de fraude e violações as leis aprovadas, por alguns partidos da oposição.

    Não obstante, na visão de alguns analistas da área, o momento mais bonito desta fase eleitoral foi no entanto o envolvimento dos jovens durante o processo. Tirar fotos com o dedo pintado nas redes sociais foi moda no dia 31 de Agosto. Antes deste dia, jovens devidamente informados faziam comentários por onde podiam sobre a campanha eleitoral. Contrariando aos poucos um clássico do Grande Waldemar Bastos intitulado “velha Chica” onde o cantor diz no coro, “xé miúdo não fala política”.

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    Os jovens Angolanos mostraram que depois de uma década de paz, já conhecem o grande impacto político que podem ter nesta sociedade.

    Culturalmente falando, o ano foi infelizmente marcado pela negativa, com o desaparecimento físico de artistas de renome. O mês de Setembro ficou manchado pelo anúncio do falecimento do  músico MAMBORRO numa unidade hospitalar na Namíbia onde o mesmo procurava por tratamento para uma doença que o apoquentava já havia algum tempo.

    O nosso circuito musical recuperava-se desta perda quando três meses mais tarde no dia 5 de Dezembro, fomos novamente surpreendidos, pela sempre triste notícia de que a música angolana acabava de perder mais duas referências: falecia em Luanda, Nito Alves e Tchissika Artz ( o eterno menino do Huambo), ambos vítimas de doença.  Quatro dias depois ainda de luto, surge novamente a notícia do falecimento  de outro “MONTRO” da nossa música. Desta vez o eterno  jovem do prenda…ZECAX, vítima de doença na também vizinha Namíbia. Foram perdas irreparáveis para a nossa cultura.

    A classe jornalística também não ficou imune a perdas irreparáveis, com o triste desaparecimento físico de Joaquim Aguiar dos Santos aos 5 de Setembro do corrente ano. Aguiar dos Santos como era conhecido, ostentava o cargo de director geral do jornal Agora. Foi-se um homem frontal e dedicado cujas pegadas na comunicação social não deixam dúvidas.

    Em momentos mais felizes no ramo musical,foi noticia o show ‘I love Kuduro’ que por acaso abriu o ano. Com este espectáculo, a Semba comunicação mostrava a Angola e ao mundo que tinha aceitado o desafio de ajudar a internacionalizar ainda mais este estilo. O espectáculo que já tem corrido o mundo, deixou em Luanda, a certeza: ” o que é da banda é nosso e é bom”. O cantor Se-Bem cuja ausência na altura do espectáculo era notória por estar preso, já encontra-se em liberdade, após o acerte de contas com a justiça. Esperamos nós que desta vez seja para ficar.

    Ainda falando de kuduro, já a caminho do fim do ano, Cabo Snoop e Salú Gonçalves foram protagonistas da novela, ‘vitámina D’ ou vulgarmente conhecida por ‘só se for D’, título de uma música do cantor que gerou bastante polémica. O radialista  defendia o facto da pronuncia rápida sugerir uma interpretação ofensiva, imprópria  para às rádios e estações televisivas do País. Já no Plantel de Cabo Snoop o CEO da sua produtora, Hochi Fu, comprou a briga e numa discussão em directo entre embos, ressaltou a importância do artista criar sem fronteiras. A briga tornou-se numa bola de neve que acabou até envolvendo a cantora Yola Semedo e o seu prémio no top dos mais queridos durante o ano que Cabo Snoop também concorria com a música ‘windeck’. A cantora mostrou a sua insatisfação no programa da tpa2 ” Hora Quente” com o apresentador Pedro Nzangi.  Dias depois, Hochi Fu  fez uso deste mesmo programa para esclarecer que já tinha contactado o empresário da cantora e o assunto já havia sido esclarecido.

    O ano foi igualmente inesquecível para Anselmo Ralph que assinou um contrato com a Sony music e já lançou um DVD e CD(best of) com a nova produtora. Apesar do já esperado sucesso da obra no nosso País o disco esteve entre os cinco mais vendidos em Portugal durante mais de duas semanas. Um salto gigante rumo a internacionalização da música angolana.

    Não podemos terminar esta pequena retro cultural, sem falar de Leila Lopes, cujo reinado como Miss Universo foi o mais longo da história do concurso. A bela Angolana natural de Benguela, voltou a atenção do mundo a mulher Angolana e com certeza enalteceu  o bom nome do nosso País.

    No panorama desportivo,  depois de em 2011 a selecção Nacional Sénior Masculina de basquetebol ter perdido o Afro basket e consequentemente a Hegemonia continental que carregava desde 1999, o ano de 2012 trouxe-nos ainda outra decepção, com a confirmação do mau momento daquele que provavelmente ainda é o melhor basquetebol do continente; A selecção foi eleiminada  do torneio pré Olímpico qualificativo ao perder nos quartos de final diante da Rússia, ficando desta forma, fora da maior festa desportiva do mundo, este ano na cidade de Londres capital do Reino Unido. Valhe salientar que a selecção de basquetebol não faltava aos jogos olímpicos desde 1992.

    Ainda falando dos jogos Olímpicos de Londres, a decepção não ficou apenas por conta da nossa selecção de basquetebol. É sabido que por motivos óbvios, da nossa comitiva poucos acreditavam no retorno de medalhas,porém  a desqualificação do atleta angolano de boxe por não ter se apresentado na hora e local de pesagem para o combate, até hoje por razões inexplicáveis, manchou a participação do País na competição e temos até hoje compatriotas revoltados com o acontecido.

    Felicidade mesmo só tivemos uma, e, proveniente de um atlenta que apesar das evidencias físicas mostrou que consegue ‘enxergar’ melhor que muitos cuja visão é a 80%. O velocista José Armando Sayovo trouxe medalhas em duas especialidades que competiu sendo uma de ouro nos 400 metros e outra de bronze nos 200 metros.

    No que o futebol diz respeito, o destaque do ano acaba por ser mesmo a qualificação da selecção de HONRAS para o CAN, que se relizará na África do Sul a partir do próximo dia 19 de Janeiro. Enfrentando desafios sérios desde a suposta (des)organização e falta de qualidade do plantel escolhido ao também suposto não pagamento dos prémios e salários de técnicos que em soma resume-se a resultados e exibições pouco convincentes. A verdade é que a maior parte dos Angolanos já não acreditava na qualificação dos Palancas Negras na maior festa do futebol Continental. Caso para dizer que à esperança é realmente a última a morrer.

    O último aspecto a ser relembrado porém não menos importante é o social, onde dentre os vários acontecimentos que marcaram o ano, um dos mais comentados foi sem dúvidas a violência juvenil que fez-se salientar com a  morte por assassinato do jovem Jorge Valério Coelho da Cruz, também carinhosamente chamado por “Tucho” ou ” Jay Jay”.



    O assunto começou a ganhar destaque quando amigos e familiares de Tucho notificavam por meios não convencionais da mídia, o desaparecimento do jovem desde o dia 29 de Setembro. Já na altura, amigos conhecidos e até desconhecidos, solidarizavam-se e disponibilizavam-se a ajudar a procurar o rapaz. Usando às redes sociais um grupo de jovens iguais  inclusive pretendiam juntar-se na igreja Sagrada família para distribuir cartazes por onde podessem com o rosto de Tucho a ver se alguém seria assim portador de uma boa notícia. Infelizmente, antes da data marcada para a distribuição dos cartazes chegou a notícia proveniente de todo lado que Rogério Danilo Cruz,  irmão do rapaz, teria-o encontrado na morgue do Hospital Josina Machel em Luanda com sinais de espancamento. Jorge Valério tinha 20 anos de idade.

    Todos sabemos que este não foi o primeiro acto de violência selvagem no País, mas curiosamente o caso mobilizou muitos. Talvez pelo facto de ter sido destaque  nas redes sociais ou quem sabe até por Jorge ter sido um jovem de classe média, que frequentava lugares onde a maior parte dos jovens de classe média também frequenta e porque os supostos criminosos eram do mesmo ciclo, muitos outros jovens iguais conseguiam por-se no lugar dele e pensar “poderia ter sido comigo ou com um amigo” e com isso sentir às dores da família Cruz.
    Às fotos do Jorge voltavam a ser partilhadas pelas redes sociais, desta vez com a palavra Justiça quase que sem parar por jovens Angolanos inconformados. A juventude decidiu “fazer barulho”, eles queriam ser ouvidos, usaram a maior arma que têm, a internet, e com isso fizeram  uma campanha que culminou numa  marcha sob o lema “NÃO A VIOLÊNCIA”, para dizer “BASTA” e exigir do governo e da sociedade em geral uma reflexão sobre o rumo que queremos e estamos a tomar. Foram quase cinco mil jovens reunidos na marginal de Luanda, alguns foram sozinhos mas postos lá e sem esperar  encontraram amigos. Mostraram o poder da juventude numa sociedade eficaz e com certeza todos viram isso. Não foi somente pelo Jorge mas por todos aqueles que perderam suas vidas vítimas da violência.

    E, porque abordamos a violência surge outro assunto que marcou o período pós-eleições e que evidentemente contribuí muito para o índice de criminalidade, o caso#ENE,EPAL,EDEL, que proporcionou meses de autêntico calvário para quase todos os angolanos, mas principalmente para os que vivem em Luanda.  obrigados a enfrentar longos períodos sem ver uma lâmpada acesa e a caminhar quilómetros a busca de agua, os angolanos tornarem-se críticos, alguns com muito humor outros  nem tanto ou quase nenhum, a verdade é que a EDEL despertou o lado poético de muitos Angolanos. A explicação vinda das instituições de direito, atribuía a culpa a falta de chuva e consequentemente ao baixo nível do caudal. Como solução só restava mesmo aos Angolanos pedir a ‘São Pedro que abrisse às torneiras’. O recado pelos vistos chegou e São Pedro não deixou de atender o pedido,  com fortes cargas pluviométricas pelo País inteiro. Daí resulta outro pesadelo dos Angolanos, em especial dos Kaluandas, pois com a chuva vêm as cheias dentro da cidade, que tornou quase impossível a circulação de carros e pessoas, mas pelo menos agora, o caudal não deve ter de que reclamar.

    A verdade é, que tivemos um ano atípico em todos os panoramas, sendo estes, político,cultural , económico e social. O calendário Maya provou-se errado e confirmou o que está escrito nas escrituras sagradas, “nem mesmo o filho sabe o dia nem a hora do fim dos tempos… Somente o pai”, e por este motivo é dia 31 de Dezembro e cá estamos nós. O dia 21 foi apenas como todos os outros.

    Para terminar eu, Mila Stéphanie Malavoloneque em meu nome pessoal e do meu colega e amigo Nanizaiawo Morgan, juntamente com o plantel da Platina-Line em nome do nosso CEO Sarchel Necesio, desejamos um ano novo próspero com a esperança de que 2013 traga-nos mais motivos de felicidade do que o inverso.

    Feliz Ano Novo
    31 de Dezembro de 2012

    Mila Stéphanie Malavoloneque e Nanizaiawo Morgan

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