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    Segundo as autoridades: Os desmaios Não são causados substâncias tóxicas

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    Os exames laboratoriais que foram efectuados em vítimas de desmaios colectivos que têm vindo a acontecer desde Abril último, em diversas escolas do país, não detectaram nenhuma substância tóxica no organismo das mesmas, assegurou ontem, em Luanda, o comissário chefe e segundo comandante-geral para a ordem pública da Polícia Nacional.

     


    Em conferência de imprensa, Paulo de Almeida esclareceu que foram encaminhadas amostras de urina e saliva das adolescentes desmaiadas para conceituados laboratórios no exterior do país e os resultados até aqui são negativos.


    “A conclusão é que o motivo dos desmaios nada tinha a ver com intoxicação. A nossa maior preocupação é que o fenómeno surgiu nos estabelecimentos escolares e tem criado um certo clima de insegurança e agitação social.”

     


    Paulo de Almeida criticou a forma como alguns órgãos de comunicação social e sectores da sociedade têm vindo a divulgar o fenómeno, situação que acredita tem vindo a facilitar a sua propagação e rejeitou o registo de vítimas mortais. Igualmente, lamentou o efeito multiplicador que a situação tem gerado, sobretudo em adolescentes do sexo feminino, e lembrou que foram detidos e entregues ao Ministério Público para responsabilização criminal os adolescentes envolvidos na pulverização de gás lacrimogéneo numa instituição de ensino.

     


    O comissário chefe da Polícia Nacional revelou ainda que até à data chegaram ao conhecimento do Ministério do Interior e dos órgãos que compõem o sistema de segurança 91 casos por alegada inalação de substância tóxica e o fenómeno alastrou-se às províncias de Cabinda, Cunene, Namibe, Malange, Huíla, Uíge e Lunda-Sul. Apontou entre os sintomas verificados, mau-estar, tonturas, fraqueza, deficiências respiratórias, vómitos e desmaios, fundamentalmente em adolescentes. Paulo de Almeida disse também que despertou a atenção da Polícia Nacional o facto da maioria das vítimas ser do sexo feminino e a recuperação ser quase imediata após a assistência.

     



    Componente psicológica

    O psiquiatra Rui Pires considerou que não existem razões para alarme e avançou que dos estudos realizados por especialistas em medicina mental conclui-se que se está em presença de uma “síndrome de natureza psicogénica”.

     


    “Do ponto de vista sintomatológico, vectorial, clínico ou laboratorial não detectámos a presença de qualquer elemento exógeno.”Rui Pires disse que a equipa de psiquiatras notou ainda a presença de elementos de potenciação que estiveram na base da dispersão dos desmaios. Apontou o dedo à comunicação social pela forma dramatizante e sensacionalista como tratou os casos.


    “Naturalmente, existiram outros elementos que ajudaram a potenciar o fenómeno. Os órgãos da Polícia Nacional e de segurança reagiram, colocaram os seus meios à disposição e isto, por si só, causou algum efeito potenciador.” 


    A conferência de imprensa, que foi realizada no Ministério do Interior, contou com a presença de técnicos das unidades de protecção civil e de diferentes especialidades em segurança e saúde pública.

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