Walter Cristóvão conta que gostaria de ter a oportunidade de oferecer algo muito especial ao seu pai, mas a vida não permitiu

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Por: Stella Cortêz

Walter Cristóvão foi o nosso convidado da rubrica “Contacto com a fama”, espaço que vai mostrar aos internautas como foi o primeiro contacto do artista com os holofotes.

Entre as diversas perguntas, o encenador e jornalista, que não se considera uma pessoa famosa, apesar do grande público que conquistou fruto dos trabalhos desenvolvidos nos palcos cénicos, recordou com carinho o primeiro cachê que recebeu do grupo de Teatro da Angop, que era liderado pelo já falecido Guilherme, pois serviu para levar comida para casa, numa época de carência.

“Não era dinheiro. Mas sim compras. Recebíamos todos os meses. O primeiro foi bastante simbólico porque pela primeira vez levei comida pra casa, numa altura de extrema necessidade. Passei a ser visto de uma forma especial, pois meus pais viram o real valor do teatro. E nas compras, continha, entre outras coisas, uma lata de leite Nido grande. Tomar leite não era pra todos”, disse.

No auge da sua carreira e questionado sobre quem gostaria de ter ao lado neste momento, Walter respondeu: “Meu pai. Infelizmente morreu quando eu ainda lutava para poder ajudar da melhor forma. Gostaria de o oferecer algo muito especial. Mas a vida não permitiu”, explicou.

Com os caminhos trilhados profissionalmente quer a nível do teatro como no mundo jornalístico, Walter Cristóvão esclarece que com ou sem fama, os seus amigos do Rangel são um tesouro. Sublinhando ainda que não fala com todos, mas da base, sim. Aliás, estão a programar um almoço. Walter ainda deixou patente que não é famoso, mas sim, conhecido por algumas pessoas.

A propósito das lições e ensinamentos extraídos nas ruas, o apresentador do programa “Diálogo Cultural”, emitido no canal 1 da Televisão Pública de Angola (TPA), destacou: “As ruas me ensinaram a ser um homem de verdade. A valorizar os ensinamentos dos pais e da igreja. Cresci no meio de delinquentes, mas não me tornei bandido. Conheço bem o cheiro de liamba, mas nunca fumei. Aprendi a disparar uma arma, mas nunca usei nem para assaltar, nem para intimidar alguém. Repare que o Rangel dos anos 80 era violento”, frisou.

Sobre a reação que teve quando foi interpelado pela primeira vez por um fã, Walter, sem meias palavras, salientou: “Nunca me espanto porque não me vejo como um ser diferente. Por mais que as pessoas tentem colocar-me no terraço com adjectivos, eu sinto-me sempre nos rés-do-chão da vida”.

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