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    Comunicado de imprensa sobre o rompimento unilateral por parte da Emirates da parceria estratégica com a TAAG

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    No dia 30 de Setembro de 2014, o Ministério dos Transportes da República de Angola e a Emirates assinaram, no Dubai, um Acordo de Parceria Estratégica para o Desenvolvimento da TAAG – Linhas Aéreas de Angola. O acordo deu corpo a um Contrato de Gestão da TAAG pela Emirates. A gestão de topo da TAAG passou a ser principalmente da responsabilidade de uma equipa de executivos da Emirates.

    Pretendia-se com o acordo dotar a TAAG de uma gestão profissional de nível internacional, libertando-a de problemas de eficácia e eficiência que vinham persistindo há longos anos.

    Após a elaboração de um novo Plano de Negócios para a TAAG, a gestão corrente da TAAG passou a ser assegurada por uma Comissão Executiva, composta por quatro administradores executivos indicados pela Emirates, incluindo o seu presidente, e um administrador executivo angolano, com o cargo de vice-presidente.

    Apesar da TAAG não ter ainda atingido o patamar que todos nós ambicionamos para a nossa companhia de bandeira, os bons resultados da acção do seu conselho de administração e de todos os seus trabalhadores, que têm contado com todo o apoio do executivo angolano, são evidentes. A TAAG é hoje uma companhia de aviação muito melhor do que era em 2014, com maior operacionalidade e segurança, com melhor serviço e mais conforto para os seus passageiros, com maior rigor em todos os processos de controlo, com menos custos e com maior rentabilidade.

    Entretanto, como é do conhecimento de todos, desde o terceiro trimestre de 2014, a economia de Angola e de muitos outros países produtores de petróleo vem conhecendo dificuldades muito sérias, devido a uma acentuada baixa do preço do petróleo nos mercados internacionais, o que tem provocado um forte défice de divisas. Entre outras consequências, países como Angola e a Nigéria têm tido dificuldades em assegurar o repatriamento das vendas das companhias aéreas estrangeiras que operam nos seus territórios. Por essa razão, em vários países africanos e não só as companhias aéreas internacionais têm estado a reduzir a frequência de voos ou até mesmo a suspender toda a sua operação.

    Em concreto e no caso de Angola, um bilhete de avião comprado em Angola em Kwanzas a uma companhia de aviação estrangeira, para um voo com destino a uma capital estrangeira e regresso a Angola, obriga o nosso país a permitir que essa companhia transfira para o seu país de origem um montante em moeda estrangeira equivalente à parte do bilhete comprado em Angola em Kwanzas – deduzidos os encargos que essa empresa tem em Angola.

    Apesar de todo o esforço dos organismos encarregues da gestão das divisas do país, nomeadamente o Banco Nacional de Angola (BNA), várias companhias aéreas estrangeiras que operam em Angola vêm sentindo essas dificuldades de repatriamento das vendas, de entre elas a Emirates. No entanto, o BNA tem procurado, com o gradualismo possível, ir satisfazendo as transferências das companhias de aviação.

    No passado dia 9 de Julho de 2017, em carta dirigida ao Ministro dos Transportes da República de Angola, a Emirates fez saber que não só reduziria os seus serviços do Dubai para Luanda para três frequências semanais, como, com efeitos imediatos, terminaria a sua parceria estratégica com a TAAG. Desta decisão unilateral da Emirates resultou a retirada imediata de Angola dos administradores que tinha indicado para o Conselho de Administração da TAAG.

    Lamentamos a forma brusca e menos flexível como a Emirates pôs fim a uma parceria estratégica que vinha gerando bons resultados e que, certamente, geraria resultados ainda melhores ultrapassadas as dificuldades conjunturais. Aliás, cabe assinalar que a Emirates misturou indevidamente dois planos distintos que são a sua operação em Angola enquanto companhia de aviação e o acordo de gestão que rubricou com a TAAG. Tomámos nota da decisão unilateral da Emirates e, naturalmente, procurámos soluções imediatas para a gestão da TAAG.

    Nesse sentido, o governo de Angola decidiu pôr fim ao mandato do actual Conselho de Administração da TAAG. Atendendo ao facto de estarmos a pouco mais de um mês da realização de eleições gerais em Angola, de onde resultará uma nova legislatura e um novo executivo, o governo de Angola decidiu não nomear um novo conselho de administração para a TAAG e, ao invés, nomear uma Comissão de Gestão, que se encarregará da gestão corrente da empresa.

    Essa Comissão de Gestão será composta por 7 pessoas. Quatro serão angolanos, incluindo o seu presidente. Os outros 3 serão estrangeiros, exactamente os mesmos três ex-administradores executivos que tinham sido indicados pela Emirates. Estes executivos estrangeiros aceitaram continuar a servir a TAAG, mas agora contratados directamente pelo governo angolano, o que prova a confiança que têm no nosso governo, na TAAG e no seu projecto de reestruturação e desenvolvimento.

    Os objectivos que no final de 2014 tinham sido traçados para a TAAG mantêm-se, nomeadamente: elevar os padrões de operacionalidade e segurança da TAAG; melhorar substancialmente o serviço que a TAAG presta aos seus passageiros; sanear financeiramente a TAAG e aplicar maior rigor em todos os processos de controlo; reduzir os custos de operação da TAAG e aumentar a sua rentabilidade. Mantém-se também o plano de negócios que foi desenhado.

    O caminho para o progresso é sempre feito de obstáculos e de adversidades. Juntos, governo, a nova comissão de gestão da TAAG, todos os trabalhadores da TAAG e os seus clientes, vamos vencer mais esta adversidade. Expressamos os nossos agradecimentos a todos os que se mantêm ao lado da TAAG, de Angola e dos angolanos.

    A TAAG vai continuar a voar e cada vez mais alto. Vamos continuar a desenvolver a TAAG. Continuaremos a trabalhar afincadamente para termos uma companhia de bandeira forte, de nível nacional e internacional. A TAAG continuará a ser uma empresa angolana, utilizada e operada fundamentalmente por angolanos.

    Osvaldo
    Osvaldo
    Editor da Platina Line
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