Por: Hélio Cristóvão

Nomeada na categoria de “Contributo de Informação do Ano”, nos prémios Moda Luanda 2020, Jerusa Ferreira, formada em Comunicação Social, pelo Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL), licenciada no mesmo curso pela Universidade Agostinho Neto, é das únicas, se não a única jornalista no país, que acompanhou os primeiros casos da Covid-19 e esteve em contacto directo com pacientes positivos, em unidades de cuidados intensivos.

A jornalista integra, desde 2002, a equipa de profissionais da Televisão Pública de Angola, onde começou a trabalhar como operadora de som, posteriormente  operadora de VTR e Assistente de supervisão das emissões, tendo ainda trabalhado nos estúdios A, B e C da mesma estação.

Jerusa Ferreira vê, pela terceira vez, o seu trabalho de mais de 20 anos a ser reconhecido, tendo já destaque nos prémios Angola Comunica, Gala Palanca Negra Gigante e agora no Moda Luanda 2020. Em entrevista ao PLATINALINE, a jornalista de carreira diz que um reconhecimento é sempre gratificante.

“Estou muito contente por esta nomeação. Trabalhei dia e noite, deixei a minha família, enfim, participei em toda a cobertura da Covid-19, desde os primeiros casos na China até os primeiros casos no país. Sempre acompanhada do  meu repórter de imagem, Artur Gil, os editores de imagem Yanick Capitão, César de Carvalho e Francisco Torres. Foram momentos difíceis, chorei, tive medo, fiquei apavorada, mas continuei o meu trabalho.” Disse.

Como todo e qualquer profissional que se preze, trabalhar para ganhar prémios nunca foi a sua intenção, pois fez saber que fazer Jornalismo, dando voz a quem não tem, é a sua grande e primeira paixão. “O ano de 2020 foi um ano atípico a nível mundial. Para mim, foi desafiador, em todas as áreas da minha vida, pois a pandemia mudou a forma de ser e de estar de todos, em particular a minha, ficar distante da família então, uff!!! Enfim! Mas DEUS TEM ESTADO SEMPRE COM TODOS NÓS.” Salientou.

Apesar de tantos acontecimentos negativos, a nível profissional, Jerusa Ferreira fez um magnífico trabalho, pois conseguiu esclarecer o mistério em relação ao famoso caso 26 e o primeiro caso recuperado da Covid-19 no país.

“Fiz a cobertura em todos os laboratórios que processam amostras da Covid-19 por RT-PCR, Elisa entre outros, ouvi o desabafo dos profissionais da linha da Frente, todos jovens, ouvi os profissionais de outras províncias, uns que estavam em Luanda para formação, outros que chegavam com amostras da Covid-19. Acompanhei também a formação dos profissionais de saúde, com maior destaque para os médicos não intensivistas formados pelos médicos intensivistas, o treinamento dos profissionais que trabalham para tratar os pacientes que morreram de covid-19, como tratar uma criança com covid-19, modo de tratamento, a paramentação dos profissionais da linha da frente e preparação das unidades covid-19.”