Executivo angolano está a trabalhar na identificação das fazendas em estado de abandono em todo o país.

A informação foi avançada esta quinta-feira, 10 de Junho, pelo ministro da Agricultura e Pescas, António Francisco de Assis, durante a visita de trabalho que o Presidente da República, João Lourenço, realiza na província do Bengo.

“São heranças do passado, temos muitas [fazendas]. Foi feito um levantamento, estão a ser identificadas as pessoas que, no passado, ficaram com essas fazendas”, aclarou o ministro.

António Francisco de Assis disse que, na província do Bengo, existem 280 fazendas em estado de abandono e apelou aos seus proprietários a colaborarem com o Governo no sentido de se fazer um melhor aproveitamento.

“No contexto actual, quem não está disponível para trabalhar aí, que voluntariamente contribua entregando ao Estado, às autoridades locais, para que essas fazendas sejam passadas a pessoas que tenham interesse e queiram trabalhar”, exortou.

Nesta quinta-feira, após uma reunião com o governo local, o Presidente da República, João Lourenço, visitou a Fazenda Novagrolider, que se tem destacado na produção nacional de banana.

Fundada em 2009, a NovagroLider produz ainda manga, papaia, pitaya e abacaxi, que são os principais produtos exportados, por via área, para Portugal, França, Itália, Polónia, Espanha e África do Sul.

O projecto emprega 1.100 trabalhadores nacionais e 15 expatriados, na província do Bengo, sendo a nível do país mais de quatro mil o número de funcionarios.

Possui ainda duas unidades de produção, a Fazenda Bumbá Longa e a Fazenda do Caxito. Conta também com dois polos industriais para transformação dos produtos agrícolas, um em Catete e outro em Caxito.

O ministro da Agricultura e Pescas considerou necessário o aproveitamento dessa capacidade instalada e do conhecimento existente na preparação dos produtos que chegam a ser exportados para o relançamento de outras áreas de produção.

“Existem muitas áreas produtivas férteis aqui na província do Bengo. Vamos ver se nós, numa parceria com a Novagrolider, com associações juvenis, com aqueles jovens que queiram desenvolver a agricultura, fazemos aqui um casamento perfeito para que se aumente a quantidade de produção”.

Francisco de Assis reconheceu, por outro lado, a existência de algumas dificuldades na garantia de condições que assegurem os investimentos no sector agropecuário, tais como energia elétrica, água e vias de acesso.

Segundo o ministro, apesar de a província do Bengo possuir uma grande capacidade de produção elétrica, debate-se ainda com dificuldades na transportação de energia, pelo que se lhe afigura urgente um melhor aproveitamento dos recursos hídricos da província.

“O Bengo tem bastantes recursos hídricos. Nós precisamos é de aproveitá-los melhor de forma a que se possa modificar a situação da população”, defendeu o ministro.